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Estamos na véspera do início de mais um campeonato nacional e toda a nação portista, após o desempenho considerável do novo plantel do FC Porto e de Lopetegui, anseia por ver estes “guerreiros” e este treinador nas competições oficiais. As expectativas são elevadas! Estamos todos esperançados de que esta seja uma época memorável para o Porto e de que tenhamos a oportunidade de apreciar o invencível Porto de outrora, que parece adormecido nas últimas épocas. Por conseguinte, será apresentada uma análise individual dos jogadores do plantel azul e branco, bem como os aspetos técnicos e táticos mais relevantes.

É notório e indiscutível que toda a equipa principal foi alvo de grandes mudanças (quase inéditas) no que concerne ao tipo de contratação. As alterações são visíveis nas demais posições e, em todas estas, os novos contratados são jogadores de grande qualidade.

Iniciando pela baliza, encontramos “os sobreviventes” da última temporada: Fabiano e a Helton. Para além destes, Ricardo, que grandes épocas fez pela Académica, foi um dos dois reforços para esta posição. No entanto, ainda que seja um bom guarda-redes, poderá ser emprestado a outra equipa, uma vez que também não terá lugar na equipa B, já que a baliza está ocupada por Kadu (que merece a oportunidade de mostrar o seu potencial e o porquê de aos 16 já ter jogado pela seleção A Angola). Andrés Fernández, um guarda-redes espanhol, foi o último reforço para a baliza, sendo este o principal motivo que leva Ricardo a ficar de fora. No que diz respeito a Andrés, a sua contratação deveu-se principalmente à sua agilidade/rapidez e um muito razoável jogo de pés (mais à frente explicarei esta real necessidade), que foi evidente neste último teste de pré-época. Ainda neste jogo, usando linguagem de futsal, foi também responsável pela fantástica “mancha” num lance de enorme perigo. Este guarda-redes provém do Osasuna e foi muitas vezes responsável por defesas que, ainda que não impedissem a descida de divisão do clube, evitaram o aumento do marcador da equipa adversária. Por todas estas razões, crê-se que será ele o “dono da baliza” na maior parte dos jogos da temporada.

Andrés Fernández tem melhor jogo de pés do que Fabiano. Será o titular?  Fonte: O Jogo
Andrés Fernández tem melhor jogo de pés do que Fabiano. Será o titular?
Fonte: O Jogo

Na defesa, as laterais estão “apetrechadas” com dois grandes e intocáveis jogadores brasileiros, Danilo e Alex Sandro. Sem dúvida que uma das grandes falhas da última época foi a ausência de soluções para as laterais. Fucile, por motivos extra-futebol, não era opção, e na equipa B não havia qualidade suficiente para uma alternativa viável. Ricardo, um jovem extremo, foi quem muitas vezes fez essas duas posições. Opare é uma promessa do futebol mundial que tarda a assumir-se como uma “certeza”. (trabalhou com Lopetegui na equipa B do Real Madrid e mais tarde acabou vendido ao Standard de Liége). José Ángel, um lateral-esquerdo de grande qualidade, que grandes épocas fez ao serviço de Espanhol, Roma e Real Sociedade. Todavia, ainda que Opare e Ángel sejam bons reforços, será difícil (ou quase impossível) que sejam opção principal de Lopetegui, substituindo a dupla brasileira.

No que diz respeito ao centro existe um conjunto vasto de opções; no entanto, nem todas estas têm lugar na equipa principal – começando por Igor, um jovem chileno que despertou atenção do clube no torneio de Toulon mas que certamente irá jogar na equipa B; Maicon, um central muito seguro que normalmente não corre riscos em situações difíceis; Reyes, um jovem mexicano que ainda tem de amadurecer taticamente; Bruno Martins Indi, o luso-holandês que acaba de fazer um enorme Mundial e que será o substituto natural (também pelas características físicas) de Mangala. Por último, o mais recente reforço, Marcano, um espanhol que esteve emprestado ao Olympiacos pelo Rubin Kazan na última temporada e que seguramente será o quarto central do plantel.

