Há jogadores que simplesmente te marcam! Seja por marcar muitos golos, fazer muitas assistências, defender bem, ter qualidade de passe, fica a critério de cada adepto o porquê de gostar ou não de um certo jogador. No meu caso, Diego Ribas da Cunha foi o primeiro jogador de futebol que aprendi a admirar. Não por ser o mais rápido nem o melhor, mas simplesmente pela forma como jogava e por ter chegado ao meu clube do coração ainda jovem e com um pesado legado nas suas costas, o de Deco. Mas já lá vamos.

A carreira profissional de Diego iniciou-se com apenas 16 anos, no Santos FC, numa altura em que se privilegiava os produtos da formação. Diego e Robinho eram os jovens de maior destaque e, juntos, formaram uma dupla temível conduzindo a equipa brasileira à conquista de um título histórico que lhes escapava há 17 anos: o campeonato brasileiro. Com apenas 19 anos Diego já era capitão de equipa, era presença assídua na seleção brasileira e, ao longo das duas épocas com o emblema do Santos FC, marcou 35 golos.

Diego mostrou ser um diamante por lapidar e os grandes tubarões europeus rapidamente demonstraram interesse. Foi o FC Porto, na altura os campeões europeus, que asseguraram a contratação do médio talentoso. Quando Diego chegou ao Dragão o objetivo da sua contratação era claro! Diego vinha para ser o sucessor do mágico Deco e a sua missão era a de ser o novo maestro dos azuis e brancos. Os dragões tinham perdido algumas das principais figuras, tais como Ricardo Carvalho, Deco e claro, José Mourinho. Diego foi a maior aposta e chegava ao Dragão como a contratação da temporada, num negócio a rondar os sete milhões. Apesar de nunca ter chegado ao nível de Deco enquanto jogava no FC Porto, Diego realizou duas épocas muito positivas nas quais conquistou uma Supertaça de Portugal, uma Taça Intercontinental, uma Liga Portuguesa e uma Taça de Portugal.

Em 2006 Diego rumava ao campeonato germânico para representar o SV Werder Bremen saindo por uma modesta verba de seis milhões de euros. Nesta sua primeira passagem pela Alemanha Diego viveu três anos mágicos e os três melhores anos da carreira. Protagonista de lances geniais e exibições de sonho, Diego foi eleito logo na época de estreia como o melhor jogador do campeonato, na temporada 2006/07. Ao serviço do SV Werder Bremen conquistou uma Taça da Liga Alemã, um vice-campeonato da Bundesliga e conduziu a sua equipa a uma histórica final europeia na Taça UEFA, onde marcou seis golos em oito jogos. Ainda no seu jogo de despedida, Diego arrecadou mais um troféu ao vencer o Bayer 04 Leverkusen na final da Taça da Alemanha, despedindo-se em grande estilo ao fazer a assistência para golo.

As excelentes épocas realizadas por Diego não passavam despercebidas a ninguém e o destino do craque brasileiro passava agora pelo gigante italiano, Juventus FC, que desembolsou uns incríveis 24,5 milhões de euros para contar com os serviços do médio-sensação. Ao serviço dos italianos Diego teve um início de época fulgurante e avassalador, contribuindo com várias assistências e golos em poucos jogos. No entanto, uma pequena lesão que o afastou durante duas semanas fez com que Diego perdesse espaço e, ao entrar para a época seguinte, o médio viria mesmo a ser vendido pois não encaixava no sistema tático do novo treinador, Luigi Del Neri (esse mesmo).

De regresso à Alemanha, desta vez para representar o VfL Wolfsburg, Diego viveu um período de altos e baixos e a sua segunda vida no campeonato alemão não foi tão brilhante como a primeira. No VfL Wolfsburg Diego foi disciplinado pelo clube e consequentemente emprestado ao Atlético de Madrid, onde foi campeão da Liga Europa, o que lhe valeu o regresso aos germânicos. Foram épocas irregulares na carreira do jogador, mas que ainda assim lhe valeram um registo interessante de 24 golos em 87 jogos enquanto jogador do VfL Wolfsburg.

Os melhores anos da carreira de Diego foram no campeonato alemão ao serviço do SV Werder Bremen e VfL Wolfsburg, onde marcou 79 golos no total
Fonte: VfL Wolfsburg

Com 30 anos, Diego via-se pela primeira vez perdido no tempo e foi no campeonato turco, ao serviço do Fenerbahçe FK, que procurou relançar a carreira. Longe dos seus anos de glória, Diego realizou um campeonato razoável com exibições discretas nas duas épocas que realizou ao serviço do clube.

Hoje em dia, com 33 anos, Diego está de volta ao Brasil para representar o CR Flamengo, depois de 12 anos a jogar em campeonatos europeus. Quando muitos pensavam que Diego estaria acabado, eis que o jogador surpreende tudo e todos assumindo-se como um dos jogadores de maior destaque não só na sua equipa, como também em todo o campeonato brasileiro. Diego veio acrescentar qualidade ao CR Flamengo e a sua influência é visível acumulando 26 golos em 83 jogos pelo caminho.

A carreira de Diego, apesar de ter vários altos e baixos, não deixa de ser bastante interessante e positiva. O brasileiro amealhou, ao longo de várias épocas, títulos nacionais e internacionais um pouco por todo o mundo. Para mim não restam dúvidas que, se não tivesse passado por alguns momentos de inconsistência na carreira, Diego tinha tudo para ser o tão prometido sucessor de Deco e um dos melhores maestros dos tempos modernos. Uma carreira bastante interessante mas fica a sensação que, face ao potencial de Diego, podia ter chegado muito mais longe.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do grande Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.                                                                                                                                                 O Nélson escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.