“Quando o primeiro empate ou derrota surgir, até que ponto é que a frescura mental manter-se-á intacta? (…) Sem frescura física, sem frescura mental, sem vitória”.

Muitos de vocês lembrar-se-ão com clareza da sequência de 18 vitórias alcançada pelo FC Porto ainda nesta época: eram tempos de euforia, onde o título já era dado como certo e a questão matemática era encarada como apenas uma mera formalidade. Porém, enquanto alguns lançavam os foguetes, fiz o meu melhor para evitar que todos colhêssemos as canas: o excerto acima foi retirado de um artigo publicado antes do empate em Alvalade (para um melhor enquadramento, recomendo a leitura do artigo “E quando aquele golo não for suficiente?”https://bolanarede.pt/nacional/porto/e-quando-aquele-golo-nao-for-suficiente/), onde tentei transmitir a ideia de que o campeonato estava longe de conquistado e deixei a certeza de que uma “quebra” seria inevitável e acabaria por surgir a qualquer momento. Bom, infelizmente estava certo.

Não será um artigo de auto-promoção, muito pelo contrário: o foco será o FC Porto e as razões por detrás deste “descalabro” vivido nos últimos jogos. Voltemos a Alvalade, o jogo onde a sequência de vitórias dos dragões terminou: numa partida fraca de ambas as partes, os comandados de Sérgio Conceição não conseguiram melhor do que um empate frente a um dos Sportings mais frágeis dos últimos anos. Seguiram-se quatro empates (no tempo regulamentar) em sete jogos e, em adição a isso, exibições deploráveis frente a Leixões SC e Moreirense FC.

Após o empate em Alvalade, o FC Porto perdeu pontos em Guimarães e Moreira de Cónegos
Fonte: FC Porto

Os jogos realizados fora de portas transformaram-se num autêntico pesadelo. A tal margem que nos deixava com uma mão no troféu transformou-se em pó. O sonho de levantar todos os troféus nacionais ficou pelo caminho. Do céu ao inferno em menos de um mês. Naturalmente há que procurar culpados por toda esta situação. Acabei por encontrar três e enumerá-los-ei de seguida:

  • Os adversários – se queremos encontrar culpados temos necessariamente que começar por olhar para os adversários que forçaram o FC Porto a perder pontos: Sporting CP, Vitória SC e Moreirense FC, todos adversários de grande nível que conseguiram cimentar o seu posto no topo da tabela classificativa. A exceção acaba por ser o jogo frente ao Leixões SC, contudo esse jogo enquadrar-se-á no ponto seguinte.
  • A falta de soluções – é inevitável abordar este tópico. O plantel do FC Porto não é vasto em quantidade nem em qualidade. Com as recentes lesões de Aboubakar, Marega, Otávio e Danilo, foram diversos os atletas que mereceram minutos, porém, na sua grande maioria, revelaram não ser soluções à altura do FC Porto. Outros, por uma razão ou por outra, nem aos tais minutos tiveram direito. Exemplos? Infelizmente existem muitos: Bruno Costa, João Pedro, Jorge, André Pereira, Adrián Lopez, Hernâni… enfim, uma longa lista! E, para além dos nomes anteriormente citados, resta adicionar a falta de soluções do meio campo em diante, que continua a fatigar tudo o que é craque no nosso plantel.
  • O treinador – por último, é impossível não apontar o dedo a Sérgio Conceição. Custa-me fazê-lo? Imenso. Custa-me muito mesmo apontar o dedo a um treinador que devolveu os títulos ao Porto, que devolveu, acima de tudo, o espírito a este clube. Mas, quando uma equipa não vence, o treinador não pode ficar isento de culpas: substituições infelizes, elementos do onze inicial questionáveis, entre outros fatores, estão entre os defeitos mais apontados a Conceição. Concordo com todas as críticas? Não, mas considero que elas não são de todo infundadas. Resta esperar que Sérgio Conceição aperceba-se dos seus erros e tudo faça para corrigi-los a tempo.

Muita coisa correu mal? Correu, mas em nada isso nos impede de manter as expetativas lá no alto. Aos adeptos resta ajudar o dragão a se reerguer, ajudar a reencontrar o caminho das vitórias; honestamente, julgo que todos nós temos algo aqui dentro que nos garante que um Porto à Porto conseguirá levantar o troféu em maio.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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