O que nos resta, então?

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Empurrar ou saltar mais alto? Eis a questão. Não escrevo só pelo facto de ter acontecido no jogo entre Nacional e Porto, escrevo porque, em menos de uma semana, aconteceram dois lances iguais com o mesmo jogador: Jackson Martinez. Contra o Benfica, Jackson salta (muito) mais alto do que Garay e faz golo limpo; contra o Nacional, Jackson faz exactamente o mesmo e… é falta! Ora, então expliquem-me, os “sobrenaturais” da Física, como é que é possível saltar de mãos em baixo? Mais, parando de recorrer à Física e recorrendo ao futebol puro e duro, como pode ser falta o facto de um jogador saltar, e outro não, e aquele, ao cair, tocar com as mãos nos ombros do adversário? Ponto 1: o jogador que não salta (o do Nacional) foi lá apenas estorvar a acção de Jackson. Ponto 2: mesmo que saltasse, chegaria sempre lá acima já depois (muito depois) do golo. Jackson faz-me lembrar Hulk. Porquê? Porque faz do físico uma das suas armas e é constantemente massacrado com faltas inexistentes por ser mais forte. Enfim, lá foram mais três pontinhos que nos conseguiram tirar. De qualquer maneira, esta época nem o terceiro lugar foge, nem o segundo é alcançável.

Jackson tem sido injustiçado  Fonte: www.footballtop.ru
Jackson tem sido injustiçado
Fonte: www.footballtop.ru

O que nos resta, então? Muito! As pessoas querem, constantemente, olhar para o Porto e ver um vazio. Um vazio! Mas vejamos: qual a equipa portuguesa, actualmente (actualmente!), com mais títulos na época 2013/2014? É o Porto, com uma Supertaça Cândido de Oliveira. É o título mais importante? Não, de todo. Mas é um título. O que pode ainda o Porto ganhar, sabendo que o campeonato já está entregue (e não, não é um “entregue” de arbitragens)? Liga Europa, Taça de Portugal e aquela “espécie” de taça chamada Taça da Liga, que, ainda que seja apenas “piners”, não deixa de ser uma taç…azinha (que já salvou a época a certos clubes…)! Sendo assim, e desculpem a ousadia, o Porto ainda tem MUITO a ganhar. Esta ainda pode vir a ser uma época de sonho! Quem não trocava um campeonato, que está habituado a ganhar justamente ano após ano, por uma competição europeia, que demonstra o domínio internacional? Claro que queria épocas como as de Mourinho ou Villa-Boas, mas isso sabemos que essas só acontecem numa conjugação de situações brutal (ausência de lesões e castigos, sorte e futebol constante de alto nível)! Não se pode ganhar sempre, não se pode perder eternamente. Este ano trocaram-se os vitoriosos da Liga pelos que têm sido derrotados normalmente (e com justiça, seja a sorte ou não factor determinante).

Temos, portanto, amanhã um jogo crucial no que toca ao alimento do sonho europeu: frente ao Sevilha! Neste jogo, 99,9% do meu coração é azul e branco mas há 0,1% de mim simpatiza com o Sevilha, cidade onde vivi durante um período de Erasmus no ano passado. Posso garantir que em Sevilha (cujo estádio nos traz memórias muitos boas – Taça UEFA, 2003) teremos um ambiente hostil desde o momento em que os jogadores aterrem até ao momento que o arbitro apite para o final dos 180 minutos, por isso espero que o Porto não sofra golos em casa e leve uma confortável “bagagem” para o jogo da segunda mão (sabendo que será um jogo de 180 minutos, e nunca de 90), à semelhança da eliminatória com os italianos do Nápoles. Espero um Porto aguerrido e com um Quaresma (estupidamente mal atacado por algo que não fez na Madeira) a liderar uma equipa onde os “operários” Defour e Herrera voltem a olear a máquina de transições azul e branca. Resta ainda a “dúvida central”: qual será a dupla escolhida por Luís Castro? Reyes é certo, resta saber o parceiro. Maicon recupera? Mangala recupera? Recuperam os dois? Mesmo que recuperem, é um risco utilizar ambos, pois, vindos de lesão, podem estar com pequenas mazelas físicas (e Reyes parece-me já ter conquistado lugar). Certo é que não joga Abdoulaye, por não estar inscrito. Curiosamente, os golos onde é claramente culpado são sempre precedidos de foras-de-jogo claros não assinalados: o de Slimani contra o Sporting e o de Candeias contra o Nacional. Mas isso não desculpa o facto de ser “jogador de equipa pequena”: joga de forma fantástica em clubes onde é sempre chamado a intervir, mas quando está num clube grande demonstra não ser capaz de manter níveis de concentração suficientes para, das vez que é chamado a intervir, o fazer bem (ao estilo de Roberto, Alan, Pinilla, etc).

Sevilha traz boas recordações ao FC Porto: em 2003, foi o palco da final da Taça UEFA Fonte: portistasdebancada.blogspot.com
Sevilha traz boas recordações ao FC Porto: em 2003, foi o palco da final da Taça UEFA
Fonte: portistasdebancada.blogspot.com

Para finalizar, gostaria de pedir a toda a comunidade portista solidariedade com o clube e apoio constante. ESTAMOS VIVOS! Percebam que somos muito exigentes e o clube tem sempre respondido à altura! Os jogadores são humanos como nós, os treinadores também. Sei que todos dão o seu melhor porque “aquilo” é o trabalho deles: jogar futebol! Apenas, por vezes, as coisas “não saem”. Se estou desiludido com este Porto? Muito! Se deixarei de o apoiar? Jamais! “Somos Porto”, uma frase muito dita por Vítor Pereira quando o seu clube estava a cinco pontos do Benfica a três jornadas do fim. É isso que digo: SOMOS PORTO! A ambição tem limites, e nós temos de perceber que nem sempre é possível ir para além do sonho. Felizmente, em Portugal somos a antítese dos outros clubes: uns anunciam-se com frequência campeões ainda em Janeiro, outros encomendam e “desencomendam” (ou reservam!) várias vezes estátuas para festejar em três competições diferentes mas, no final, vemos essas mesmas estátuas pintadas em tons de azul e branco, o que anuncia (mais uma vez…) um Porto campeão! “Muitos querem, poucos o conseguem!”. Até para a semana comunidade portista! Abraço!

Redação BnR
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