Uma verdadeira máquina de fazer golos aquela que aterrava no Porto, em janeiro de 2012, pronta a ajudar uma equipa que suspirava por um finalizador, quando, na altura, as despesas do ataque estavam entregues a… Kléber. A inoperância do brasileiro, de resto, obrigava ao desvio de Hulk para o centro em vários momentos. Falcão tinha sido vendido no início da época – a primeira de Vítor Pereira ao comando dos dragões como técnico principal – e a opção que restava chamava-se… Walter.

O mercado de inverno trouxe, então, ao FC Porto, duas opções aparentemente bastante credíveis e que poderiam, senão resolver grande parte dos problemas, pelo menos disfarça-los. A revalidação do título estava ameaçada por esta altura. Se Lucho González era um nome bem conhecido e amado dos adeptos, Marc Janko aparecia como um perfeito desconhecido. O registo de golos que trazia da Áustria e da Holanda, por onde passara antes de chegar Dragão, contudo, merecia pelo menos o benefício da dúvida.

Longe de ser um portento técnico, Janko era, de facto, aquilo de que os dragões precisavam na altura: alguém que pudesse dar o melhor seguimento ao imenso volume de jogo que os azuis e brancos produziam sem que dele retirassem efeitos práticos. A primeira aparição fez-se na Taça da Liga, com uma vitória por 2-0 na receção ao Vitória FC. Quem seriam, então, os marcadores? Pois, claro. Lucho abriu a contagem com um golo monumental e Janko fechou a vitória com uma finalização simples, à ponta de lança, a encostar um belo desenho atacante. O faro pelo golo e a movimentação dentro da grande área eram os primeiros sinais que o austríaco tinha para mostrar às bancadas do Dragão.

Nos primeiros três jogos, de resto, apontou de uma assentada o mesmo número de golos e a aposta estava, de facto, ganha. Dos 12 jogos em que participou até ao final da época, o FC Porto venceu nove, empatou dois e perdeu apenas um, já para a Taça da Liga.

Nascido para o futebol nos austríacos do Admira Wacker, onde realizou 13 jogos e apontou dois golos, Janko rapidamente chamou a atenção do Red Bull Salzburg e por lá se manteve durante cinco épocas. E os números impressionam: 126 jogos e 83 golos marcados. O destaque levou-o até à Holanda, para ingressar no FC Twente e a veia goleadora manteve-se: 70 jogos e 35 golos, em época e meia. Seguiu-se meio ano no Dragão, com cinco golos apontados em 12 partidas. Viajou depois para a Turquia, onde esteve dois anos a representar o Trabzonspor. Aí, a adaptação falhou e apenas apontou 4 golos em 30 jogos.

De seguida fez uma escala de um ano no Sydney FC (16 golos em 24 jogos) antes de rumar à Suíça para mais dois anos de muitos golos. Foram 35 em 66 jogos. Atualmente representa o Lugano, também da Suiça, mas os 35 anos parecem começa a pesar. Em época e meia apenas dois golos em 18 jogos.

Ao todo, foram 359 jogos e um total de 181 golos, que ajudaram a conquistar títulos por todos os clubes por onde passou, dos quais se destaca, claramente, o campeonato português de 2012.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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