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Saída de Nuno Espírito Santo

João Ferreira · 3 min

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Hoje deu-se a rescisão por mútuo acordo do contrato de Nuno Espírito Santo. Como disse em artigo anterior sou da opinião de que havia mais a ganhar com a permanência de NES do que com o seu despedimento.

A minha opinião assenta principalmente na estabilidade, algo que no FC Porto tem sido menosprezado nos últimos tempos e que com a juventude do nosso plantel se torna algo especialmente necessário. Afinal de contas NES fez coisas boas ao comando do FCP: renascer da mística, respeito do balneário, tornar o Dragão temível etc. Infelizmente o que justifica esta rescisão é o mesmo motivo suscetível de justificar a permanência de NES: necessidade de ganhar títulos num futuro breve. É verdadeiramente uma faca de dois gumes esta questão.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Uma coisa espero que não se confirme: que a decisão tenha sido tomada após a derrota com o Moreirense e por causa desta derrota. Porquê? Porque quem procura sucesso não se pode dar ao luxo de tomar, constantemente, decisões importantes como meio de reação. Decisões como esta devem ser tomadas antecipadamente e como parte de um plano maior. Tomar decisões como reação é sinónimo de ausência de um projeto desportivo a médio/longo prazo e isso ameaça mais o FCP que inexperiência ou a falta de créditos de NES.

A meu ver existem dois rumos que o FCP pode tomar se quer voltar a conquistar o topo do futebol em Portugal: contratar um treinador de créditos firmados em conjugação com uma abordagem forte e cirúrgica ao mercado ou ajustar o modelo desportivo, priorizando o aproveitamento dos emprestados e dos jogadores da equipa B que têm muita qualidade. A primeira exigirá novo esforço financeiro e apenas garante que o FCP conquiste o topo no curto prazo. A segunda exigirá paciência, mas permite um menor esforço financeiro e mais garantias a longo prazo. No caso da primeira só fazem sentido nomes como Villas-Boas, Vítor Pereira, Paulo Sousa ou Jesualdo Ferreira. Substituir NES por nomes menos fortes e manter o foco no curto-prazo resultaria muito provavelmente em fracasso.

Fonte: geralforum
Fonte: geralforum

Na segunda abordagem podem ser considerados nomes como Pedro Martins, Marco Silva ou Paulo Fonseca. Claro que pode ainda haver um caminho entre as duas. Uma abordagem mista em que se procure o título na primeira época sem hipotecar ainda mais a estabilidade financeira do clube. Nessa terceira linha em que limitaria as compras a 1 ou 2 nomes chave e o resto seria aproveitamento vejo fazerem sentido 2 nomes: Jesualdo Ferreira e Pedro Martins.

Para mim só essa abordagem e a segunda das inicialmente anunciadas fazem sentido no novo paradigma do futebol português e na situação financeira em que o FC Porto se encontra. Esta é uma altura em que a direção tem que pensar e saber distinguir entre o interesse do adepto do FC Porto e o que o clube precisa. Pode ser imperioso reconquistar o trono do futebol português, mas isso não pode nunca por em risco a continuidade do clube. Porquê? Porque mais do que os títulos e as vitórias os adeptos amam e precisam é do clube. Gastar mais do que se pode tem que acabar e só vai acabar se o FC Porto tornar a formação uma verdadeira prioridade, capacitando-a e confiando nesta para o fornecimento de talento digno de plantel principal. Sei que muitos dos leitores questionarão a escolha de Jesualdo Ferreira, mas não se esqueçam porque lhe chamam de “Professor”. Poucos desenvolvem jogadores como ele, principalmente no que toca a avançados e a verdade é que duas das melhores gemas que temos para trabalhar são André Silva e Rui Pedro. Além disso Jesualdo Ferreira têm experiência, palmarés e conhece bem a casa. O seu único problema é a idade, pois o treinador minhoto tem 70 anos atualmente. É por aí que surge a possibilidade Pedro Martins.

O atual timoneiro do Vit. Guimarães não tem o palmarés nem os créditos firmados em formar do professor, mas a verdade é que tem uma carreira longínqua e brilhante pela frente e é um dos treinadores mais cotados da primeira liga. Adicionalmente, superou o SCB com um plantel, na minha opinião, inferior, não sendo a primeira vez que prova ser capaz de pouco fazer muito. Isso é, sem duvida, um requisito muito importante para o próximo treinador do FCP.

Foto de Capa: Facebook oficial de NES

João Ferreira

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