fc porto cabeçalhoDuas semanas de preparação e dois ensaios depois, é possível retirar já algumas conclusões do nível de afinação que leva, nesta fase ainda prematura, a orquestra que se vai aperfeiçoando para o grande espetáculo que será o campeonato, sob a alçada do maestro Sérgio Conceição. Tendo em conta os últimos jogos em terras mexicanas, a junção da segunda parte do Cruz Azul e a primeira do Chivas teve o condão de colocar água na fervura da inquietação dos adeptos face à escassez de reforços.

Sérgio apelidou de extremamente satisfatório o período de testes a que a equipa foi sujeita, revelando já identificar, em alguns momentos, as ideias que o próprio vem implementando e transmitindo aos jogadores. Sem reforços, vão valendo, essencialmente, os regressados Ricardo, Indi, Sérgio Oliveira e Aboubakar. Outros, como Hernâni, Mikel, Rafa e, eventualmente, Marega, terão de mostrar mais do que aquilo que foi possível recolher nestes dois escassos exemplos.

E das ideias do próprio Sérgio Conceição, fazendo a comparação com o seu antecessor, é possível desde logo decifrar uma clara preferência pela objetividade. Se for possível chegar à baliza adversária com apenas três ou quatro passes, não é preciso uma dúzia para o fazer; se, em zona frontal à baliza, ou em situação privilegiada, houver possibilidade de rematar, então, não se hesita; a pressão é para ser feita nas zonas adiantadas do terreno, sempre em bloco, de modo a condicionar a saída do adversário e obriga-lo a um futebol direto ou, por outro lado, a conseguir recuperar a bola na posição mais adiantada possível, de forma a que se esteja mais perto de marcar; a marcação da defesa nos lances de bola parada, é, para já, sempre à zona e nunca ao homem.

O jogo frente ao Chivas mostrou um FC Porto com muita qualidade de jogo Fonte: FC Porto
O jogo frente ao Chivas mostrou um FC Porto com muita qualidade de jogo
Fonte: FC Porto

Outros aspetos como a vertente tática ainda não estão bem enraizados e, como tal, não poderá ser alvo de análises aprofundadas. Para já, Sérgio tem apostando na base do ano passado, em 4-4-2, mantendo a defesa titular, apenas com a inclusão de Ricardo em detrimento de Maxi. O meio campo, ainda sem Danilo, parece ter em Óliver o maestro de que a equipa tanto necessita. André André vai-se configurando como uma boa alternativa na posição 6, não tão fixo nem destruidor, mas dinâmico e livre. Os extremos Brahimi e Corona ainda estão longe da melhor forma, mas estão claramente talhados para o jogo interior, abrindo espaço à subida dos laterais. Aqui, caso Sérgio prefira mais verticalidade no jogo ofensivo, pode contar com a velocidade e preferência pela ida à linha de fundo de Galeno (que até tem sido experimentado como segundo avançado) e Hernâni. No ataque, a dupla Soares-Aboubakar funcionou lindamente nos primeiros 45’ diante do Chivas, com a equipa a criar inúmeras oportunidades de golo.

Não falta matéria prima à disposição de Sérgio Conceição que deverá ainda receber um ou dois reforços até ao fecho do mercado. À parte disso, a equipa prossegue o seu aperfeiçoamento e, já no domingo, tem um teste de grau de exigência elevado, com a visita a Guimarães. Oportunidade perfeita para percebermos se todas estas ideias que saltaram à vista na última semana são a regra, ou apenas uma exceção.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Pedro Couto

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