Publicidade

O título está bem encaminhado, mas é preciso fazer muito melhor

Alexandre Matos · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O último jogo contra o Paços de Ferreira foi um passo importantíssimo para a conquista do título de campeão nacional, mas a exibição do FC Porto deixou muito a desejar. A incapacidade e a falta de vontade de defender com bola foi algo preocupante, e permitiu ao Paços que tivesse oportunidades de igualar a partida.

Neste jogo, os Dragões tiveram o seu terceiro mais baixo registo de posse de bola, apenas atrás dos dois jogos contra o Benfica e contra uma equipa que, desde a retoma, estava a ser a que menos posse de bola tinha em média por jogo. Foi apenas a quarta vez que o FC Porto teve menos posse do que o seu adversário. Como seria de esperar, foi também das primeiras vezes que a equipa foi superada em termos de remates, cantos e oportunidades de golo.

É importante olharmos para estes dados e tentarmos percebê-los, porque é preciso que este Porto aumente, e muito, a qualidade de jogo.

No início do artigo, falei em incapacidade e em falta de vontade em segurar o resultado com bola, e são estes dois pontos que vou explorar.

A incapacidade parte do facto de alguns dos jogadores do FC Porto simplesmente não estarem à vontade no momento de jogo com bola. Numa análise mais profunda do jogo, quantas vezes não se veem receções falhadas, passes mal direcionados, más tomadas de decisão com bola… tudo coisas que uma equipa ao nível dos Dragões não deveria cometer, pelo menos não com tanta frequência. Na primeira fase de construção, foi mais do que evidente a falta de recursos técnicos de Danilo para sair a jogar. Mesmo quando recebe de costas com espaço, é muito raro que este se consiga virar para ficar de frente para o jogo e lançar o ataque. Tem também muitas dificuldades em, através da sua movimentação, arrastar a pressão e abrir linhas de passe diretamente dos centrais para os médios.

Ainda assim, o FC Porto tem jogadores que conseguem fazer a diferença com bola. Mas aqui entra o segundo ponto de preocupação: a falta de vontade de manter a posse. E esta, ao contrário da anterior, vem única e exclusivamente do treinador. Sérgio Conceição não quis que a sua equipa defendesse com bola, é tão simples quanto isso. Conseguimos contar pelos dedos das mãos (e ainda sobram alguns) as vezes que a equipa saiu a jogar curto em pontapés de baliza, algo que não acontece por norma nos Dragões. Foi uma instrução específica de Sérgio que acabou por oferecer a bola aos Castores em várias ocasiões.

Se na semana passada elogiei as substituições do treinador, que ajudaram a mudar o jogo, certamente que não farei o mesmo agora. Quando o Paços começava a ter cada vez mais posse e a sentir-se cada vez mais confortável, Sérgio decidiu trazer Loum ao jogo. Ora, esta época não foi boa para o senegalês. É muito cedo para avaliar se é ou não jogador para o FC Porto, mas a entrada do médio, que não tem qualquer ritmo de jogo e que tem características de jogo algo parecidas com as de Danilo, não acrescentou absolutamente nada à equipa. Quando se pedia que Conceição mexesse para dar mais bola à equipa, este meteu Loum e recuou ainda mais os dragões, fazendo com que o Paços tivesse ainda mais posse nos últimos 10 minutos de jogo.

 A verdade é que o FC Porto ganhou o jogo e conquistou três pontos cruciais. Mas certamente não é este tipo de futebol que muitos portistas quererão ver. Numa altura em que, com a impossibilidade de ir ao estádio, muitos adeptos estarão desmotivados para ver os jogos, é preciso cativá-los com bom futebol – futebol que entusiasme e que dê prazer ver.

Artigo revisto por Mariana Plácido

Alexandre Matos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.