a minha eternidade

No estádio 25 de Abril, o Futebol Clube do Porto venceu o visitado Penafiel por 1-3. Os portuenses reduziram, à condição, a desvantagem para o primeiro classificado Benfica, que joga fora, frente ao Marítimo, no estádio dos Barreiros. Os azuis e brancos iniciaram a partida com a sua estrutura mais usual – o 4x3x3 –, actuando Fabiano na baliza, com Danilo, Maicon, Martins Indi e Alex Sandro a compor o quarteto defensivo, sendo que, no meio-campo, Casemiro esteve mais recuado como pivot, Óliver e Herrera mais à frente como médios interiores, jogando no tridente ofensivo Quaresma, Tello e Jackson.

Numa noite excessivamente fria, em que a chuva não cessou, o relvado ressentiu-se, ficando empapado e pouco praticável, e, com isso, dificultando a beleza e qualidade do jogo. O Penafiel entrou acutilante, com boas envolvências ofensivas e conseguiu dividir o encontro. Os portistas sentiram algumas dificuldades nos primeiros trinta minutos, sem conseguirem articulações perigosas, que constituíssem perigo para a baliza penafidelense, defendida pelo estreante Tiago Rocha. Debelados esses perros 30 minutos, o Porto foi capaz de desbloquear o nulo no marcador, adiantando-se por intermédio de Herrera. É relevante dissecar a jogada desse golo inaugural, onde o Porto empreendeu uma nuance posicional que confundiu a equipa da casa. Com nove jogadores no seu meio campo ofensivo, tendo os laterais recuados e abertos, o recuo de Óliver para o seu meio-campo permitiu a subida de Casemiro para uma troca de posição inesperada. Os dois extremos encontravam-se junto à linha e dividiam a atenção dos defesas contrários. Jackson baixou, recebendo o passe de Danilo, e viu a entrada do médio brasileiro que rematou para Herrera encostar junto às redes. Uma jogada brilhante, com o ponta-de-lança a criar o espaço vazio, para os médios entrarem de rompante nessa zona abandonada, ferindo, em forma de “pinça”, a baliza adversária. De ressalvar aqui a troca posicional do médio espanhol com o brasileiro, que prejudicou os posicionamentos contrários.

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O Porto tem estado a evoluir positivamente, melhorando o seu jogo interior
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

O Penafiel sentiu muito o golpe, tendo sofrido o segundo golo minutos depois, com Jackson a aparecer sem qualquer marcação para finalizar uma assistência de Óliver. De salientar a agressividade destes últimos 15 minutos na procura do golo pelo Porto, que introduziu muitos homens no interior da área na procura do golo. Inúmeras vezes se viram quatro, cinco e, às vezes, mais jogadores em zona perigosa para os oponentes, procurando tentos.

O Penafiel entrou melhor depois do intervalo, subindo linhas, pressionando o Porto mais alto, tendo ganho muitos ressaltos e segundas bolas, conseguindo dividir então a partida com os Dragões. Os da casa reentraram na discussão do jogo quando Rabiola reduziu para 1-2, num lance em que a defesa portista não consegue aliviar o perigo com um chuto longo.

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O golo galvanizou o Penafiel, que jogou com mais confiança, instalando-se durante dez minutos no meio-campo portista, forçando o empate. Foi o capitão Jackson a “criar do nada” uma jogada que inverteu novamente o estado mental das equipas em campo. Conseguiu libertar-se de dois oponentes com um movimento técnico primoroso e cruzar para Casemiro ao segundo poste, que, à segunda tentativa, conseguiu desviar a bola do caminho de Tiago Rocha, assistindo Óliver, que, junto da linha de golo, só teve de tocar para dentro.

Olhando para as substituições, pouco depois do intervalo, e logo a seguir ao golo, saiu Ricardo Quaresma para entrar o defesa central Marcano – uma substituição que alterou a estrutura táctica de 4x3x3 para 5x3x2. Foi uma má cartada do treinador espanhol do Porto, dado que a equipa recuou algo e a defesa não melhorou. Por outro lado, foi dada nova oportunidade a Evandro, que rendeu Casemiro (já amarelado), sendo que Jackson saiu para a coroação, dando o seu lugar ao espanhol Adrián, nos minutos finais.

 

A Figura

Jackson Martínez: Prestação sublime do capitão portista. Baixou para jogar brilhantemente em apoios, ora temporizando, ora assistindo os colegas que entravam no espaço vazio nas suas costas. Finalizou dentro de área, rematou fora dela. Procurou algumas vezes a linha para cruzar, como vimos no terceiro golo. Este mago colombiano não se queixou das condições da relva – para ele, estavam excelentes.

O Fora-de-Jogo

Ricardo Quaresma: Foi colocado literalmente fora de jogo na segunda parte. Não fez um primeiro tempo exuberante mas também não destoou. Não tem sido inferior ao seu concorrente espanhol Tello, mas é notório que ainda não conquistou totalmente o treinador Lopetegui. A sua saída de campo foi despropositada e o Porto demorou a ajustar posicionamentos.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto