fc porto cabeçalhoSempre que um adepto do FC Porto pensa em goleadores do clube certamente recordará nomes como os de Fernando Gomes, Domingos Paciência ou Mário Jardel. Porém, há outros futebolistas que pontificam na história dos azuis e brancos pelos golos que marcaram e, entre esses, conta-se o nome de Carlos Duarte.

Atualmente com 84 anos de idade, o extremo direito nascido em Angola realizou um total de 228 jogos ao serviço do FC Porto nos quais marcou 98 golos (média de 0,43 golos por jogo), tornando-se assim no décimo goleador da história do clube. Poucos se recordarão de Carlos Duarte, jogador que chegou ao FC Porto no longínquo ano de 1952. Porém, esses certamente recordarão a célebre dupla que este formou com Hernâni, uma “sociedade” que dava verdadeiras lições de como ultrapassar opositores com recurso a tabelas.

Numa época em que o futebol era muito mais “romântico”, mas em que os futebolistas tinham também, tendencialmente, menos recursos técnicos do que na atualidade, Carlos Duarte destacava-se pela velocidade e pela finta curta. O seu futebol caraterizava-se pela verticalidade, por ter os olhos sempre postos na baliza adversária mesmo quando recebia a bola em zonas recuadas do terreno de jogo, ainda que por vezes abusasse das jogadas individuais. Contudo, é sabido que as dinâmicas coletivas eram relativamente subvalorizadas no futebol praticado nas décadas de 1950 e 1960.

Carlos Duarte em baixo à esquerda ao lado de Hernâni, Noé ou Perdigão Fonte: Dragaopentacampeao
Carlos Duarte em baixo à esquerda ao lado de Hernâni, Noé ou Perdigão
Fonte: Dragaopentacampeao

Se ao serviço do FC Porto Carlos Duarte conquistou oito Taças da Associação de Futebol do Porto, duas Ligas Portuguesas e duas Taças de Portugal ao longo de 12 temporadas (algo muito relevante numa época em que o clube não tinha a mesma dimensão do Sporting CP e, sobretudo, do SL Benfica), na seleção portuguesa de futebol o seu percurso foi bem mais modesto. Com o centralismo a reinar na “equipa das Quinas”, Carlos Duarte somou apenas sete internacionalizações nas quais apontaria somente um golo. Porém, esse foi um golo especial, marcado em 1958 em pleno Estádio de Wembley, frente à todo-poderosa seleção de Inglaterra, num jogo que Portugal viria a perder por 2-1 mas no qual deixou uma excelente imagem junto da imprensa internacional.

Já depois de o FC Porto ter recusado uma oferta de 600 contos do AC Milan para a aquisição do passe de Carlos Duarte, uma grave lesão no joelho sofrida em 1959 acabaria por marcar em definitivo a sua carreira, que chegaria mesmo ao fim em 1965, já ao serviço do Leixões SC. Pese embora nos últimos anos a sua condição física já não lhe permitisse ser o futebolista que outrora marcara o futebol português lado a lado com Jaburú, Teixeira, Noé ou Perdigão, o FC Porto não esqueceu aquilo que este fez pelo clube tendo-lhe, em 2003, atribuído o “Dragão de Ouro” simbolizando a “Recordação do Ano”.

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Foto de Capa: Memória Azul

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.