fc porto cabeçalhoAntónio Luís Alves Ribeiro Oliveira, atualmente com 65 anos de idade, ficará para sempre ligado à história do FC Porto como o obreiro do tri e do tetracampeonato. Foram 97 os jogos dos azuis em brancos, entre 1996 e 1998, que contaram com o penafidelense no banco de suplentes. Oliveira herdou o legado de Bobby Robson e, verdade seja dita, poucos eram os riscos de que algo viesse a correr mal.

Estávamos no verão de 1996 e António Oliveira acabara de conduzir a seleção portuguesa aos quartos-de-final do Campeonato Europeu de Futebol (sim, aquele que terminou com um milimétrico “chapéu” de Karel Poborsky a Vítor Baía). A campanha havia sido positiva, o FC Porto procurava um treinador e, como tal, o destino parecia estar traçado: António Oliveira viria a sentar-se no banco dos azuis e brancos nas duas temporadas seguintes. O objetivo era claro e inequívoco: manter o clube na senda de vitórias e de conquista de títulos.

O FC Porto tinha, à data, um problema na baliza apelidado como “o fantasma de Vítor Baía”. E Oliveira sofreu com isso. Nos seus anos à frente do FC Porto passaram pelo clube nomes como os de Andrzej Wozniak, Lars Eriksson, Silvino, Hilário, Rui Correia ou Costinha. Todos tinham algo em comum: a incapacidade de fazer esquecer Vítor Baía! Ainda assim, o FC Porto sobreviveu. Com planteis ricos, com futebolistas como João Pinto, Secretário, Aloísio, Jorge Costa, Rui Jorge, Paulinho Santos, Doriva, Rui Barros, Edmilson, Zahovic, Sérgio Conceição, Capucho, Drulovic, Domingos Paciência, Jardel ou Mielcarski, o mais difícil parecia mesmo ser não vencer.

Utilizando invariavelmente o 4-3-3 como estrutura preferencial, Oliveira até acabaria por conquistar duas Ligas Portuguesas, uma Taça de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira com relativa facilidade. Porém o seu percurso foi sempre marcado por algumas polémicas e opções técnicas duvidosas. Assim sendo, pese embora os títulos conquistados, sempre pairou no ar uma onda de contestação relativamente a António Oliveira que acabaria por culminar com a sua saída do clube no final da época 1997/98.

Fonte: Blog “campeões 1980
António Oliveira conquistou títulos mas nunca evitou a contestação
Fonte: Blog “campeões 1980

Atualmente detentor de 7,34% da SAD do FC Porto, António Oliveira foi substituído no comando técnico do clube por Fernando Santos, o “Engenheiro do Penta”. Daí em diante o seu percurso é conhecido por (quase) todos e, enquanto treinador, sucesso foi palavra que nunca mais viria a constar no seu dicionário. Assim, a sua carreira técnica acabou por conhecer os pontos mais altos precisamente entre os anos de 1996 e de 1998, ou seja, na sua primeira passagem pela seleção portuguesa de futebol e ao serviço do FC Porto. Embora muito contestado, não se pode esquecer aquilo que foi António Oliveira enquanto futebolista (seguramente um dos melhores da história dos azuis e brancos) e, acima de tudo, a ligação que sempre existiu entre Oliveira e o FC Porto, seu clube do coração.

Anúncio Publicitário

Em 2010 Nuno Farinha escreveu, no jornal “Record”, que o seu percurso de treinador “fez jus ao espírito rebelde e inquieto com que a comunidade da bola sempre olhou para Oliveira. Começou de forma precoce (aos 27 anos!) e teve um final a condizer. A recusa em voltar a sentar-se nos bancos não quer dizer, contudo, que tenha morrido para o futebol. Muito longe disso.”

Haverá melhor forma de descrever António Oliveira?

 

Foto de Capa: fcportojornaisoficial.altervista.org

artigo revisto por:Ana Ferreira