Ainda há Hipóteses!

    portosentido

    O jogo com o Zenit era de extrema importância. O Porto precisava de assegurar três pontos para cimentar o segundo lugar no grupo. Com o Atlético de Madrid a fazer o pleno, até agora, com exibições de gala, as contas estão fáceis para os espanhóis. A corrida do grupo G é entre o Porto e o Zenit. Com a derrota, em casa, com o Zenit, as contas portistas estão complicadas. Em nove pontos possíveis o Porto apenas conseguiu três, contra a equipa teoricamente mais fraca.

    Paulo Fonseca lançou dois jogadores no onze inicial portista: Licá e Herrera. No jogo da terceira jornada, Licá mostrou ser uma aposta boa, enquanto Herrera foi um desastre. Na prática, o Porto começou e acabou o jogo com um homem a menos. A expulsão aos 6 minutos de Herrera condicionou, e muito, a exibição dos homens de Paulo Fonseca. A expulsão de Herrera surge numa decisão peculiar do árbitro italiano: a primeira falta, que impede um contra-ataque perigoso, é para amarelo; tanto o jogador como os espectadores ainda devem estar a matutar sobre qual foi a razão para o segundo amarelo.

    Mesmo com dez homens, o Porto mostrou, na primeira parte, bom futebol, apoiado em intensidade e propósito. Num 4-3-3 falso, com Licá a surgir como um segundo-avançado e Josué a descer no terreno para zonas mais próxima de Lucho, Lucho foi instrumental. As transições do Porto dependeram dos movimentos e passes de Lucho; sempre apoiado por Fernando e Josue, Lucho teve a liberdade de se movimentar dentro de campo à vontade. Cada ataque passou pela batuta de El Comandante. 

    Numa primeira parte forte, é de salientar o grande desempenho de Fernando. O médio brasileiro mostrou grande classe e raça nos vários desarmes que protagonizou durante todo o encontro. Uma coisa é certa: se Lucho tem marcado o poderoso remate que fez à baliza do Zenit, o rumo do jogo teria sido bastante diferente. No entanto, não existem “ses” no futebol. Com um F.C.Porto a dominar, o Zenit foi literalmente salvo pelo intervalo.

    Hulk jogou contra a sua antiga equipa / Fonte: Reuters
    Hulk jogou contra a sua antiga equipa / Fonte: Reuters

    Na segunda parte, o jogou mudou drasticamente de figura. A equipa russa mostrou-se mais agressiva, com mais vontade e maior força no meio-campo. A dura batalha travada na primeira parte começou a pender para o lado russo, sobretudo com a ascensão de Fayzulin e Shatov. Os dois médios foram capazes de segurar o meio-campo portista e inverter a maré de posse de bola portista. Liderado pela explosão de Hulk, de regresso ao estádio do Dragão, o Zenit começou por fim a aproveitar a vantagem numérica. Dependente dos piques de Licá, e, mais tarde, de Varela, o Porto aproximou-se do final da partida a afastar bolas da grande área com balões directos aos jogadores russos.

    Luciano Spalletti mexeu bem. Ao colocar Kerzhakov, obrigou o Porto a colocar marcações fixas num homem dentro da área. A veia goleadora de Kerzhakov mostrou-se. Na primeira- e única – oportunidade que teve ao seu dispor, o russo não perdoou e com um ligeiro toque de cabeça colocou a bola no fundo das redes de Hélton.

    O Porto não está afastado da próxima fase da Liga dos Campeões. O jogo da terceira jornada mostrou que o Porto é capaz de se bater, e possivelmente vencer, o seu mais próximo adversário. Num grupo que está a ser dominado por um Atlético de Madrid demolidor, faltam três jogos ao Porto. Para garantir a passagem, o Porto não pode perder nem mais um ponto. Será curioso ver a forma como a equipa de Madrid vai gerir o último encontro. No futebol não é boa ideia fazer previsões, mas, na minha opinião, o grupo será decidido na última jornada. Vai depender do Porto roubar pontos em Madrid ou arrumar as malas e partir para a Liga Europa.

    Aqui ficam as minhas pontuações:

    F.C.Porto

    Hélton: 7/10

    Numa noite em que o maior adversário foi Hulk, o guardião brasileiro saiu vitorioso. Ficou várias vezes com as luvas a escaldar devido às bombas que Hulk tentou colocar no fundo da sua baliza. Teve um momento brilhante quando aos 56 minutos impediu o golo de Hulk, com uma defesa do outro mundo. Sem qualquer hipótese no golo do Zenit.

