Na última quinta-feira, o FC Porto bateu o Feyenoord Rotterdam por 3-2, no Estádio do Dragão, resultado que, em conjugação com a outra partida que envolveu o BSC Young Boys e o The Rangers FC, permitiu aos dragões concluir o grupo G no 1º posto. Desta forma, os pupilos de Sérgio Conceição marcaram presença no sorteio para os 16 avos de final da competição, cujo sorteio se realizou, nesta segunda-feira, em Nyon, Suíça. Relativamente ao adversário que calhou em “sorte” aos azuis e brancos, foram os alemães do Bayer 04 Leverkusen.

Um adversário que impõe respeito, devido ao seu elenco de enormíssima qualidade, que vai exigir do FC Porto a sua melhor versão para conseguir seguir em direção aos oitavos de final. Não se pode dizer que há um favorito claro na eliminatória, visto que são dois conjuntos com experiência europeia e com aspirações legítimas na prova.

Ao contrário da equipa portuguesa, a formação germânica “caiu” da Liga dos Campeões para a Liga Europa, após ter ficado em 3º lugar num grupo com a Juventus FC, de Cristiano Ronaldo, o Club Atlético de Madrid, de João Félix, e o FC Lokomotiv de Moscovo, de João Mário e de Eder. Ou seja, o FC Porto apanhou um dos emblemas que vieram relegados da principal competição de clubes na Europa, o que significa que o sorteio não foi tão simpático como poderia ter sido.

Na Bundesliga, os “farmacêuticos”, como são conhecidos na Alemanha, ocupam, atualmente, o 7º lugar. No entanto, pode-se afirmar que é um cenário enganador e que nada se coaduna à valia do adversário dos azuis e brancos. O Bayer 04 Leverkusen é orientado pelo treinador holandês, Peter Bosz, que já teve passagens em emblemas como o Ajax FC ou o Borussia de Dortmund.

Como já foi referido, o plantel da equipa germânica integra excelentes jogadores, como são os casos de Jonathan Tah, Wendell, Charles Aranguiz, Leon Bailey,  Havertz ou Kevin Volland, entre outros nomes que seriam peças cruciais em qualquer um dos “três grandes”, em Portugal. Numa análise mais profunda, Peter Bosz implementou um sistema tático assente no 4-2-3-1, tendo um onze base composto pelo finlandês, Hrádecký, na baliza, com o quarteto defensivo, na maioria das vezes, a ser Lars Bender, Jonathan Tah, Sven Bender e Wendell. Já no meio campo costuma coabitar o chileno Charles Aranguiz e Baumgartlinger, com Havertz a ocupar a posição nº10 ou de segundo avançado, em apoio a Kevin Volland, que se assume como a principal referência da equipa e que é servido pelos alas Leon Bailey e o internacional alemão, Bellarabi.

Os Dragões esperam muito apoio na deslocação à Alemanha
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Este conjunto do Bayer Leverkusen, em campo, apresenta, claramente, duas caras, já que é muito forte no momento atacante, contudo é permeável no aspeto defensivo e talvez esta vertente mais débil dos alemães justifique um pouco a sua posição no campeonato germânico, que nos últimos anos, tem sido dominado pelo FC Bayern de Munique. Extremamente perigosos a atacar, o FC Porto vai ter de encontrar uma boa maneira de não conceder espaços aos homens de Leverkusen, já que possuem atletas de grande capacidade técnica e com uma explosão admirável, que a qualquer momento poderão colocar à prova Marchesin. Embora tenham essa caraterística a ter em atenção, a verdade é que a defesa deixa algo a desejar e a formação nortenha poderá aproveitar a profundidade, caraterística dos seus avançados, para ferir o seu opositor. Outro aspeto é que, na maioria das vezes, os alemães gostam de ter o controlo da posse de bola e remeter o seu adversário ao seu meio campo, algo que não é de todo preocupante, uma vez que a equipa de Sérgio Conceição já provou conseguir adaptar-se a qualquer postura tática que a equipa contrária assim imponha durante uma partida.

Em termos individuais, há muito por onde se pegar no lado alemão, devido ao grande talento que Peter Bosz dispõe no seu grupo de trabalho, por exemplo Jonathan Tah na defesa, Leon Bailey no ataque, mas o destaque só pode ir para um, para o menino de 20 anos, Kai Havertz. Apesar da sua juventude, já é um dos destaques da equipa e é por ele que passa muito do perigo da formação de Leverkusen. Dono de uma excelente técnica individual, o internacional germânico possui também uma excelente visão de jogo e uma grande qualidade de passe, que consegue aliar com um poder de decisão incomum. Todos estes pontos referenciados fazem dele o cérebro da equipa dos “farmacêuticos” e além disso tem bastante facilidade a criar e a concretizar jogadas, por isso não é ao acaso que os “bárbaros” de Munique e outros grandes clubes da Europa, como o Manchester United, seguem atentamente o seu percurso.

Por fim, será uma partida atrativa de se ver e perspetiva-se um duelo equilibrado até ao fim. No entanto, o FC Porto num dia sim tem todas as condições para conseguir sonhar com os oitavos de final, mas vai ser crucial para o resto da eliminatória saber com que resultado vem da Alemanha. O objetivo será certamente conseguir decidir esta “batalha” no Estádio do Dragão junto da sua massa associativa, um pouco ao semelhante do que aconteceu com a AS Roma, na época passada, mas aí a contar para a Liga dos Campeões.

Foto de capa: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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