fc porto cabeçalhoJá foi há quase um mês que, após um surpreendente empate do Sporting em Moreira de Cónegos, o FC Porto assumiu a liderança isolada da Primeira Liga. Um dia depois de conseguirem a sétima vitória consecutiva frente ao Portimonense, os dragões viam o sporting escorregar e o clássico mudava de figura: o FC Porto visitava Alvalade líder isolado.

Ironicamente, a última vez em que os azuis e brancos haviam liderado o campeonato de forma isolada tinha terminado precisamente em casa dos leões. À data, o treinador era Julen Lopetegui e o encontro terminou com 2-0 favoráveis ao Sporting, que saltou para a liderança.

Entre os dois momentos passou mais de um ano e muitas coisas mudaram no Dragão: José Peseiro e Nuno Espírito Santo passaram, sem sucesso, pelo banco de suplentes, agora ocupado por Sérgio Conceição; o fair-play financeiro bateu à porta e o orçamento para reforços foi reduzido; e existiram, sobretudo, grandes mudanças nas ideias de jogo praticadas.

Outrora, numa ideia defendida por Vítor Pereira, amenizada por Paulo Fonseca e convictamente recuperada por Lopetegui, o FC Porto terminava os encontros, salvo raríssimas exceções, com a esmagadora maioria da posse de bola. A equipa jogava a toda a largura, sempre com os extremos e os laterais encostados às laterais, procurava desmontar os adversários através de sucessivas trocas de bola e tinha na variação do centro de jogo a sua maior arma.

Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui
Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui

Ainda que com Vítor Pereira a fórmula tenha apresentado resultados (sob o seu comando o FC Porto foi por duas vezes campeão), com Lopetegui, e com um plantel verdadeiramente de luxo, os resultados não foram os desejados, e o basco deixou o Dragão sem qualquer título. Ainda assim, a generalidade da crítica sempre caraterizou o futebol preconizado por Julen como “positivo”. O FC porto jogava como uma equipa grande: jogava bem. Mas então o que é jogar bem?

Atualmente existe uma grande tendência para  se associar o jogar bem às ideias de Cruyff: ao controlo da posse de bola, às linhas subidas e ao futebol a toda a largura, traços comuns ao futebol de Lopetegui. No polo oposto, existe também quem defenda que jogar bem é simplesmente ganhar, como Sérgio Conceição afirmou na conferência de imprensa da sua apresentação.

Ainda que o objetivo máximo de um jogo seja evidentemente vencer, não é impossível consegui-lo sem jogar bem. Não é provável, mas acontece. É futebol, diz-se. Por outro lado, há decerto várias outras formas de jogar bem sem privilegiar a posse de bola, caso contrário seria impossível considerar técnicos como Mourinho ou Simeone bons treinadores. A resposta será, possivelmente, uma posição distinta de ambas: jogar bem é executar um plano de jogo de forma eficaz. Retomando a ideia prévia, é possível ganhar um jogo sem jogar bem. Um dia de sorte, um adversário desastrado na finalização ou até uma soberba exibição de um guarda redes podem conseguir um bom resultado por vezes. Mas não é possível executar com sucesso um plano de jogo e todos os processos de uma partida sem se ser competente. Ainda assim, é possível fazê-lo e perder na mesma. A qualidade de jogo está assim dissociada do resultado.

Contudo, não é crível que uma equipa que domine a posse de bola e perca um jogo tenha jogado melhor do que uma outra que, contra o mesmo adversário, abdicando do controlo da bola, baixando as linhas e jogando com um bloco próximo, aproveite as recuperações da posse e uma boa definição no momento da transição para golear. Não consentir oportunidades é diferente de não sofrer golos. A equipa que não consente oportunidades tem um posicionamento estudado, zonas de pressão bem definidas e uma boa execução de processos. E o mesmo vale para o momento ofensivo. Uma equipa que jogue bem tem um bom plano de jogo e cumpre-o de forma eficaz.

 

Foto de Capa: FC Porto

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