Este fim de semana ficou, naturalmente, marcado pelo ato eleitoral que se sucedeu no universo do FC Porto, já que os sócios portistas se deslocaram até ao “Dragão Arena”, casa das modalidades do clube, para decidir o novo presidente do emblema azul e branco.

Foi um ato histórico por duas razões: por um lado, foi a primeira vez que Pinto da Costa, na sua era, enfrentou mais do que um concorrente ao cargo máximo de poder do  clube nortenho; por outro lado, realizou-se um ato eleitoral histórico, pois foram as mais concorridas do século, com 8480 participantes a quererem dar o seu aval para o futuro do FC Porto. Sendo assim, muitas figuras conhecidas do grande público passaram, nestes dois dias, junto ao Estádio do Dragão e falamos como é claro de pessoas como André Villas- Boas, Pedro Marques Lopes, João Rafael Koehler, que a dado momento foi apontado como possível candidato, Reinaldo Teles, Vítor Baía, Rui Barros, entre outras inúmeras figuras associadas à história do atual líder da liga portuguesa.

Desta vez, tivemos algo diferente do que é costume, já que José Fernando Rio, advogado, e Nuno Lobo, empresário, vieram trazer outra vivacidade a este momento solene, isto é, vieram trazer a público a voz da oposição e das demais críticas que foram efetuadas aos últimos 4 anos de gestão do, então, “eterno” presidente Pinto da Costa. Não é mentira nenhuma considerar que foi, a nível de futebol, dos mandatos mais pobres, pois só conseguiu obter para o museu do FC Porto um campeonato, o que é manifestamente pouco para o que já nos habituou. No entanto, os aspetos negativos não ficaram só por aqui, já que as contas da SAD estão piores a cada ano que passa, e isso fez surgir uma voz de insatisfação como há muito já não se via no seio portista. Assim, a campanha eleitoral passou muito pelos dois opositores a questionarem e a escrutinarem algumas das decisões tomadas pela direção atual, assim como alertar para a falta de visão e de poder que se nota no FC Porto e que faz ou devia provocar preocupação em cada simpatizante azul e branco. Por sua vez, Pinto da Costa aproveitou os seus períodos de antena para tentar descredibilizar as listas opostas, afirmando diversas vezes que só continua a lutar pela presidência, porque não observa segurança nem quaisquer garantias de sucesso dos programas apresentados pelos outros candidatos. Além disso, também pretende iniciar e concluir o seu grande projeto, a “Cidade FC Porto”, no qual já informou que o plano já está definido e só não se iniciou mais cedo porque quis esperar pelas eleições.

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A votação por cada mesa de voto foi a seguinte: Na mesa 1, a Lista A obteve 70.7%, já a Lista B 3,1% e a Lista C angariou 22,8% dos votos. Em relação à mesa 4, a Lista A ficou-se pelos 59.6%, a Lista B não conseguiu mais do que 5.2%, por seu turno a Lista C registou 24.4%. Na última mesa, a 8, a Lista A venceu mais uma vez com 67.6%, com a Lista B a não ultrapassar os 4.2% e a Lista C ficar-se pelos 20.7%. De referir, que a Lista A é a encabeçada por Pinto da Costa, por sua vez a Lista B por Nuno Lobo e a Lista C por José Fernando Rio. A votação sobre as restantes mesas, à data da edição deste artigo, ainda não tinham sido anunciadas.

Em relação ao Conselho Superior, venceu a Lista A, com 64,96% dos votos, ficando pelo segundo lugar a Lista D, liderada por Miguel Brás da Cunha e direcionada unicamente para esta seccção do escrutínio, que registou 16,12%, seguindo-se a Lista C com 15,04% e a Lista B contabilizou a soma de 3,88%. Com estes resultados, este órgão irá ser constituído por 14 elemento da lista vencedora, dividindo os restantes 6 elementos, por números iguais, entre a lista C e a D.

Enquanto as votações ainda decorriam, Pinto da Costa reagiu à vitória salientando estar muito satisfeito pela forma como decorreram estas eleições, afirmando que “quem levantou suspeitas da sua seriedade, teve uma resposta extraordinária”. Também não deixou de referir que estes dias vieram demonstrar a “vitalidade, ordem, respeito e interesse na vida do FC Porto”. No discurso de vitória, não deixou de agradecer a todos os sócios que confiaram no seu projeto e garantiu que fará de tudo para corresponder da melhor maneira às expectativas geradas. Não deixou de referenciar também que os seus principais objetivos passam por manter a competitividade do FC Porto, fazer crescer o clube em termos de adeptos e associados, e concretizar a sua grande bandeira, que será a construção de um centro de treinos próprio para a formação portista. O presidente realçou que a construção da sua equipa foi pensada no futuro, uma vez que procedeu a algumas alterações.

De salientar que amanhã, no Porto Canal, o vencedor destas eleições irá dar uma entrevista pelas 21 horas, para abordar os seus planos e como irá colocá-los em prática, de forma a levar o FC Porto ao maior sucesso possível.

Certamente, este será um dia que ficará marcado na história do FC Porto, porque a Lista A venceu, como era expectável, mas não venceu da forma implacável como noutros tempos. Se pedissem uma alcunha a este momento, talvez o mais adequado fosse classificar este ato eleitoral como as “eleições do aviso”, porque os portistas demonstraram que estão atentos ao que se passa e mais do que nunca estarão de olhos postos em cada passo que esta nova direção dará.

Por fim, o grande vencedor voltou a ser o mesmo de tantas outras vezes, ou seja, Jorge Nuno Pinto da Costa, que, com 68,65% dos votos, mereceu, novamente, a confiança dos associados para liderar por mais 4 anos os destinos do FC Porto. Relativamente aos seus adversários, a lista de José Fernando Rio ocupou o segundo posto com 26.44% das preferências, enquanto que Nuno Lobo terminou no último lugar com apenas 4,91% de apoio dos sócios azuis e brancos.

Artigo revisto por Joana Mendes

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