a minha eternidade

Esta quarta-feira, dia 18 de Fevereiro, o Futebol Clube do Porto irá deslocar-se à Suíça para defrontar o Basileia, numa eliminatória a contar para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Este é o primeiro embate entre estas duas equipas, embora não seja a primeira vez que os portuenses se deslocam a Basileia para uma partida europeia relevante.

Na temporada de 1983/1984, o Porto realizou uma excelsa prestação na sua quinta participação na Taça das Taças, prova que jogou graças à sua presença na final da Taça de Portugal do ano anterior.

A campanha azul e branca rumo à final iniciou-se a 14 de Setembro de 1983, na Jugoslávia, com uma derrota por 2-1 frente ao Dínamo de Zagreb. No jogo de volta, nas Antas, numa eliminatória muito sofrida, os portistas conseguiram vencer pela diferença mínima (1-0), o que lhes permitiu seguir em frente. O triunfo foi conseguido através de um golo do inevitável Gomes, que furou as redes depois de uma assistência de Jaime Magalhães, a poucos minutos do final do encontro.

A 19 de Outubro de 1983, mais uma saída de sabor amargo – desta feita até à Escócia, para enfrentar o Glasgow Rangers (derrota por 1-2). No encontro da segunda mão, os portistas conseguiram nova reviravolta, vencendo os protestantes por 1-0, com o Bi Bota a marcar de novo e a chorar de emoção, sendo aclamado por todo o estádio, originando um clima de comunhão e fraternidade (jogador/público) que rareia na contemporaneidade futebolística.

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Já no decorrer de 1984, nos quartos-de-final, o sorteio instituiu o embate com os soviéticos do Shakhtar Donetsk (Ucrânia). A 7 de Março, na cidade Invicta, os portistas conseguiram uma magra vitória por 3-2, levando uma curta vantagem para o jogo da 2ª mão em Donetsk. Nesse jogo, duas semanas depois, o FC Porto sobrevive em prova devido a um empate a um golo, sendo Mike Walsh o herói, cabeceando para golo já perto do final do jogo.

Nas meias-finais, os dragões tiveram pela frente os escoceses do Aberdeen. A 11 de Abril, perante um estádio das Antas completamente preenchido e motivado, os portuenses ganharam pela margem mínima (1-0), levando assim uma preciosa vantagem para o segundo jogo. Em terras escocesas, no dia 25 de Abril, os azuis e brancos venceram pelo mesmo resultado. Vermelhinho, o marcador solitário, executou um chapéu tecnicamente refinado e assegurou o embate na final contra a magnífica Juventus de Turim.

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Platini era a figura maior da Juventus que derrotou o FC Porto, em 1984
Fonte: wikipedia.org

Nessa final de Basileia, disputada no dia 16 de Maio de 1984, o Futebol Clube do Porto defrontava as “velhas senhoras” italianas, orientadas pela ancião Trapattoni e comandadas em campo pelo organizador mágico Michel Platini. Perante 60000 espectadores (na sua maioria tiffosi), os portuenses enfrentavam um enquadramento muito doloroso devido ao gravíssimo estado de saúde de José Maria Pedroto. Apesar de ser difícil focalizar e centralizar os atletas exclusivamente no encontro futebolístico, os comandados de António Morais (anterior adjunto) fizeram uma exibição tecnicamente muito confiante e tacitamente muito correcta e organizada. Embora a Juventus se tenha superiorizado por 2-1 no final da partida, os portuenses foram superiores em termos qualitativos, demonstrando um futebol mais atraente. O golo de Sousa foi insuficiente para os portistas, que ficaram irados com o árbitro da partida (o alemão Adolf Prokop). Alguns jogadores não se contiveram e confrontaram o juiz germânico e restante equipa de arbitragem em pleno relvado (o guarda-redes Zé Beto terá tirado a bandeirinha ao auxiliar do árbitro para o agredir…). O motivo da fúria seriam dois penalties que o alemão terá perdoado aos italianos: o primeiro, um empurrão sem margem para dúvidas sobre Vermelhinho dentro da área; o segundo, uma mão de Scirea indubitável. Terá o árbitro prejudicado deliberadamente o Porto? Os seus jogadores não tiveram dúvidas sentindo-se espoliados. No rescaldo destes acontecimentos, o guardião Zé Beto seria suspenso por um ano pela UEFA, o que ditou o seu afastamento do Euro- 84.

No fim da partida, Michel Platini, estrela mais reluzente dos italianos, reconheceu o grande mérito dos portuenses. Rendido ao jogo do FC Porto, afirmou que era pena não haver duas taças (uma para cada instituição). Esta ideia humilde foi o mote para os adeptos portistas empreenderam uma recolha de fundos para encomendarem uma réplica da Taça das Taças, que posteriormente oferendaram ao clube para exposição pública. Este misto de emoções, entre uma revolta e desilusão inflamantes e um orgulho confiante pela fantástica exibição, fez com que o Futebol Clube do Porto conseguisse criar, enraizar e difundir um estado de espírito conquistador, uma crença combustível inabalável, que originou um “focus glória”, uma força de perseguição predatória que se consubstanciou, três anos volvidos, em Viena.

Foto de capa: wikipedia.org

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