Pronúncia do Norte

As declarações de Paulo Fonseca antes e depois do desafio diante do Eintracht Frankfurt para a Liga Europa, trocando o nome da equipa adversária, são o espelho da confusão que vai na cabeça do treinador azul e branco. Na antevisão do jogo, disse que o FC Porto ia jogar com o Borussia. Na flash interview depois do inesperado empate, teceu considerações sobre o Bayer(n) e garantiu que a equipa ia ganhar a Leverkusen. Evidentemente, estas palavras motivaram o escárnio dos rivais e deram azo à proliferação de vídeos, memes e anedotas sobre o sucedido nas redes sociais.

O FC Porto continua longe de praticar um futebol agradável, continua a evidenciar a ausência de um fio de jogo, continua a alternar bons e maus momentos ao longo dos noventa minutos, continua sem conseguir fazer dois ou três jogos consecutivos de grande nível, continua a revelar fragilidades inconcebíveis do ponto de vista anímico, continua a permitir recuperações no marcador ao adversário, continua sem ganhar em casa nas competições europeias, continua distante da liderança do campeonato, continua a milhas do que se lhe exige. Se há predicados que caracterizavam o FC Porto das últimas épocas, essas eram a força mental, a consistência e a dinâmica de vitórias. Infelizmente para os adeptos do Dragão, a equipa, hoje, não evidencia nada disso.

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A campanha europeia deste ano foi das piores da história do FC Porto
Fonte: JN

O desnorte da equipa é o reflexo do desnorte do seu treinador. Paulo Fonseca fez um percurso notável nas divisões inferiores até chegar ao Paços de Ferreira e, depois de alcançar uma fantástica qualificação para a Liga dos Campeões na capital do móvel na sua época de estreia no primeiro escalão, parecia ter todas as condições para chegar ao Porto e oferecer um upgrade a uma equipa bi-campeã. No entanto, desde muito cedo se percebeu que a equipa iria pagar o preço da sua inexperiência e imaturidade: nunca mostrou ter mão no balneário, nunca demonstrou convencer os jogadores de que as suas ideias eram as melhores para a equipa – nomeadamente no que diz respeito à reformulação do meio-campo que tentou implementar –, nunca foi capaz de estabelecer um onze-base que desse garantias durante vários jogos seguidos, nunca manteve um discurso realista e humilde – pelo contrário, mostrou-se demasiado arrogante, mesmo sem ter motivos para o ser em algumas circunstâncias – e nunca conseguiu esconder o nervosismo a partir do banco.

A qualidade de jogo tem sido fraca, os resultados têm sido fracos e a liderança de Paulo Fonseca vai-se enfraquecendo à medida que o tempo passa. O jogo de amanhã, frente ao Estoril, e o de Quinta-Feira, frente ao Eintracht Frankfurt, são duas autênticas finais: o FC Porto está proibido de perder pontos no campeonato e não pode ser eliminado tão precocemente da Liga Europa. Os próximos dias apresentam-se, por isso, fundamentais para a definição do futuro de Paulo Fonseca. Mesmo com “uma confiança cega” num bom final de temporada, um mau resultado pode representar o fim do seu tempo ao leme do FC Porto.

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