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Qualquer equipa pode ocupar dois terços de um campo de futebol. O problema está em conseguir usá-los para alcançar o último.

O jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Vitória de Guimarães mostrou algo que já se tinha percebido há muito tempo: ou o Porto melhora o seu modelo de posse de bola e alcança mais vezes a área adversária ou começa a preparar um plano B. José Maria Pedroto dizia que ao futebol português faltavam 30 metros de profundidade. Tinha toda a razão. Temos um treinador espanhol, vários jogadores estrangeiros recém-contratados (e de grande qualidade) que não sabem o que é o futebol português, e, no entanto, o Porto consegue evidenciar essa miopia revelada pelo Mestre Pedroto. O Vitória pressionou bem, fechou muitos espaços, soube povoar o meio-campo e mostrou como o Porto não só é lento a progredir como também é carente de ideias. A grande fragilidade da equipa de Guimarães – a meu ver – foi apenas uma: transições defensivas. Aquele momento em que perdiam a bola, principalmente no meio-campo, e tinham de se posicionar para começar a defender e recuperar outra vez a bola. Rápidos a avançar mas lentos a recuar nesse momento de jogo, a mostrarem lacunas que podiam ser bem exploradas por um Porto que não aquele obsessivo pela posse e pela progressão no pé em vez de no espaço. O jogo terminou e disse logo que aquilo era a lição de que precisávamos para começar a trabalhar um plano B. Não é mudar o modelo vigente, atenção! O plano B é usado quando o A falha. Em Guimarães foi exactamente isso que aconteceu. A lição, imagino, deve ter sido estudada, pois três dias depois ganhámos a um modesto BATE Borisov por uns convincentes 6-0.

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Vitória de Guimarães deu a lição que o Porto precisava
Fonte: maisfutebol.iol.pt

Em noite de Champions, o que vimos no Dragão foi um belo festival de futebol ofensivo. Porquê? Porque a mentalidade também mudou! Finalmente houve um Porto de progressões rápidas, a aproveitar a velocidade do Brahimi e as rupturas do Herrera, e com o próprio Adrián López a dar um apoio ao Jackson como nunca se viu. O problema é que não estamos habituados a essas transições mais rápidas, e notou-se isso nas incursões do BATE mal perdíamos a bola. Mas, como tudo, isso trabalha-se. Agora, o que é realmente um crime é ter jogadores de elevada qualidade técnica e velocidade e não os utilizar para os “contrapés” dos adversários. Com a qualidade de passe de Óliver e Herrera, a velocidade de Tello, Brahimi, Adrián, Quaresma ou até mesmo Ricardo, e o posicionamento soberano de Jackson, como é que é possível que este Porto ainda não tenha posto em prática um plano B? Eu até ajudo a dar o nome: chamem-lhe o plano Bóóóra!

Finalizo com quatro notas. 1- Quaresma está muito mais jogador de equipa e isso nota-se até na defesa. Esta pré-disposição do Harry Potter mostra que tem a cabeça e o coração no sítio certo e que pode ser ainda mais importante para o Porto em sectores do terreno que nem nós imaginávamos. 2- O jogo no Dragão teve um espectáculo muito especial chamado Brahimi. Eu disse que ele ia marcar mais golos de livre (não fui o único, com certeza). De lembrar que só está cá (por “cá” entenda-se “Porto” ou “futebol português”, como quiserem) por causa dos fundos. 3- Adrián López não tem mostrado muito mas já se percebeu que não inventa, é experiente e super-rápido a decidir. De certa forma, acho que acabei de dar a receita básica para qualquer bom finalizador. 4- Desde que começou a temporada temos sete jogos disputados, seis vitórias, um empate, 16 golos marcados e apenas um sofrido… de penalty. Se isto não é um Porto com um potencial brutal não sei o que será.

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