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Hélton, Ricardo, Reyes, Marcano, Ángel, Rúben Neves, Campaña, Evandro, Adrián, Quintero e Gonçalo Paciência. Todo e qualquer plano que Lopetegui pudesse ter para este jogo, com estes onze, era, ao intervalo, uma miragem. Mas já lá vamos… Do outro lado esteve um Braga que, por dispor de um plantel competitivo e equilibrado, apresentou um onze respeitável, ainda que todo o trio atacante, por exemplo, tenha sido uma novidade – Pedro Santos, Salvador Agra e Zé Luís.

O jogo arrancou com dois infortúnios: Adrián ‘rompeu’ logo à passagem do minuto 5 e foi substituído por Tello; Aderlan Santos, o central bracarense, saiu também lesionado na madrugada do jogo, tendo entrado para o seu lugar o seu habitual colega de eixo central defensivo, Ivo Pinto. Mesmo com muitas novidades, a estrutura táctica do Porto foi a habitual: assente num 4-3-3, Rúben Neves vestiu a pele de pivot defensivo, com Evandro e Campaña numa linha mais adiantada do terreno. À frente, Quintero a partir da direita para o centro, Tello pela esquerda e Gonçalo Paciência a “fazer de” Jackson.

O FC Porto até entrou bem no jogo mas não deixou de sentir calafrios: a posse de bola permitia dominar a partida mas não controlá-la e prova disso foram duas defesas apertadas de Helton nos primeiros 10’. Na verdade, os dragões apresentaram capacidade de circular a bola, assim como a habitual preponderância para atacar pelos corredores, porém sempre com um défice de verticalidade no seu futebol. Sempre que tinha oportunidade, fruto de uma pressão mais efectiva ou de alguma desconcentração portista, o Braga roubava a bola e saía em contra-ataques tão rápido quanto possível. Daí as intervenções de Hélton. O mesmo que soube oferecer um upgrade ao jogo portista: com ele a primeira fase de construção de jogo é mais segura, mais fiável, em suma, com outra qualidade.

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Antes de ser expulso, Evandro marcou o golo do FC Porto
Fonte: fcporto.pt

No melhor momento portista o golo surgiu: Ricardo (mais uma vez defesa direito) cruzou à procura de Gonçalo Paciência e este apenas não chegou porque, salvo melhor opinião, foi empurrado pelo adversário. Penalty e conversão do mesmo por Evandro. 0-1 favorável ao FC Porto aos 23’ – cinco minutos antes da tarja “Obrigado, Custódio” ser erguida por uma franja de adeptos bracarenses, em jeito de despedida em relação a um dos esteios da equipa minhota dos últimos anos.

28’ é também o minuto em que Diego Reyes viu o primeiro cartão amarelo, sete minutos antes de ver o segundo – a expulsão, face às entradas imprevidentes do defesa mexicano, até se aceita. Isto, claro, se Cosme Machado soubesse o que é coerência. A partir desse momento, o árbitro da Associação de Futebol de Braga (para os puritanos que adoram estes detalhes …) perdeu o auto-controlo e, com isso, fez o jogo entrar numa espiral de acidentes e incidentes, prejudicando o bom espectáculo que, até então, estava a acontecer na Pedreira. Numa atitude pouco inteligente, Evandro também contribuiu para o cenário negro ao pontapear uma bola que se encontrava junto ao corpo de um jogador bracarense – Cosme Machado interpretou como sendo uma tentativa de agressão e sentenciou a segunda expulsão do jogo aos 42’, ficando o FC Porto reduzido a 9. Tudo somado, dos tais onze iniciais, Lopetegui já só tinha sete em campo – para além dos já referidos, saiu também Quintero para a entrada de Indi, permitindo, assim, recompor o espaço defensivo central.

Com tamanho condicionalismo, o FC Porto viu-se obrigado a fazer o jogo possível: fechado atrás, dispôs-se num 4-4-0, com Tello e Gonçalo Paciência a fecharem as alas (trabalho para o qual não estão claramente talhados) e com Campaña e Rúben Neves a neutralizarem o espaço central (belíssimas exibições de ambos). Havia, no entanto, terreno a mais para cobrir e o Braga – definitivamente voltado para o ataque após a troca de Baiano por Rafa – acabou por lograr chegar ao golo, por intermédio de Alan, através da conversão de uma grande penalidade no mínimo discutível. O jogo estava a fugir das mãos do FC Porto e Lopetegui, percebendo-o, lançou Herrera por troca com Gonçalo – foi, então, a partir daqui que os dragões deixaram simplesmente de defender. Mesmo que a (tal) coerência de Cosme Machado se tenha esquecido de aparecer para expulsar Tiago Gomes aos 58’…

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Campaña esteve a um bom nível no jogo da Pedreira
Fonte: fcporto.pt

Com a entrada de Éder para o lugar de Sasso – outro que, pela tal coerência, já devia ter saído deste rescaldo mais cedo … –, o Braga ganhou ainda mais presença na área e isso foi-se notando a partir do momento em que o jogo ganhou uma outra dimensão aérea e de luta pelo espaço. Foi desse modo, aliás, que Zé Luís esteve perto de fazer o 2-1, num canto em que a marcação portista foi deficiente. Ainda que cada vez mais desgastado (Rúben Neves, por exemplo, fez o último quarto de hora ao pé coxinho), o FC Porto, talvez por sentir que a sua muralha não ia ser destronada, sentiu-se também mais confiante: nos poucos momentos em que tal lhe era possível, soube manter e gerir alguma posse de bola, sendo que Herrera foi preponderante na forma como a conseguiu transportar desde a linha defensiva até terrenos mais avançados, surgindo ainda Campaña como um elemento de grande intensidade, capaz de ofertar linhas de passe e de recuperar rapidamente no momento da perda. Nos últimos dez minutos da partida o FC Porto teve duas oportunidades flagrantes para vencer a partida, momentos inventados por Herrera e José Ángel e deficientemente finalizados por Tello e Campaña, respectivamente. E que tão penalizadores poderiam ser…

… Não houvesse o regressado Hélton na baliza portista. O FC Porto lutou, segurou e aguentou até ao final um resultado que lhe acaba por ser favorável, tendo em conta o que o jogo lhe trouxe: imensos dissabores. Demasiados. Mas que pode ter sido o toque a reunir ideal para uma equipa que está ainda a construir-se e a crescer. E que deve aproveitar a noite de hoje para reforçar o orgulho em si própria.

 

A Figura

Hélton – Aos 36 anos, esteve 10 meses parado. Olhou para a Pedreira e inspirou-se – falhou duas abordagens aparentemente simples e depois partiu para uma exibição imaculada. Pedro Santos, Zé Luís e Alan fartaram-se de tentar até… desistir. A defesa com o pé no último suspiro da partida é monstruosa e demonstra que o Capitão está de volta por inteiro. O cavaquinho ainda vai ter de esperar; a baliza é o habitat do #1 portista.

O Fora-de-Jogo

Cosme Machado – Más decisões, critério disciplinar incoerente e incapacidade total para lidar com as exigências de um jogo muito intenso. Estragou o espectáculo.

Foto de capa: fcporto.pt

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