A festa de apresentação da equipa do FC Porto aos sócios trouxe consigo o último dos jogos da fase preparatória para a época 2019/2020. Ao fim de quatro jogos à porta aberta e outros tantos à porta fechada, a primeira derrota. A exibição, ainda que o AS Monaco FC pouco ou nada tenha feito para vencer o encontro, foi insuficiente.

No entanto, o presente artigo não procurará abordar questões técnico-táticas nem analisar a qualidade exibicional da equipa durante a pré-época. O passado ensinou-me a relativizar os resultados e os jogos de preparação e muito tempo haverá durante a temporada para esmiuçar o futebol apresentado pelo FC Porto. Assim, o objetivo passa por deixar algumas notas sobre as opções de Sérgio Conceição, prognosticar aquele que deverá ser o primeiro onze inicial oficial da época e os nomes que constarão, por esta altura, na lista de dispensas do técnico portista.

Comecemos, então, pelo setor defensivo. No que concerne ao guarda-redes, Diogo Costa parece partir em vantagem sobre a concorrência interna e, estando clinicamente apto, deverá ser aposta inicial nos primeiros jogos da época. A baralhar estas contas poderá estar uma eventual contratação para a posição que ocorra até lá. Kevin Trapp (PSG FC) e Augustín Marchesín (Club América) são os nomes mais ventilados pela comunicação social. No quarteto defensivo há, sem surpresas, três intocáveis. Alex Telles alinhará pela esquerda e Pepe e Marcano formarão o par do centro da defesa. O lateral esquerdo brasileiro não tem concorrência nem, sequer, alternativa e os dois centrais veteranos suplantam Osório e Diogo Leite. Mbemba não conta, para já, para o totobola (iniciou significativamente mais tarde os trabalhos de pré-temporada). Já na lateral direita residem, ainda, algumas dúvidas. Manafá parece, para já, levar vantagem, mas muito mal estará o departamento de scouting do FC Porto se Renzo Saravia não conseguir, a curto/médio prazo, suplantar a concorrência do lateral português. Tomás Esteves, jovem de 17 anos está também à espreita.

Alex Telles, que, apesar do assédio avança para a quarta época de Dragão ao peito, foi o mais ovacionado na apresentação da equipa aos sócios
Fonte: FCP

Passemos ao meio-campo. Na zona nevrálgica do terreno reinam, neste momento, Danilo, Sérgio Oliveira e Romário Baró. O internacional português permanece de pedra e cal, apesar da recente polémica em que esteve envolvido, Sérgio Oliveira, regressado de empréstimo, assume o lugar que era de Herrera, e o jovem campeão da europa pelos sub-19, tem mostrado qualidade e vai assumindo um papel entre o meio e a meia direita, em detrimento de Otávio. Loum, médio-defensivo que será a alternativa a Danilo durante a época, está lesionado, mas não é esperado que, regressando de lesão, deixe esse estatuto de alternativa. Para o meio campo deverá chegar, ainda, Mateus Uribe (Club América), médio colombiano que deverá concorrer com Sérgio Oliveira por um lugar ao sol. Uma última nota sobre Bruno Costa. Mostrou nas oportunidades que teve muita qualidade e considero que Sérgio Conceição pode e deve olhar para este jovem talento com mais atenção. Com a infeliz saída de Óliver parece-me o único capaz de dotar o meio-campo portista de mais técnica, melhor visão de jogo e qualidade de passe.

Resta abordar os três jogadores mais ofensivos. Na ala esquerda, Luis Díaz, contratado ao Atlético Júnior Barranquilla da Colômbia, perfila-se como primeira opção, assumindo a dianteira na luta pelo lugar que seria, à partida, de Nakajima. No centro do ataque, Tiquinho Soares vai levando vantagem sobre o reforço Zé Luís e vai sendo secundado por Jesús Corona que jogará a toda a largura do ataque, com alguma tendência para se deslocar para o corredor direito para conferir à equipa a largura que Romário Baró não consegue dar. Nestas contas entrará, mais tarde, Moussa Marega, que chegou mais tarde por via da participação da seleção do Mali na última edição do Campeonato Africano das Nações e que, caso não seja transferido no entretanto, deverá ter entrada direta no onze inicial. Sobram Fábio Silva, que deverá alternar entre a equipa B e a equipa principal e a quem auguro um futuro risonho de azul e branco e Aboubakar que parece mais perto da porta de saída do que de ficar no plantel.

Para terminar, importa deixar o nome de alguns jogadores que estiveram presentes nos trabalhos de pré-época mas que, julgando pelo número de minutos somados, deverão receber guia de marcha de Sérgio Conceição. Na baliza, Mbaye deve regressar à equipa B e no centro da defesa, setor sobrelotado, Diogo Queirós deverá sair para rodar. Chidozie deverá ser para vender e, acredito eu, entre Mbemba, Osório e Diogo Leite apenas haverá espaço para dois. Madi Queta, jovem médio da formação, regressará, também, à equipa B, e nas alas do ataque, Fernando Andrade e Galeno não parecem contar e deverão ser emprestados. Resta o já mencionado, Vincent Aboubakar, que, depois de uma época marcada por uma lesão grave, parece não ter grande espaço ou margem de manobra nas opções do treinador portista.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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