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Foi com um onze praticamente renovado que o FC Porto se apresentou em Angra do Heroísmo para defrontar o emblema local, o Angrense. Da equipa utilizada na última partida, frente ao Vitória de Setúbal, sobraram o central Ivan Marcano e o médio Evandro. As restantes nove vagas foram ocupadas maioritariamente por elementos cujo nível de utilização tem sido menor ao longo da temporada – exceção feita para Imbula -, alguns deles, inclusive, em estreia absoluta, como foi o caso de José Angel, Sérgio Oliveira e Victor García.

Apesar das muitas mudanças efetuadas por Lopetegui, o FC Porto que se apresentou nos Açores foi o mesmo que temos visto com o decorrer da época. Quer isto dizer que, mesmo com a segunda linha, a ideia de jogo não mudou. Com uma posse de bola acutilante, movimentos entre linhas desgastantes e através da grande propensão ofensiva dos laterais, os dragões foram cansando o Angrense.

Desde cedo se tornou notório que o emblema açoriano seria presa fácil para os azuis e brancos e que não possuía, nem de perto nem de longe, o mesmo poder de fogo que o visitante.

Osvaldo foi o primeiro a criar perigo, logo aos quatro minutos. Boa subida de Victor García pelo corredor direito, Varela cede a bola ao lateral e este cruza de primeira para o avançado italo-argentino desviar para a baliza. A bola saiu prensada e fácil para David Dinis, guardião açoriano. Seguiu-se Varela. Depois de um pontapé de canto da esquerda, a bola sobrou para o extremo português, que, à entrada da área, disparou para nova intervenção de Dinis. Mas o golo do FC Porto não tardaria.

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Bueno vezes dois

À passagem do minuto 14, Alberto Bueno concluiu da melhor forma um excelente cruzamento da esquerda de José Angél, antecipando-se ao guarda-redes adversário e cabeceando para a baliza deserta do Angrense. O avançado espanhol marcou, assim, o seu primeiro golo em partidas oficiais pelo FC Porto e provou que a fama de homem golo que conduziu à sua contratação não era mito.

O cronómetro foi avançando, e os dragões assumindo o controlo das operações. O meio campo bem montado do FC Porto, com Imbula, Sérgio Oliveira e Evandro, obrigava o Angrense, através de trocas de bola e de posição rápidas, a correr atrás do esférico e o emblema da casa limitava-se a ver jogar.

Bueno esteve em bom plano Fonte: FC Porto
Bueno esteve em bom plano
Fonte: FC Porto

E se a partida já estava difícil, as esperanças dos açorianos caíram por terra ao minuto 40. De novo, Alberto Bueno. Boa jogada de envolvimento do FC Porto, a bola a rodar rapidamente de flanco até chegar ao lado esquerdo, onde Osvaldo, com um excelente cruzamento, descobriu Bueno. O espanhol matou a bola no peito entre os centrais adversários e, num gesto meio acrobático, atirou novamente para o fundo das redes.

O único lance digno de registo do Angrense na primeira parte aconteceu aos 42 minutos. Victor García, que até então tinha conseguido uma prestação consistente, acusou alguma inexperiência e quase deu o golo com uma perda de bola infantil. Valeu Helton com uma excelente intervenção. Seguiu-se o intervalo e na segunda parte a toada manteve-se.

O FC Porto dispôs de duas grandes oportunidades neste segundo tempo, mas David Dinis evitou danos maiores com duas excelentes intervenções. A primeira a um remate de Varela à boca da baliza, e a segunda ao sair aos pés de Evandro, que surgiu isolado e tentou contornar o guarda-redes açoriano.

Com esta vitória os dragões apuram-se para a quinta eliminatória da Taça de Portugal e dão início a uma série de jogos complicada. Este foi o primeiro teste de seis em 19 dias, e o FC Porto passou com distinção. E uma coisa é certa: com uma segunda linha tão entrosada no modelo de jogo da equipa, penso que podemos descansar se Lopetegui recorrer à tão afamada rotatividade que o caracteriza em jogos de menor dificuldade. Com opções como Bueno, há espaço para rodar.

A Figura

Alberto Bueno – Tem sido dos elementos menos utilizados do setor ofensivo do FC Porto, mas hoje provou que merece mais minutos de jogo. O problema inicial seria a falta de um sistema tático adequado às suas características, mas com a partida frente a Angrense tornou-se notório que o espanhol se adapta em qualquer posição. Não só marcou dois golos como voltou a demonstrar pormenores de grande qualidade, quer em termos técnicos, quer em termos de capacidade de passe.

O Fora de jogo:

Evandro – Foi um dos jogadores do FC Porto que passaram mais ao lado da partida. Sérgio Oliveira e Imbula, companheiros de meio campo, assumiram papéis bem mais preponderantes na construção ofensiva do FC Porto. Evandro dispôs de uma grande oportunidade de golo na segunda parte mas, como em toda a sua exibição, manifestou alguma falta de clarividência.
Foi substituído por Herrera ao minuto 65.

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