O título está bem encaminhado, mas é preciso fazer muito melhor

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O último jogo contra o Paços de Ferreira foi um passo importantíssimo para a conquista do título de campeão nacional, mas a exibição do FC Porto deixou muito a desejar. A incapacidade e a falta de vontade de defender com bola foi algo preocupante, e permitiu ao Paços que tivesse oportunidades de igualar a partida.

Neste jogo, os Dragões tiveram o seu terceiro mais baixo registo de posse de bola, apenas atrás dos dois jogos contra o Benfica e contra uma equipa que, desde a retoma, estava a ser a que menos posse de bola tinha em média por jogo. Foi apenas a quarta vez que o FC Porto teve menos posse do que o seu adversário. Como seria de esperar, foi também das primeiras vezes que a equipa foi superada em termos de remates, cantos e oportunidades de golo.

É importante olharmos para estes dados e tentarmos percebê-los, porque é preciso que este Porto aumente, e muito, a qualidade de jogo.

No início do artigo, falei em incapacidade e em falta de vontade em segurar o resultado com bola, e são estes dois pontos que vou explorar.

A incapacidade parte do facto de alguns dos jogadores do FC Porto simplesmente não estarem à vontade no momento de jogo com bola. Numa análise mais profunda do jogo, quantas vezes não se veem receções falhadas, passes mal direcionados, más tomadas de decisão com bola… tudo coisas que uma equipa ao nível dos Dragões não deveria cometer, pelo menos não com tanta frequência. Na primeira fase de construção, foi mais do que evidente a falta de recursos técnicos de Danilo para sair a jogar. Mesmo quando recebe de costas com espaço, é muito raro que este se consiga virar para ficar de frente para o jogo e lançar o ataque. Tem também muitas dificuldades em, através da sua movimentação, arrastar a pressão e abrir linhas de passe diretamente dos centrais para os médios.

Ainda assim, o FC Porto tem jogadores que conseguem fazer a diferença com bola. Mas aqui entra o segundo ponto de preocupação: a falta de vontade de manter a posse. E esta, ao contrário da anterior, vem única e exclusivamente do treinador. Sérgio Conceição não quis que a sua equipa defendesse com bola, é tão simples quanto isso. Conseguimos contar pelos dedos das mãos (e ainda sobram alguns) as vezes que a equipa saiu a jogar curto em pontapés de baliza, algo que não acontece por norma nos Dragões. Foi uma instrução específica de Sérgio que acabou por oferecer a bola aos Castores em várias ocasiões.

Se na semana passada elogiei as substituições do treinador, que ajudaram a mudar o jogo, certamente que não farei o mesmo agora. Quando o Paços começava a ter cada vez mais posse e a sentir-se cada vez mais confortável, Sérgio decidiu trazer Loum ao jogo. Ora, esta época não foi boa para o senegalês. É muito cedo para avaliar se é ou não jogador para o FC Porto, mas a entrada do médio, que não tem qualquer ritmo de jogo e que tem características de jogo algo parecidas com as de Danilo, não acrescentou absolutamente nada à equipa. Quando se pedia que Conceição mexesse para dar mais bola à equipa, este meteu Loum e recuou ainda mais os dragões, fazendo com que o Paços tivesse ainda mais posse nos últimos 10 minutos de jogo.

 A verdade é que o FC Porto ganhou o jogo e conquistou três pontos cruciais. Mas certamente não é este tipo de futebol que muitos portistas quererão ver. Numa altura em que, com a impossibilidade de ir ao estádio, muitos adeptos estarão desmotivados para ver os jogos, é preciso cativá-los com bom futebol – futebol que entusiasme e que dê prazer ver.

Artigo revisto por Mariana Plácido

Alexandre Matos
Alexandre Matoshttp://www.bolanarede.pt
O Alexandre é um jovem que estuda Ciências da Comunicação no Porto. Apaixonado por tudo o que seja desporto, encontra a sua maior obsessão no futebol. Como não tinha grande jeito para jogar, decidiu que o melhor era apostar no jornalismo desportivo. Amante incondicional de bom futebol, não tem medo de dar a sua opinião nem de ser polémico. Sendo qualidades inerentes à profissão que deseja exercer no futuro, rege-se pela imparcialidade e pelo critério jornalístico na sua escrita.

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