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Ano novo é sinónimo de resoluções que, na sua maioria, não duram mais do que duas três semanas. Seja cortar nos vícios antigos ou começar uma nova rotina saudável, as resoluções são várias e quase nunca são cumpridas. No futebol não há grande diferença. Todos os anos há adeptos quem querem resoluções nas respectivas equipas. Resoluções que muitas vezes acabam por sair furadas.

Acredito que o pensamento, ou resolução, se lhe quiserem chamar assim, mais presente nos adeptos portistas passe por melhor futebol. Nos últimos tempos esta parece ter sido a maior prece naquilo que toca à equipa azul e branca. A questão é… como é que se transforma uma resolução efémera numa mudança de ano significativa? Pois bem, esta situação passa por um único homem: Paulo Fonseca.

O Porto não tem problemas de confiança. Não há jogadores que estejam lesionados ou condicionados (exceptuando Izmaylov, que aparenta estar esquecido no triângulo das Bermudas). Porém, o Porto sofre quase sempre. A posse de bola já característica do Porto está nos últimos suspiros – só conseguem circular a bola em zonas longe de perigo. A forma de ataque ordenado, conjunto e apoiado de outros anos foi substituída por ataques onde a um jogador (Lucho, sobretudo) é dada a inteira responsabilidade de criar jogo. A defesa sólida e intransponível que anteriormente era defendida apenas pelo polvo Fernando recebe mais um homem no duplo pivot de Paulo Fonseca. Em vez de ganhar, acaba por perder solidez. Apenas à baliza é que a forma de jogar se manteve igual.

Quintero foi a revelação do inicio da época / Fonte: goal.com
Quintero foi a revelação do inicio da época / Fonte: goal.com

Para além da diferença na forma como abordam cada jogo, este Porto parece procurar um “craque salvador”. No início foi Quintero. Seguiu-se, mais recentemente, Carlos Eduardo. Com a chegada de Quaresma já começam a girar os mecanismos para que ele seja o próximo. As primeiras exibições de Quintero mostraram um diamante por lapidar. Um número 10 excelente com visão, classe e muita inteligência no que toca ao jogo. Para além disso, possui um pé esquerdo de causar inveja. Após a lesão, desapareceu das escolhas de Paulo Fonseca.

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Carlos Eduardo foi a mais recente descoberta. Começou a época na equipa B e subiu a titular rapidamente. Fez dois jogos a um grande nível, onde marcou e deu a marcar e, de um dia para o outro, começaram as expectativas megalómanas. Como Quintero, aparece como o médio mais ofensivo, que joga à frente do duplo pivot, com uma grande capacidade de criar jogo. Com um passe bastante certeiro e rápido nas movimentações, ganhou espaço dentro do plantel reduzido do Porto. Após dois jogos, Carlos Eduardo era o novo salvador.

Quintero e Carlos Eduardo são jogadores incríveis. Admito até que possam vir a ser craques. No entanto, não são salvadores, contribuem para a equipa. A solução para o problema do jogo do Porto não está nos pés de um único jogador em grande forma mas sim num colectivo bem oleado, coerente, que saiba de trás para a frente a forma como jogam os companheiros.

Carlos Eduardo é mais uma solução para Paulo Fonseca / Fonte: Rádio Renascença
Carlos Eduardo é mais uma solução para Paulo Fonseca / Fonte: Rádio Renascença

Jogadores em grande forma são, mesmo assim, uma grande mais-valia. São eles que, num momento de génio, acabam por conseguir resolver um jogo mais complicado a favor do Porto. Não devem é ser, após um/dois jogos mais conseguidos, transformados em craques capazes de pegar na bola e resolver um jogo. A meu ver, há apenas um jogador no mundo capaz de realizar tal proeza. O problema é que ele joga com o número 7, em Madrid… Espero que o grande craque do Porto no próximo ano seja o número 11. Não é o argelino Ghilas… É o número do colectivo do Porto.

É por isso que a minha resolução para 2014 não é deixar de fumar ou perder peso. A minha resolução é que Paulo Fonseca tenha um momento de génio e perceba que, se o Porto está em sub-rendimento, a culpa recai sobre as alterações que ele fez na equipa…

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O José rejeita a expressão “portista desde pequenino”, uma vez que até nem nasceu do Porto. Mas rapidamente entendeu que é no norte que se pratica bom futebol. E, como defensor dessa prática, afirma convictamente que o Porto é mesmo a melhor equipa em Portugal.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.