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O Futebol Clube do Porto vive tempos conturbados. Ao insucesso desportivo alia uma situação financeira, no mínimo, periclitante. Que futuro?

A mesma direção, grosso modo, que conduziu o FC Porto a três décadas de glória com a hegemonia do futebol nacional e vários títulos continentais, tem acumulado erros em catadupa na gestão do clube que o levaram à situação decadente em que se encontra atualmente. Um clube altamente endividado, um clube que aumentou nos últimos anos o seu passivo para níveis preocupantes, um clube que teve, esta época, dificuldades para regularizar o pagamento dos salários aos seus colaboradores a tempo e horas, um clube que lança um empréstimo obrigacionista para poder liquidar um mesmo lançado anteriormente, um clube que já antecipou quase 100M€ de receita do contrato celebrado com a Altice (MEO) que só entra em vigor em 2018 e um clube obrigado a gerar mais valias no valor de 115M€ para fugir aos castigos da UEFA por incumprimento do fair-play financeiro. Esta é a situação financeira calamitosa em que o FC Porto se encontra. Muitos portistas desconhecem esta realidade . No fim do dia, ao adepto interessa se a bola entrou ou não na baliza. Mas a verdade é que tudo isto contribui para que a bola comece a entrar menos vezes.

Percebemos também que, fruto dos constantes insucessos e mudança de atitude e pujança na comunicação para o exterior, o FC Porto perdeu poder nos meandros do futebol português, perdeu relevância nas mais altas instâncias do nosso futebol e, como consequência, perdeu o respeito muitas vezes confundido com receio por parte dos árbitros. Errar contra o FC Porto deixou de ser um problema e deixou de ter consequências. E isto, quer queiram quer não, também se deve a um adormecimento de uma estrutura aburguesada que se acomodou depois de dois títulos nacionais “caídos do céu” (sem retirar o enorme mérito que tiveram Vítor Pereira e seus pupilos).

Pinto da Costa é o presidente do FC Porto Fonte: FC Porto
Pinto da Costa é o presidente do FC Porto
Fonte: FC Porto

O FC Porto sempre foi um clube diferente. E esta diferença prendia-se, nada mais nada menos, pelo facto de o FC Porto ser um clube que mais do que vários adversários, tinha um inimigo. Entenda-se o termo “inimigo” no sentido positivo do mesmo. O SL Benfica, clube que domina e manieta quase toda a opinião pública e publicada deste país, foi, durante muitos anos, o combustível da máquina azul e branca. O combate ao centralismo de Lisboa sempre foi um baluarte da estratégia portista e o constante confronto era uma forma de estar e não uma solução elaborada em cima do joelho para escamotear maus resultados e fugir às responsabilidades. Muitos nos acusam (aos portistas) de sermos mais anti-benfiquistas do que fervorosos adeptos do Porto mas não entendem que esse anti-benfiquismo (sem nunca passar para a violência e para a falta de respeito) é quase condição essencial e necessária ao portismo. Isto pode ferir algumas suscetibilidades e provavelmente será alvo de fortes críticas mas toda a vida foi assim e o período de maior sucesso do nosso clube deu-se quando estes pontos não eram sequer discutíveis. O FC Porto nunca foi, e provavelmente nunca será, o maior clube português. Está, nesse capítulo, muito longe do SL Benfica e, se calhar, do Sporting CP. Mas era o melhor e era isso que nos tornava grandes. Nunca o maior mas sempre o melhor.

Por tudo isto se percebe que o FC Porto está muito longe do sucesso desportivo. As bases deixaram de ser sólidas, a tranquilidade e estabilidade que caracterizavam o nosso clube desapareceram e deram lugar à anarquia da bancada. A direção, cada vez mais fragilizada, gere o clube ao som do assobio de forma a retardar o momento em que será, finalmente, responsabilizada pelo insucesso e, com esse tipo de atuação, está a colocar em risco o futuro e a sustentabilidade do clube.

Bernardo Lobo Xavier
Bernardo Lobo Xavierhttp://www.bolanarede.pt
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.

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