Opare será a alternativa a Danilo ao longo da época  Fonte: fcporto.pt
Opare será a alternativa a Danilo ao longo da época
Fonte: fcporto.pt

No meio-campo, assistimos à saída de Fernando, “o polvo”, um pilar do clube nos últimos anos, e à chegada de Casemiro, que outrora foi contratado por Mourinho ao serviço do Real Madrid. Fazendo uma análise comparativa entre estes dois, verificamos que Casemiro difere de Fernando na posição que ocupa em campo, sendo mais um 8 do que um 6. Casemiro poderá ser médio defensivo, assumindo também a função de construtor de jogo, diferenciando-se de Fernando, que era um “corta-bolas”. Rúben Neves é um caso de sucesso da formação azul e branca que muito tem dado que falar à imprensa. No entanto, apesar dos seus 17 anos, e seguindo o percurso de Lopetegui no passado, este jogador poderá ser uma aposta do treinador para o onze inicial (pelo menos numa fase inicial). As suas qualidades são evidentes, possuindo uma excelente interpretação do jogo, um ótimo passe e grande poder de decisão em situações de “perigo”. Para além disso, podemos estar perante um jogador “à Porto”. Herrera, o craque mexicano que tardava em voltar à forma que mostrou durante os JO2012 e ao serviço do Pachuca, foi uma das revelações do último Mundial, podendo ser considerado, a par de James, um dos melhores médios do torneio. Quintero, uma jovem estrela colombiana, terá à sua espera um ano de afirmação no futebol europeu. Certamente, todos esperam que ele esteja em lances decisivos, como tantas vezes ao serviço da seleção. Óliver é “um amigo” e fiel selecionado de Lopetegui nas seleções jovens espanholas e, como Quintero, demonstra uma enorme maturidade para a sua idade – poderá ser um 10 com muito futuro. Evandro e Carlos Eduardo, os ex-Estoril., também podem ser opção em vários momentos da temporada. Ainda que exista um conjunto de jogadores com grandes aptidões, daquilo que se analisou da pré-época, inicialmente o meio-campo será entregue a Rúben/Casemiro, Herrera e Ólivier.

Por último, na frente, o FC Porto reforçou-se de forma extraordinária (comparando com aquilo a que nos tem habituado)! Jogadores como Adrián, Tello e Brahimi fazem parte do novo plantel azul e branco e os adeptos têm grandes expectativas para o seu despenho em campo, esperando, naturalmente, muitos e grandes golos! Começando por Ádrian, este jogador pode ser comparado a Villa; todavia, marca menos golos. Ádrian teve um excelente percurso nas seleções jovens espanholas, tendo passado pelo Corunha e pelo Atlético de Madrid. Num sistema 4-4-2 poderá jogar como avançado, enquanto num sistema do Porto 4-3-3 deverá jogar numa das alas, aparecendo frequentemente em zonas de finalização. Cristián Tello é um “miúdo-maravilha” da escola do Barcelona que tem como principais “armas” a grande velocidade, a eficácia no 1×1 e, tal como Ádrian, a facilidade com que descai das alas para dentro para finalizar. Jackson Martinez dispensa qualquer apresentação. Foi o melhor marcador nas duas últimas edições do campeonato português. Apenas referir que é o novo capitão de equipa.

Tello será dragão por dois anos  Fonte: A Bola
Tello será dragão por dois anos
Fonte: A Bola

Kelvin, a eterna promessa, a “mascote” do clube, será eternamente lembrado no museu. Porém, é pouco provável que tenha muitas oportunidades durante a temporada, assim como Ricardo, o jovem polivalente internacional sub-21. Sami veio também reforçar o ataque, fazendo uma bela temporada ao serviço do Marítimo mas existem dúvidas quanto à sua permanência no plantel. Um outro reforço, Brahimi, o “mágico das fintas argelino”, jogou no Granada na última temporada, sendo considerado o melhor “driblador” da liga espanhola, com uma estatística de 5,1 fintas por jogo! Em campo, Brahimi poderá jogar ou como extremo ou como número 10. Destaca-se ainda pela grande velocidade de execução no 1×1, bem como por uma grande qualidade no transporte da bola para zonas ofensivas (no Mundial foi uma das principais figuras da Argélia). Para terminar esta “receita” para o sucesso no ataque, não podia faltar o “Harry Potter” e também novo capitão de equipa, Ricardo Quaresma!

