As últimas exibições de Óliver Torres parecem demonstrar que o talento do espanhol parece finalmente voltar a brilhar. Óliver é daqueles jogadores que me fazem pagar bilhete para ir ver um jogo de futebol. É, na minha opinião, um craque! A elevadíssima qualidade técnica, a facilidade de passe quer curto quer longo, a visão de jogo, a dinâmica que consegue impor no jogo da equipa só está ao alcance de jogadores de um nível acima da média. É um jogador que eu considero ao “estilo Guardiola” e que sou apreciador, confesso.

Chegou ao FC Porto na época 2014/15 por empréstimo do Club Atlético de Madrid e encantou o dragão onde fez 40 jogos e apontou sete golos, sendo uma peça imprescindível na equipa. Na época seguinte voltou ao clube espanhol onde fez uma época interessante sendo utilizado por 33 das quais 14 como titular. Em 2016/17 voltou novamente ao dragão por empréstimo mas com opção de compra obrigatória no valor de 20 milhões de euros. Um valor elevado que na minha opinião foi sempre um “estigma” que pairou e pressionou o rendimento do atleta.

Óliver atravessa um grande momento de forma
Fonte: FC Porto

Uma das características mais fortes de Sérgio Conceição é potenciar o rendimento individual dos jogadores e enquadrar as suas características no modelo tático que pretende para o FC Porto. Óliver foi sempre visto como um jogador com muita qualidade mas com pouca agressividade e intensidade principalmente para a forma como o treinador portista trabalha a sua equipa. Mas o último jogo foi a prova que isso é passado e os números aprestados por Óliver foram impressionantes. 12 recuperações de posse (um recorde na Primeira Liga), 11 desarmes, e uma eficácia altíssima na disputa dos duelos. Era esta intensidade que faltava a Óliver porque tudo o resto tem em abundância.

Acredito que Óliver Torres vai ter um papel importante na época portista, e nos jogos de maior grau de dificuldade onde o meio campo vai ser composto a três, o espanhol trás uma qualidade no último passe que nenhum outro jogador do plantel possui. O trabalho mental de limpar da cabeça do jogador o estigma “20 milhões” é fundamental para que todo o seu talento seja explorado. E ao que parece todo esse trabalho quer tático quer mental está a ser muito bem feito por Sérgio Conceição e a sua equipa técnica!

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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