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Rodar jogadores com frequência acarreta um grande problema: quando o momento é apertado, as mecânicas e as decisões não são mortíferas.

Não vale a pena inventar; a rotatividade só nos leva até certo ponto. O Porto de Lopetegui não é constante em quase nada a não ser a posse da bola com o objectivo de não a perder. Para além de a equipa não assumir riscos durante o jogo, também não assume titulares, por mais merecido que esse estatuto seja. A culpa está no senhor de fato e gravata sentado lá no banco. Os riscos, esses, eu entendo – entendo, não aceito –, já a titularidade é apenas uma teimosia. Se os jogadores fizeram mais do que o necessário para merecer a titularidade, porquê inventar? A titularidade dá consistência! A titularidade de hoje corrige os problemas da semana passada!

Por exemplo, se Tello jogasse mais vezes a titular não teria tanta “fome” de ser ele a marcar o golo, e, assim, em vez disso, faria um passe para um colega em posição mais vantajosa. Isto já aconteceu quantas vezes? Pois… Nem a mecânica (equipa) nem as decisões (jogador) são consistentes. Há uma equipa titular e depois há um banco. Não há 22 titulares em equipas de alta competição em lado nenhum! Essa mania da rotatividade é um hábito que se pratica mais nas camadas jovens, umas vezes porque é necessário, outras porque os miúdos têm de jogar, e outras ainda porque o pai do Chiquinho é louco e ainda dá um tiro de caçadeira ao treinador se ele não coloca o filho em campo! Este Porto parece um carrossel de feira… Todos têm direito a andar nele, mas já se sabe que por mais voltas que dê não vai a lado nenhum.

Tello é um dos maiores prejudicados pela rotatividade  Fonte: zerozero.pt
Tello tem sofrido com a rotatividade imposta por Lopetegui
Fonte: zerozero.pt

Termino com um assunto que vai ter grande impacto no futebol português: o desaparecimento dos fundos. Já quase toda a gente falou deles, bem e mal. Eu não tomo posições de valor pois não sei exactamente como é que eles funcionam – eu e muita gente – mas sei que sem eles muita coisa má pode acontecer. Imagino três conclusões para Portugal: primeira, sem o dinheiro dos fundos os clubes ficam expostos a magnatas e “ricaços” como Peter Lim; segunda, a qualidade do futebol português cai porque os bons saem e para os substituir somos forçados a usar o que há cá dentro e, sejamos sinceros, entre o jogador promessa e o jogador feito há muita ilusão; terceira, o mercado adapta-se e o valor dos jogadores estrangeiros desce. Eu aposto mais na última. O mercado sul-americano tem crescido muito, assim como o valor dos passes dos seus jogadores, mas a verdade é que há tubarões europeus a emagrecer e nem magros nem gordos podem comprar todas as promessas e jogadores de ouro que existem neste mundo! Com os fundos banidos as dificuldades aumentam para contratar lá fora, mas o mercado é volátil e, principalmente, mutável. Argentina, Brasil, México, Colômbia, Uruguai, entre outros, não vendem vidas de luxo, vendem sonhos. E o melhor disto tudo? Os tubarões não dormem.

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