Pronúncia do Norte

Foi com quatro alterações no onze inicial em relalção ao jogo com o Lille que o FC Porto se apresentou na Mata Real, reduto do Paços de Ferreira, para disputar a segunda jornada do campeonato. Depois de surpreender ao deixar Danilo e Quaresma de fora da convocatória, Lopetegui surpreendeu ainda mais ao lançar Evandro e Adrián de início, deixando Brahimi, Óliver e Herrera – titulares nos primeiros dois encontros oficiais – no banco de suplentes.

Durante o primeiro tempo, o FC Porto não mostrou grande intensidade e esteve longe de praticar o futebol fluido e dinâmico que já lhe vimos na presente temporada. Apesar de ter muito mais bola do que o adversário (terminou com 70% de posse bola – é já uma imagem de marca), o FC Porto denotou sempre falta de mobilidade no meio-campo – foi quase sempre incapaz de fazer face à densidade de camisolas amarelas na zona central – e optou demasiadas vezes pelo jogo directo para tentar chegar à área pacense (principalmente através de Maicon e Casemiro). Embora controlando sempre as incidências da partida – nunca permitiram ao adversário causar perigo – os dragões raramente importunaram Defendi, o guarda-redes da casa.

A única verdadeira ocasião criada pelos azuis e brancos em toda a primeira parte deu em… golo: Alex Sandro lançou longo para Quintero, isolado sobre a direita, e o colombiano cruzou milimetricamente para o pé do compatriota Jackson Martínez, que só teve de encostar para o fundo das redes. O número 10 dos dragões, entrado aos 18 minutos para o lugar do lesionado Tello, revelou algumas dificuldades a jogar encostado à faixa (hoje teve pouco espaço para encontrar espaços no meio-campo adversário), mas soltou o seu génio nesse lance e ajudou a decidir a partida.

Depois de entradas fulgurantes contra Marítimo e Lille, Tello lesionou-se no primeiro jogo a titular  Fonte: Zero Zero
Depois de entradas fulgurantes contra Marítimo e Lille, Tello lesionou-se no primeiro jogo a titular
Fonte: Zero Zero

No segundo tempo, o Paços de Ferreira subiu as linhas, aumentou os índices de agressividade, passou a ter outro critério na saída para o ataque e conseguiu equilibrar o jogo. Com efeito, as principais ocasiões de golo, surgidas no primeiro quarto de hora, até pertenceram aos anfitriões – primeiro, na sequência de um trabalho soberbo de Minhoca sobre o lado esquerdo, Cícero antecipou-se a Alex Sandro para cabecear por cima; depois, num canto estudado, Hélder Lopes apareceu sozinho para disferir um remate a rasar o poste de Fabiano. No conjunto da capital do móvel, Michaël Seri e Sérgio Oliveira, o duplo pivot que até já vestiu de azul e branco, estiveram em destaque. Especialmente o português, pré-convocado por Paulo Bento para os primeiros compromissos da selecção nacional rumo ao Euro 2016, que foi simultaneamente maestro e carregador de piano.

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O jogo ficou partido – tanto que Lopetegui ficou rouco de tanto gritar “Juntos! Juntos!” – e só com as entradas em campo de Herrera e Óliver Torres, com instruções claras para “abafar” a primeira fase de construção do Paços, o FC Porto começou a estabilizar o seu jogo e a neutralizar as investidas do adversário. Paulo Fonseca foi inteligente e dificultou a vida ao FC Porto com estratégia que montou – investiu na contenção nos primeiros quarenta e cinco minutos e assumiu uma postura mais atrevida até ao apito final –, mas os azuis e brancos, mesmo fazendo a exibição mais pálida da época até agora, mereceram os três pontos.

Apesar de nem sempre jogarem bem (o adversário não facilitou a tarefa, a dimensão do campo não privilegiou o futebol largo do FC Porto e a ausência de alguns elementos fundamentais nos primeiros desafios notou-se), os jogadores lutaram sempre e tiveram uma postura séria e aguerrida dentro das quatro linhas. É muito importante promover a rotatividade da equipa para manter todos os jogadores motivados, mas Lopetegui tem de perceber que é igualmente muito importante criar rotinas, o que não se consegue alterando abruptamente o onze de jornada para jornada.

Esperava-se muito mais de Adrián López, o reforço mais caro da época  Fonte: Zero Zero
Esperava-se muito mais de Adrián López, o reforço mais caro da época
Fonte: Zero Zero

A Figura

Jackson Martínez – à semelhança do que sucedeu contra o Lille, marcou na única oportunidade que teve para o fazer – é isso que define os grandes pontas-de-lança. Mais do que isso, trabalhou muito para a equipa, tanto do ponto de vista ofensivo (conquistando muitas bolas no ar e oferecendo apoios na construção pelo chão) como do ponto de vista defensivo (sempre disponível para correr atrás do portador da bola). Com a braçadeira no braço, voltou a deixar claro o compromisso que assumiu com o clube e com o grupo.

O Fora-de-Jogo

Adrián López – na sua estreia oficial com a camisola azul e branca, voltou a deixar indicações muito pouco positivas. Revelou apatia, conformismo e falta de confiança; decidiu demasiadas vezes mal; mal se viu. Não é, definitivamente, isto que os adeptos portistas esperam de um reforço de 11 milhões de euros. Teve uma oportunidade e desperdiçou-a. Veremos quando volta ao onze…