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Terminou o Mundial, acabaram as férias. Ainda há muitas indefinições quanto à formação dos planteis, mas já temos algumas indicações do que poderá vir a ser a próxima época desportiva. Relativamente aos dragões, podemos desde já concluir que teremos um plantel muito jovem e com mais soluções do que no passado.

Neste momento, segundo o site do clube, o plantel tem à sua disposição 28 jogadores na equipa principal, aos quais devemos ainda juntar os “B’s” Victor Garcia, Igor Lichnovsky (que não está no site como jogador da equipa “A” mas que todavia ainda não foi relegado aos “B”), Rúben Neves, João Graça, Kayembe e Gonçalo Paciência. Devemos lembrar que João Graça e Rúben Neves têm idades de júnior e juvenil, respectivamente, estando no plantel apenas para colmatar a ausência dos internacionais que ainda se encontram de férias e de Mikel. Victor Garcia e Lichnovsky serão certamente enviados para a equipa secundária dos dragões para ganhar minutos (no caso do lateral – que nem seguiu para o estágio -, mais cedo ou mais tarde acabará por sair sem vingar nos dragões, parece-me, ao passo que o central tem uma enorme margem de progressão) e Kayembe e Paciência serão os “meninos da cantera” a espreitar por uma possível vaga no plantel principal, embora se espere que joguem muito na equipa B. Infelizmente, Mikel, o jogador jovem mais bem cotado para ficar com o plantel principal, lesionou-se com gravidade (fractura da tíbia no primeiro treino), o que o impede, para já, de integrar a equipa ao comando de Lopetegui.

O FC Porto tem, neste momento, uma média de idades de 23,68 anos (segundo o zerozero.pt), o que me leva a uma conclusão: este plantel será uma aposta no futuro, uma aposta para “abanar a estrutura” e apontar baterias ao título!

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Tello é apenas uma das várias caras novas deste FC Porto
Fonte: fcporto.pt

Porquê? Ainda com o plantel por fechar, ouvimos falar de jogadores cada vez mais perto dos azuis-e-brancos, e nomes como Marcano e Clasie vêm todos os dias “à baila”. No caso de Clasie, seria uma contratação de luxo (a par da de Brahimi) que nos daria a certeza de que os cofres estão recheados para atacar o mercado. Já no caso de Marcano, seria para colmatar a já certa saída de Abdoulaye. A confirmarem-se estas contratações, os jogadores mais avançados serão a priori jogadores com condições de serem titulares no xadrez do Porto: Clasie pode fazer qualquer posição do meio-campo ofensivo e Brahimi ocupará uma das alas, precavendo assim o possível desgaste a que jogadores como Quaresma ou Varela (caso fique) estarão sujeitos, visto já não serem jovens.

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Sendo assim, teremos de ter um Porto capaz de resistir às tentações de mercado na época 2015/16, evitando outra incursão de milhões e mantendo a estabilidade. Lembro que a última vez que isso não aconteceu foi no Porto de José Mourinho – saiu o treinador e alguns jogadores basilares da equipa e nem com a contratação de estrelas como Diego ou Luís Fabiano foi possível ter uma equipa a lutar verdadeiramente pelo título. Veja-se, também, o caso do ano que passou… Aí, mais por contratações falhadas do que por falta de qualidade no plantel.

Eu defendo a estabilidade que o Porto tem conseguido manter ao longo dos tempos, tal como defendo uma aposta em jovens com futuro, e este ano parece que isso vai acontecer!

Depois temos o caso dos “excedentários” – Rolando, Licá, Josué, Defour (o médio com a porta de saída mais do que aberta – fala-se inclusive de uma saída iminente para o Feyenoord a troco de alguns milhões mais do passe do jovem Bakkali, de 18 anos) – e dos “transferíveis” – Maicon, Mangala, Varela, Kelvin ou Jackson. No primeiro caso, ainda sou da opinião de que Licá só deve sair por empréstimo (continuo a achá-lo um jogador muito interessante para certos momentos do jogo, que necessita – muito – de amadurecer). Já os restantes podem seguir o seu percurso noutro lugar. Quanto aos “transferíveis”, percebo que todos tenham milhões à porta, mas gostaria que a SAD portista mantivesse Jackson e Varela (jogador que já não é o que era, mas que é experiente e muito útil), visto que Mangala alegadamente já efectuou os exames médicos no Manchester City. Para o lugar de Maicon temos Lichnovsky e Martins Indi (recentemente confirmado por 7,7 milhões de euros); se Kelvin sair (também por empréstimo), espero ver Kayembe entre as equipas “A” e “B”.

