É engraçado fazer-se de uma antítese o título de um artigo. Faço-o, porque da mesma maneira que, em teoria, um substituto não pode fazer parte do onze titular de uma equipa de futebol, também fica difícil de acreditar que um treinador possa dar protagonismo a um mesmo jogador quer a equipa precise de defender, quer a equipa precise de atacar.

Há um jogador técnica e taticamente muito forte que, em condições normais “calça fácil” no onze do FC Porto: Otávio. Mostrou-o na época passada de forma mais efetiva e já começou a mostrá-lo nesta pré-época.

O protagonismo de Otávio, contudo, não se esgota nas suas principais características: jogador de desequilíbrio e de último passe (sem ser extremo, nem médio ofensivo). Se há casos em que um jogador sem posição definida se vê prejudicado (Rúben Amorim ou César Peixoto são bons exemplos do passado), parece-me que Otávio e Sérgio Conceição só têm a ganhar com essa versatilidade tática da futura opção de Fernando Santos (confesso que não resisti a fazer esta projeção).

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Passo a explicar a minha teoria:

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É certo que o FC Porto vai arrancar a maioria dos seus jogos com uma linha de 4 na defesa mas, daí para a frente, os já quatro anos de trabalho do timoneiro portista colocam dúvidas aos adversários. Depois de uma difícil vitória na Madeira na época passada, Sérgio Conceição disse que “um treinador tem de entender o que o jogo está a pedir”. Concordo e digo mais: esteja o jogo do FC Porto como estiver, pede sempre Otávio.

Partindo do princípio de que o 4-4-2 será o sistema em que o FC Porto vai jogar mais tempo ao longo da época, com Taremi e Toni Martinez na frente, Grujic e Uribe no duplo-pivot do meio campo, Luís Díaz a partir da esquerda e Otávio a partir da direita (Corona está destinado a sair), pensem no seguinte:

O que faz sentido se o FC Porto precisar de atacar? Eu diria recuar Otávio para o lado de Uribe, e trocar Grujic por um avançado.

O que faz sentido se o FC Porto precisar de defender? Eu diria recuar Otávio para junto de Uribe e Grujic e trocar um ponta-de-lança por um extremo.

Posta esta reflexão… Creio que fica claro que Otávio, tendo mais ou menos influência indireta no jogo (com golos ou assistências), terá sempre influência direta no jogo (alterando, com o seu posicionamento, a forma de jogar da equipa). Não me enganei. Creio que a segunda hipótese é mais importante e que essa é que é a real influência de um jogador.

Isto para dizer que creio que, sem nunca ser substituído, Otávio estará constantemente a substituir durante os jogos do FC Porto: substituir um avançado que saia se for preciso posse de bola ou substituir um médio defensivo que sai porque é preciso criatividade, transporte e último passe mais cedo.

Creio que Otávio seja o substituto que não sai do onze.

Artigo por: José Machado

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