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Foi no Estádio José Arcanjo que o FC Porto perdeu pela sétima vez esta temporada para a Liga. Diante do Olhanense, que mais não é do que o último classificado, Luís Castro surpreendeu ao dar a titularidade a Tozé (no lugar habitual de Quaresma) e ao recuperar Carlos Eduardo para o meio-campo portista.

Num relvado indigno desse nome, o FC Porto até entrou relativamente afoito, tendo uma ou outra jogada interessante cuja conclusão nunca foi a melhor, como a protagonizada por Herrera aos 7’. Porém, há coisas que figurarão indelevelmente no álbum 2013/2014: mais uma vez, mais uma falha defensiva, mais um golo sofrido. No fundo, pouco importam os protagonistas activos; por mais mérito que o Olhanense – e, neste caso, Kroldrup, o central dinamarquês que até já andou por Udinese e Fiorentina – possa ter, o que é aberrante é a forma como a equipa do FC Porto ficou a observar, muito calmamente, a transformação de um livre aparentemente inócuo num golo. Com alguma felicidade, é certo, o Olhanense fazia o 1-0 ao minuto 14.

Se o FC Porto tinha começado melhor, a partir daí o panorama mudou. Perante este Dragão amorfo e cheio de vontade de que a época termine (a única vontade, de facto), o Olhanense até parece melhor equipa. Foi isso que foi transparecendo à medida que os minutos corriam, enquanto Femi deixava a cabeça de Ricardo (de novo, lateral-esquerdo improvisado) em água ou quando Rui Duarte chegava junto à entrada da área e rematava com muito perigo (25’) ou ainda quando também Lucas visava com relativo alarme a baliza de Fabiano (43’).

Herrera foi dos que mais procurou remar contra a maré  Fonte: esportes.br.msn.com
Herrera foi dos que mais procurou remar contra a maré
Fonte: esportes.br.msn.com

Antes disso, já Luis Castro tinha retirado Carlos Eduardo (esteve em campo?) para dar ao jogo Juan Quintero, exactamente no mesmo minuto em que Jackson rematou por cima depois de instantes decisivos perdidos na tomada de decisão (36’). Nesta fase, o principal problema da equipa tem pouco a ver com um ou outro elemento; num diagnóstico geral, falta compromisso, espírito guerreiro e abnegação. E só isso justifica que, por exemplo, Tozé – um elemento tão acarinhado por uma franja de adeptos portistas e em relação ao qual há muito se exigia uma oportunidade – tenha sido uma verdadeira nulidade. Neste contexto, qualquer novo corpo que se integre nesta equipa (?) é engolido e consumido pela falta de motivação, de confiança e de vontade. Numa palavra, pela tristeza.

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De facto, com a excepção de Herrera, que – melhor ou pior – foi sempre dos que mais se deu ao jogo, o meio-campo nunca carburou e os homens da frente raramente decidiram bem. O FC Porto jamais assentou o seu jogo, porque, nesta fase, nem sequer tem uma ideia do que isso seja. Mas pior: nunca soube filtrar o jogo adversário e anular as rápidas transições ofensivas dos algarvios, quase sempre comandadas por Rui Duarte, Lucas e Femi.

No reatar da partida, Luís Castrou tentou dar alguma imprevisibilidade e irreverência à frente de ataque portista, com a saída de Tozé para a entrada do jovem Kayembe, um dos bons valores da equipa B. É certo que o jogo ficou um pouco mais rápido e interessante mas a produção ofensiva do FC Porto continuou a pautar-se por um redondo zero – o pouco que se criava era, invariavelmente, desperdiçado, muitas vezes de forma indecorosa. Assim aconteceu com Varela ao minuto 58 e com Herrera ao 66, exactamente o mesmo em que Dionisi dilatou a vantagem da equipa algarvia depois de Jander (belíssimo lateral-esquerdo) ter passado de mota por Maicon e ter servido o italiano no centro da área.

Vendo o barco a afundar-se e a equipa perfeitamente desencontrada, o técnico portista – hoje aparentemente muito mais resignado do que em qualquer momento anterior – fez sair Varela e lançou Licá. O ex-Estoril pouco impacto teve no jogo – seria até surpreendente, pelo que já se disse, que fosse de outra forma – mas foi já consigo em campo que o FC Porto reduziu a desvantagem no momento menos triste da tarde: na sequência de uma bola rechaçada de canto, Herrera encheu o pé e assinou um golo de belo efeito ao minuto 82. Numa aparente manifestação de fé mas sem verdadeira crença, Castro fez adiantar e fixar Maicon na área do Olhanense – o certo é que o FC Porto nem capacidade para jogar um futebol rudimentar como é o clássico “chuveirinho” para área manifestou.

Ricardo, mais uma vez adaptado a lateral, sentiu dificuldades  Fonte: Getty Images
Ricardo, mais uma vez adaptado a lateral, sentiu dificuldades
Fonte: Getty Images

O resultado final e a vitória assentam bem à turma comandada por Giuseppe Galderisi – quanto mais não seja, porque foi o único conjunto de jogadores que demonstrou vontade em ganhar a partida (tendo ainda razão de queixa de Cosme Machado, já que ficou um penalty por assinalar sobre Dionisi, ao minuto 56’). Nesta altura do campeonato, o FC Porto já desistiu de si próprio. Não há qualquer tipo de convicção a cada jogada ou um pequeno pingo de solidariedade entre os jogadores, que estão hoje desligados do jogo e, mais grave, da camisola que envergam. E se há pequenas excepções, elas são engolidas pela ausência de fibra e de crer da maioria – assim o FC Porto agonia e (sobre)vive neste penoso final de temporada.

A Figura
Hector Herrera –
 o mexicano foi o elemento mais esclarecido do meio-campo. Mesmo num péssimo relvado, demonstrou alguns pormenores técnicos de qualidade e foi dos poucos que manteve um nível aceitável ao longo da partida. Se bastava isto para ser considerado o menos mau, ainda rubricou o único momento digno da camisola e do símbolo que enverga, com um golo de grande categoria.

O Fora-de-Jogo
Carlos Eduardo –
podia ser Danilo. Ou Maicon. Ou Tozé. Ou quiçá outro qualquer. Nesta fase, e a cada jogo, fica cada vez mais difícil escolher a figura negativa, porque quanto mais se bate mais o fundo desce… Escolho, porém, Carlos Eduardo, por uma simples razão: dizem que foi titular mas acho que ninguém o viu em campo.