A recém-chegada de Casemiro à Invicta veio dissipar as dúvidas que tinha quanto ao sistema táctico dos dragões (que oscilaria entre 1-4-2-3-1 e 1-4-3-3). Sendo assim, no meu entender e até ao momento, teríamos um plantel inicial formado por cerca de 26 jogadores (que irá forçosamente diminuir com a saída de pelo menos um ponta-de-lança e talvez um extremo) que encaixariam melhor num sistema de 1-4-3-3, pese embora o facto de só termos Casemiro como verdadeiro médio-defensivo.

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Plantel FC Porto 2014/2015
(? – Jogadores que não têm ainda o futuro definido no Dragão)

Assumidamente teremos de jogar com um “nº10” quando atacamos. A qualidade é tanta que até jogadores de fino recorte técnico como Evandro (e mesmo Carlos Eduardo) deverão ter de adaptar o seu estilo de jogo e assumir-se como box-to-box, construindo jogo a partir de trás e deixando espaço para Quintero ou Óliver Torres pegarem na batuta de uma orquestra que terá certamente em Quaresma e Tello os seus principais músicos (até a confirmação oficial de mais jogadores).

Sami parece-me ser um jogador interessante e que promete nesta sua “nova” posição de homem-golo e Ricardo pode muito bem ter perdido o seu espaço como lateral ofensivo, tendo de se limitar a ser terceira opção para as alas ou, quiçá, a ser emprestado. No caso dos avançados, a possível saída de Jackson pode levar a que outro sul-americano assuma a posição de homem-golo: o mexicano Raúl Jiménez, assim diz a imprensa.

Ainda assim, com a contratação de Adrián Lopez ao Atlético de Madrid, terei de perguntar o seguinte: será que Lopetegui pensa num Porto à imagem da sua selecção espanhola, com um bloco muito compacto que privilegia a posse de bola e que ofensivamente se desdobra num 1-3-6-1 onde não se sabe quem é o ponta-de-lança, pois qualquer jogador pode aparecer na zona de finalização? O avançado espanhol é um finalizador-nato, um jogador de classe que, mesmo tapado por Villa e Diego Costa, somou vários minutos e golos (entre os quais ao Chelsea, na meia-final da Champions) no Atlético de Madrid, mas nunca poderá jogar como ponta-de-lança isolado, visto que não tem características para tal. Neste sistema, Óliver pode muito bem jogar mais recuado no terreno e vir buscar jogo aos centrais, à imagem do que fazia (e bem!) na rojita, assumindo-se como o estratega na primeira fase de construção do jogo ofensivo dos dragões. Algo facilmente comprovável neste vídeo.

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O FC Porto reforçou-se e Quaresma terá, esta época, concorrência apertada
Fonte: fcporto.pt

Seria uma táctica arrojada (Herrera/Casemiro, Óliver e Quintero a “10” – abdicando, em certos jogos, de um médio defensivo) e por isso apenas possível nas competições internas. Em jogos de maior dimensão teria de ser revista, pois ai qualquer erro pode custar caro. Certo é que isto não passa de especulação e que as próximas semanas nos irão dar mais certezas em relação àquilo que será a nova cara do clube da invicta.

De resto, parece-me que temos um plantel bastante mais equilibrado e com mais soluções, o que nos dá a garantia de não precisar de jogar com um central encostado à linha, um Ghilas a ala direito ou um Herrera a trinco. Espero mais mexidas no mercado, mas pelo que estou a ver só posso estar contente e optimista com a formação do grupo que vai certamente atacar o título na época 2014/15. Existe mais critério, mais clareza e menos aventureirismo nas escolhas para a época que se avizinha. Mas é no campo que isso terá de se provar. E os 9-0 ao Valadares (com todo o respeito pelo clube), os 2-6 ao Venlo e os 1-3 ao Genk não me chegam para deitar foguetes, até porque na época anterior Paulo Fonseca realizou das melhores pré-epocas de sempre do Futebol Clube do Porto…

Eu acredito no potencial desta equipa!

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