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Pólvora Seca

Bernardo Lobo Xavier · 3 min

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A poucos dias de um Clássico que muito provavelmente irá decidir o futuro campeão nacional, importa fazer algumas considerações sobre o momento de forma de um FC Porto que tem vindo a perder fulgor e que cedeu o primeiro posto da classificação após 28 jornadas na liderança.

O artigo de opinião de hoje tem como foco principal a abrupta queda de rendimento ofensivo da equipa que leva, nos últimos quatro jogos, a uma modesta média de um golo marcado por jogo e em que nenhum dos quatro golos apontados foi marcado pelos avançados.

O processo ofensivo do FC Porto nunca foi, ao longo da época, uma enciclopédia de bom futebol. A fisionomia robusta dos seus homens mais adiantados (Marega, Aboubakar ou Soares) bem como a primazia rotativa e física dos médios (Herrera e Danilo) concorrem para que, ao invés de um futebol rendilhado e de toque, seja mesmo essa potência física a característica principal do ataque azul e branco.

Estando a estratégia ofensiva do clube muito mais dependente dos índices físicos dos jogadores do que das capacidades técnicas que estes possam ter, torna-se impossível dissociar as lesões de jogadores fundamentais e a enorme quantidade de jogos realizados por um plantel curto da menos produtividade ofensiva que se tem verificado nos últimos tempos.

O cansaço físico e emocional a que o plantel tem sido sujeito tem retirado discernimento aos jogadores no momento da decisão e tem conferido ao processo ofensivo uma dose de previsibilidade que não se via numa fase mais embrionária da temporada.

O regresso à melhor forma do trio africano do FC Porto será essencial para o ataque às últimas cinco finais
Fonte: FC Porto

O momento individual de muitos jogadores também tem pesado na hora de fazer balançar as redes. Aboubakar, de quem sou um admirador confesso, não voltou com o mesmo fulgor depois da lesão e é sabido que necessita de estar estável no plano emocional para que possa render ao mais alto nível. O que se tem visto é um jogador cada vez mais ansioso e nervoso com a falta de golos e um atleta menos capaz no momento da explosão.

O mesmo se pode dizer de Tiquinho Soares. Tem menos perfume nos pés do que o camaronês mas é um jogador mais estável no plano psicológico e mais felino dentro da área. A lesão retirou-lhe alguma mobilidade e a falta de golos também começa a pesar. A estes junta-se Yacine Brahimi. Na minha opinião o jogador mais talentoso do nosso futebol, mas a quem o cansaço físico mitiga em demasia a sua performance. Quando em forma utiliza toda a sua qualidade ao serviço do coletivo mas, como é o caso, quando começa a sentir desgaste perde acutilância e exagera no momento individual do jogo.

Por fim, torna-se impossível não referir Marega. Ninguém diria que o maliano iria ganhar tamanha preponderância na equipa. Eu próprio desvalorizei, não raras vezes, a importância que este poderia vir a ter para a equipa. O que é um facto é que desde a sua lesão no Clássico com o Sporting, o FC Porto não voltou a ser o mesmo e a capacidade na procura da profundidade e das costas das defesas adversárias quase se esfumou por completo.

Aliado a tudo isto, há outros dois momentos onde o FC Porto perdeu qualidade. No pressing alto e na recuperação de bola em zonas adiantadas (fruto de uma menor frescura física) e na bola parada ofensiva (dada a ausência por lesão de Alex Telles).

Em suma, parece-me que a falta de golos nos últimos jogos tem muito mais a ver com questões de ordem física e psicológica do que com a perda de capacidade ou qualidade dos seus jogadores. Portanto, cabe à equipa técnica encontrar as melhores soluções para recuperar os jogadores física e mentalmente para que estes se apresentem de cara lavada no Estádio da Luz e para que regressem à cidade Invicta com 3 importantes pontos na bagagem.

 

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Bernardo Lobo Xavier

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