No que concerne a outros jogadores, a entrada de um novo médio e de um ponta-de-lança é há muito anunciada A saída de Defour para o Anderlecht é mais uma prova de que um novo médio virá a caminho. Veremos o que acontece até dia 1 de Setembro (data do fecho do mercado de transferências em Portugal) para perceber que mais alterações irão surgir no plantel 2014/15.

Abordando agora o esquema técnico e táctico do jogo, o Porto de Lopetegui, em contraste com o Porto de Fonseca, vai voltar ao sistema tático que Pedroto introduziu: o 4-3-3 com um triângulo 1-2, dois extremos e um ponta-de-lança.

Relativamente à mudança de estratégias, segundo as ideias de Lopetegui, podemos concluir pelo que se observou até ao presente que o trinco será diferente dos últimos anos (com o Polvo, Fernando) para passar a ter um jogador como Casemiro/Rúben, que será mais um médio defensivo do que um trinco e que sabe construir jogo (após a saída do jogo pelos centrais, deverá passar por ele o início da construção do processo defesa-ataque). Nos extremos, em contraste com o que era regra nas últimas temporadas, em que existia um extremo aberto e um “falso extremo” que caía para dentro, Lopetegui apostou em dois extremos abertos que descaem para dentro e aparecem a finalizar e num ponta-de-lança. Nas outras duas posições do meio-campo, haverá um “puro” número 10, por quem passará todo o “desenho” do ataque. Para além disso, haverá um jogador que substitui o habitual box-to-box, jogando numa posição mais à frente na área de jogo, perto do 10. Este é responsável pelo transporte da bola para o ataque, e aparece também na zona de finalização (possivelmente Herrera).

Lopetegui trouxe novos métodos de trabalho para o Olival  Fonte: VAVEL
Lopetegui trouxe novos métodos de trabalho para o Olival
Fonte: VAVEL

Na defesa existem ainda algumas incógnitas. Será que os laterais vão ter a mesma liberdade ofensiva da última época? Ou será esta diminuída? Se Lopetegui mantiver o estilo de jogo praticado em Espanha/Barcelona, os laterais vão continuar muito ofensivos. Este estilo foi já praticado nos jogos da pré-época, jogando o Porto com uma defesa alta (os centrais em cima do meio-campo!), situação que poderá levar a lances de contra-ataque perigosos. Em relação aos centrais, parece que será o Bruno Martins Indi o companheiro de Maicon. Indi é um central forte e que sabe “sair a jogar”, um pouco à imagem do que fazia Mangala (mas talvez um pouco mais lento).

No que diz respeito à construção do jogo, a estratégia de Lopetegui baseia-se em muita posse e circulação rápida da bola, procurando sempre o “lado vazio” com desmarcações rápidas e transição em posse. No processo defensivo a equipa procura recuperar rápido a bola, em zonas avançadas do terreno com o trio da frente a fazer uma pressão grande e, seguidamente, sair em construção de posse. No entanto, neste atual sistema, devido à defesa alta, haverá a necessidade de o guarda-redes ser um pouco (à imagem de Neuer na seleção alemã) um 11º jogador de campo. Este terá como missão, muitas vezes, intercetar bolas longe da sua área de conforto. Destaca-se ainda o facto de, no momento de finalização, o Porto procurar ter seis homens na zona de ataque/finalização.

Concluindo, é notório que existiu um grande investimento no plantel portista e que muitos destes jogadores poderão vir a ser estrelas no mundo do futebol. São de facto desportistas de enorme qualidade e que têm levantado o ânimo e as expetativas dos adeptos do clube. Também Lopetegui, pelo seu método exigente e peculiar, tem motivado e alegrado a nação portista. Novo treinador, novos jogadores, novos pensamentos e técnicas de jogo: eis a “receita” para a nova época que está prestes a iniciar-se! A partir de amanhã, estes jogadores darão os primeiros passos no campeonato português e, não tardará, chegarão também as competições europeias. Apesar de um bom desempenho na pré-época, existe a dúvida sobre se este desempenho se manterá ao longo da temporada! Facto é que dificilmente se aproximará do sucedido na última época. Viva o FC Porto! Viva a nação portista!

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