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Já passaram quase três anos desde aquele memorável momento. Passavam dois minutos do tempo regulamentar quando um simples golo colocou o Norte em festa, deixou Jesus de joelhos e carregou Kelvin para a galeria dos heróis azuis e brancos. Já passaram quase três anos mas Jorge Jesus fez questão de o relembrar no passado dia 26, num clássico chato e enfadonho, onde o Benfica se assumiu paciente, ao contrário daquilo a que nos tem habituado. A marca não ficou só nos vencedores. Ficou também nos perdedores e é por isso que, atualmente, Jorge Jesus é bem mais comedido com as palavras e na maneira como aborda os encontros. Tudo isto para dizer que com o empate da jornada passada, que colocou o Benfica a uns “teóricos” quatro pontos do FC Porto, não acredito que venhamos a ter mais uma enorme surpresa. E longe de mim ser pessimista.

Deixem-me recordar-vos a temporada de 2002/03. José Mourinho tinha assumido o comando técnico da equipa a meio da época anterior, numa altura em que os portistas ocupavam a quinta posição da tabela classificativa, e assumiu que com a temporada perdida era altura de focar todos os esforços na época seguinte. Mourinho teve tempo para preparar a equipa. Muito ou pouco? Nunca saberemos… Mas o suficiente para conquistar a Liga Portuguesa, a Taça de Portugal e a Taça UEFA. Não quero, de todo, comparar Mourinho a Lopetegui. Não gosto de comparações. Mas gostava que o treinador espanhol assumisse, desde já, que esta temporada está perdida. O ano “zero” já lá vai e Lopetegui já pode dizer que conhece a Liga Portuguesa. Os jogadores, as melhores equipas, os terrenos complicados, os treinadores e, sobretudo, as “manhas” das competições portuguesas.

Apesar de não conquistar nenhum título, Lopetegui fica. Não consigo, para já, vislumbrar um FC Porto 2015/16 sem o espanhol ao leme. Para além de ser uma assumida aposta de Pinto da Costa, o treinador azul e branco assinou por três épocas e fez várias restruturações na formação do clube. Tudo a pensar no futuro, obviamente.

Porém, uma dúvida cresce na minha cabeça… Como será o FC Porto versão 2015/16? Entre vendas e saídas de jogadores que cá estavam por empréstimo, este parece-me ser o “onze” base para o próximo ano…

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Buracos… e mais buracos

As redes azuis e brancas

Apesar de ainda considerar uma grande incógnita, penso que a baliza do FC Porto para a próxima época estará ao cuidado do grande capitão Hélton. O estilo de jogo que Lopetegui pretende implementar no clube necessita de um guarda-redes bom nas saídas e que não tenha medo de jogar com os pés. Fabiano nunca foi uma aposta segura para estas situações ao contrário de Hélton, que raramente falha quando é chamado a intervir.

A defesa

Danilo já foi vendido. Alex Sandro ainda é uma incógnita e o FC Porto não tem fama de vender demasiado com a possibilidade de deixar um dos setores demasiado desfalcado. Mas a verdade é que o defesa esquerdo já é dragão há quatro anos, tem mercado e não demonstra a mesma vontade de continuar a defender as cores do clube como em épocas transatas. Vamos esperar para ver…

Contando com Marcano e Maicon no centro da defesa, com Indi e Reyes como reservas e longe das invenções… Onde está o resto da linha defensiva? Será José Ángel a assumir a ala esquerda? Ricardo Pereira assume-se finalmente como defesa direito? E o que é feito de Opare…? Demasiadas incógnitas para o sector que mais estabilidade exige.

A linha média

O atual cenário diz-nos que Casemiro regressa ao Real Madrid e Óliver ao Atlético de Madrid. Herrera está diferente, está mais maduro, fez boas exibições na Liga dos Campeões e tem mercado. Os três titulares do meio campo portista são três mistérios para a próxima época. Ficam? Não ficam? Se vão embora, quem é que substitui? André-André e Sérgio Oliveira vão fazer parte dos quadros dos dragões? Como está a situação de Evandro, Rúben Neves e Campaña no plantel? Vamos assumir finalmente que Quintero é um caso perdido?

O sector avançado

Jackson Martínez vai sair. O goleador colombiano que tantas alegrias deu aos adeptos portistas e que, este ano, demonstrou ser mais do que um simples avançado é uma saída quase certa. Dos restantes habituais da frente de ataque, Brahimi e Tello – que ainda tem mais um ano de empréstimo – são os grandes candidatos aos papéis de extremos para a próxima época. Uma vez que Quaresma e Hernâni não estão a pensar sair… Menos uma dor de cabeça para Lopetegui. Mas há várias perguntas que os adeptos portistas querem ver respondidas! Será Aboubakar capaz de herdar o pesado legado de Jackson? Se tal acontecer, quem será a segunda escolha para a posição? De um lado surge Gonçalo Paciência, produto da casa e dono da tão ansiada mística portista, e do outro… o “flop” Adrián López, que até agora não provou valer 1/10 do dinheiro que nele foi investido.

Muitas incógnitas e muitos problemas para resolver. Serás tu capaz, Lopetegui, de surpreender o panorama futebolístico português com contratações sonantes donas de uma qualidade inegável? Se és capaz ou não, só tu saberás. Mas de uma coisa esperamos que estejas ciente… O ano “zero” já passou e os adeptos do FC Porto não estão habituados a perder.

Foto de capa: fcporto.pt

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