    Danilo: 5/10

    O Lateral brasileiro passou despercebido durante todo o jogo. Muito condicionado pelos avanços pelo flanco de Ansaldi, Danilo poucas vezes subiu no terreno para causar desequilíbrios. Seguro defensivamente conseguiu “secar” Danny, que estava numa noite má.

    Otamendi: 4/10

    Após uma primeira parte segura e sem grandes problemas – a não ser Hulk -, o central argentino desmoronou-se na segunda metade. Aos 68 minutos cometeu um erro do tamanho da Torre dos Clérigos ao deixar Hulk isolado frente a Hélton. A partir desse incidente, nunca mais pareceu confiante.

    Mangala: 6/10

    Conseguiu segurar Hulk na primeira parte, com algum esforço. Mostrou-se muito forte nas bolas aéreas e conseguiu colocar Arshavin fora do jogo do Dragão. Na segunda parte, a par de Fernado, tornou-se o porto seguro da defesa do Porto, com vários cortes determinantes que adiaram o golo russo.

    Alex Sandro: 6/10

    Dos melhores elementos na primeira parte portista, o lateral portista esteve bastante presente nas acções ofensivas pela esquerda. Muito mais atrevido do que Danilo, foi uma boa solução para quando Licá fazia os desvios para o meio. Tentou um remate com o pior pé, sem êxito.

    Fernando: 7/10

    O melhor jogador em campo do lado portista. Com várias intervenções e cortes de grande qualidade no meio-campo, foi uma grande mais-valia durante o jogo todo. O Polvo esticou, e bem, os seus oitos braços. Conseguiu impedir a maior parte das investidas russas e foi uma verdadeira parede intransponível.

    Herrera: 1/10

    Sem tempo para mostrar futebol, foi expulso numa decisão peculiar do árbrito. Primeiro amarelo claro, após entrada dura sobre Hulk.

    Lucho González: 6/10

    Foi o grande comandante da ofensiva portista na primeira-parte. Esteve em todo o lado, tanto a defender como a atacar. Teve a batuta e a equipa a jogar com e para ele. Desapareceu, exausto, na segunda parte, face ao futebol de posse do Zenit. Substituído por Ghilas no período de desespero do Porto.

    Licá: 6/10

    Grande parte da ofensiva do Porto passou pelos pés do extremo do Porto. Enquanto teve pulmão, tentou rasgar as linhas do Zenit. Conseguiu desequilibrar, durante o melhor período do Porto. Esbarrou em Smolnikov, no corredor esquerdo. Saiu para dar lugar a Varela na segunda parte.

    Josué: 5/10

    Paulo Fonseca lançou Josué na expectativa de preencher tanto a ala direita como o meio-campo. Não pôde fazer uso da sua qualidade técnica e grande passe. Muito apagado dentro do meio-campo portista. Saiu para dar lugar a Defour, no minuto 74.

    Jackson Martinez: 6/10

    O grande sacrificado da noite. Com a expulsão de Herrera, perdeu um apoio no seu jogo. Ficou perdido no meio dos centrais do Zenit. Tentou, tentou e tentou, mas não foi capaz de impor o seu jogo. Exausto, apenas conseguiu um remate digno de destaque, perto do final da partida.

    Varela: 6/10

    Entrou na segunda parte para render Licá. Conseguiu mexer no jogo e mostrou-se numa boa forma. Sem apoio por parte dos colegas, era apenas um a remar contra a maré. Tornou-se a única fonte de perigo do lado do Porto. Esteve perto do golo, mas a barra impediu-o de fazer um golo de grande efeito.

    Steven Defour: 4/10

    Paulo Fonseca trocou Josué por Defour para tentar ganhar consistência e poder de choque no meio-campo. O belga não foi capaz de se impor perante a posse de bola russa e foi envolto no jogo do Zenit.

    Ghilas: 2/10

    Entrou após o golo do Zenit, numa tentativa de fazer a diferença; sem tempo para fazer a diferença, não acrescentou nada ao jogo. Quase sem tocar na bola.

