Publicidade

Os milhões que lá vão!

José Mário Fernandes · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Há já algum tempo que é público o mais recente relatório de contas do FC Porto. A maioria da massa adepta, presumo, não teve muito tempo para refletir sobre os números presentes naquele documento, muito por conta do ciclo competitivo carregado pelo qual a equipa atravessava no momento da divulgação. Contudo, terminado que está esse ciclo, está na hora de olhar para os milhões que lá vão.

Primeiro ponto: no geral, os resultados financeiros acabam por ser, quando comparados com o período homólogo, positivos, muito por conta da extraordinária campanha na Liga dos Campeões, diga-se de passagem. Os dragões apresentaram um saldo positivo de 7.5 milhões de euros e diminuíram o défice presente no capital próprio, em cerca de 6.7 milhões.

Agora, para os adeptos mais concentrados com o que se passa dentro das quatro linhas (incluo-me nesse lote), este documento servirá, essencialmente, para analisar entradas e saídas no plantel e respetivos custos.

Começando pelas saídas: em transações relativas a vendas de jogadores, o FC Porto amealhou algo a rondar os 6.4M€. Algo surpreendente para quem acompanha o clube há algum tempo: os muitos milhões recebidos por transferências de jogadores costumavam ser a imagem de marca deste FC Porto. Ressalto, todavia, que o facto desse número ter reduzido drasticamente não é, de todo, um aspeto negativo, a meu ver. Ou ficamos com o dinheiro ou ficamos com os atletas. Acho que a opção “ficar com os atletas” foi, efetivamente, a mais acertada e coerente.

Mas, e relativamente a esses 6.4 milhões, o que temos de concreto? Bom, temos 2.6 M€ por Gonçalo Paciência, 1.2 M€ por Miguel Layún e algo muito semelhante por João Carlos Teixeira. Valores baixos por jogadores que dificilmente vestiriam a camisola do FC Porto muitas vezes. Não há muito a discutir.

O FC Porto optou por não vender os jogadores mais importantes do plantel, como Brahimi e Marega
Fonte: FC Porto

No que toca a reforços, os cofres azuis e brancos ficaram, no total, com menos 28.9M€, repartidos entre comissões e passes de atletas. 8.5M€ por Éder Militão, 6.2M€ em Mbemba e, fechando o pódio, 4.1M€ pelos 30% de direitos que o Vitória SC possuía em relação a Moussa Marega. Nestas três contratações, não tenho nada a apontar, honestamente. Poderão, no entanto, ser discutíveis a meia dúzia de milhões empregues em Mbemba mas, tendo em conta que Pepe ainda não era dragão àquela data, considero uma contratação dentro dos parâmetros do razoável.

Contudo, não só de contratações dentro dos parâmetros se ilustraram as folhas do relatório. Chegou à altura de falar do inacreditável: 7M€ por passes incompletos de Osorio, Ewerton e Paulinho. A situação de todos esses jogadores, atualmente, acaba por clarificar o seu verdadeiro valor. Dois deles regressaram a Portimão (entretanto, Ewerton já rumou ao Japão) e o outro seguiu para Guimarães. Corrijam-me se estiver errado, mas os 7M€ que, no total, foram necessários para contratar estes três jogadores, que somaram (juntos) 200 minutos a vestir de azul e branco, não poderiam ser utilizados na aquisição de um reforço, no sentido literal da palavra?

Não é necessário uma licenciatura em gestão para saber que, se queremos comprar algo bom, é necessário poupar. Esse valor, por pouco, não daria para cobrir um segundo Militão. Este número poderia cobrir uma ou duas renovações de jogadores fundamentais no nosso plantel. Estes milhões poderiam salvaguardar o clube de saídas a custo zero, no fim da época. O ponto é: os negócios baratos continuam a sair caro aos cofres do FC Porto; negócios esses que insistem em permanecer ligados ao clube, comprometendo, na minha opinião, o ataque ao mercado e a saudável gestão do clube.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

José Mário Fernandes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Benfica

2 anjos e 2 diabos convertidos | Benfica

O mundo não é transparente, preto e branco ou qualquer outra singularidade imutável. Como diria Bruno Nogueira no Último a Sair, "O mundo é bué cenas". E, fazendo uso da expressão, é a evolução, a mutação e o desenvolvimento dessas cenas o motor para a passagem dos dias não ser apenas isso. A sucessão de acontecimentos do Benfica funciona desta maneira. Nos últimos anos, sucederam-se treinadores, mudanças estruturais e conjunturais e mercados de transferência que, na sua sequência, levaram a que, ao dia de hoje, Andreas Schjelerup e Gianluca Prestianni sejam os grandes dínamos do futebol encarnado. Quando foram contratados, o norueguês em janeiro de 2023, o argentino um ano depois, não era propriamente surpreendente vislumbrar na dupla criativa o futuro das águias. Os meses - mesmo anos - seguintes deixaram algumas dúvidas e hesitações sobre o assunto, quase sempre mais pertinentes pela qualidade da aposta do que pela qualidade dos intérpretes, mas 2026 tem ajudado nos esclarecimentos. Já não é só o futuro que passa pela dupla criativa. O presente também o é. 

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.