     

    Zenit

    Lodygin: 6/10

    Noite tranquila para o guardião russo. Num jogo em que foi salvo pelos postes nas duas melhores oportunidades do ataque do Porto, apenas teve de se aplicar na parte final do jogo. Defende a vantagem russa com uma excelente defesa a remate de Varela. Valeu dois pontos.

    Smolnikov: 6/10

    Claramente um jogador de contenção. Dotado de um físico possante, focou-se em fechar o flanco esquerdo do ataque do Porto. Muito contido e reticente nos momentos de avançar no terreno. Substituído por Criscitto na parte final do jogo.

    Luís Neto: 7/10

    O melhor defesa do lado do Zenit. Conseguiu colocar Jackson num grande aperto por espaço. Muito seguro nas bolas altas e no posicionamento. Uma boa exibição do central internacional português.

    Lombaerts: 6/10

    Não teve a melhor das noites no Dragão. Com algumas intercepções fora de tempo, apoiou Neto no corte do ataque do Porto. Quando confrontado por Jackson, teve dificuldades em acompanhar o colombiano.

    Ansaldi: 6/10

    Muito ofensivo ao longo da partida, o argentino esteve em muitas incursões pelo lado esquerdo do ataque do Zenit. Provocou problemas a Danilo, impedindo o lateral portista de subir no terreno. Facilitou na jogada em que Varela ganhou a linha e conseguiu rematar à baliza de Lodygin.

    Shatov: 6/ 10

    O melhor elemento do meio-campo russo. Discreto na primeira parte, face ao maior domínio do Porto. Surgiu na segunda parte a compensar e a equilibrar o ritmo do Zenit. O médio, de 23 anos, subiu bastante de rendimento após o descanso.

    Shirokov: 5/10

    Não foi o mesmo jogador que tem mostrado ser ao longo da época. Indiscutivelmente um dos mais influentes desta equipa do Zenit, esteve muito apagado ao longo do jogo. Apareceu na segunda parte mas não mostrou a grande qualidade que tem. Saiu para dar o lugar a Zyrianov.

    Fayzulin: 6/10

    O médio russo foi quase um jogador invisível. Fez o que lhe era pedido – ser um médio de contenção que tentasse apoiar Shirokov -, sem grandes alaridos. Um trabalho cirúrgico que resultou na maior posse de bola no segundo tempo.

    Danny: 4/10

    Um jogo para esquecer para Danny. O luso-venezuelano não entrou bem, não esteve bem e não acabou bem. Numa época em que tem sido a grande estrela do Zenit, surge no estádio do Dragão sem brilho. Tentou investidas sem sucesso e foi facilmente domado pelos defesas do Porto.

    Arshavin: 5/10

    Não conseguiu jogar da forma de que gosta. O médio russo, ex-Arsenal, teve sempre a forte oposição da dupla Mangala-Alex Sandro. Está a subir de forma, mas ainda não se dá bem com uma defesa bem organizada. Na segunda parte, o internacional russo despareceu até ser substituído, aos 72 minutos, pelo compatriota Kerzhakov.

    Hulk: 8/10

    Em noite de regresso a casa, o brasileiro mostrou que ainda sabe jogar bem no Dragão. Sem dúvida o melhor em campo na equipa russa, foi, ao longo do jogo, o homem mais perigoso do Zenit. Procurou o golo através de vários remates que queimaram as mãos de Hélton. É dele a assistência para o golo de Kerzhakov. Um regresso feliz ao Dragão.

    Zyrianov: 5/10

    O veterano Zyrianov entrou numa altura em que o Zenit começava a subir de rendimento. Utilizou a sua experiência para dar ao meio-campo russo consistência e segurança na altura de manter a posse de bola. Fez o que teve de fazer.

    Kerzhakov:6/10

    A segunda aposta de Luciano Spalletti acabou por ser a mais feliz. Entrou para o lugar de um Arshavin em sub-rendimento e foi feliz. Bastante discreto, sem criar grande oportunidade, teve a veia de goleador para colocar na cabeça a bola cruzada por Hulk, para fazer o único golo da noite. Goleador nato.

    Criscito: 4/10

    Entrou perto do fim, para defender o resultado. Rendeu Smolnikov e passou Ansaldi para o lado direito. Sem tempo para mais.

     

    Homem Do Jogo: Hulk (Zenit)

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