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Vencer era a palavra de ordem na deslocação do FC Porto a Braga. Depois do triunfo do SL Benfica em Alvalade, no passado sábado, os dragões estavam obrigados a vencer para se manterem ligados à luta pelo título. Com um onze muito remodelado face à equipa que atuou frente ao Gil Vicente a meio da semana, nota, acima de tudo, para a alteração estratégica promovida por José Peseiro a nível de meio campo. A inclusão de mais um elemento nesse setor do terreno, do lado do FC Porto, e a aparição do duplo pivot Mauro-Luiz Carlos, do lado arsenalista, deixavam adivinhar um jogo maioritariamente tático e extremamente dividido no miolo.

E foi, de resto, isso que se verificou. As duas equipas entraram em campo em missão de reconhecimento e muito encaixadas taticamente. O FC Porto, teoricamente favorito, assumiu o controlo das operações – destaque para Danilo, que controlou todos os processos – e não tardou até chegar à primeira grande oportunidade de golo. Aos seis minutos de jogo, Suk desviou ao primeiro poste um cruzamento de André André e obrigou Marafona a uma excelente intervenção.

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Estava lançado o primeiro aviso dos dragões, que pareciam entrar na partida com ganas de vencer. Mas foi, como se diz na gíria popular, sol de pouca dura. Até aos 24 minutos, altura em que Brahimi enviou o esférico ao poste, na sequência de um livre, o jogo caiu no desinteresse e no marasmo. Daí até ao intervalo, há a registar duas situações: uma bola ao ferro enviada por Hassan, na sequência dum chapéu a Casillas, seguida de duas recargas travadas por Maxi e Ruben Neves, e a expulsão de José Peseiro no mesmo lance. O técnico portista reclamava uma falta no início da jogada que precedeu a oportunidade de golo do Sp. Braga e acabou por receber ordem de expulsão de Carlos Xistra.

Os ânimos exaltados na zona dos bancos tiveram o seu reflexo no retângulo de jogo, visto que ambas as equipas perderam a sua capacidade organizacional e o jogo entrou numa fase de correria desenfreada. A chegada do intervalo não podia ter sido, portanto, mais pertinente. Nesta altura, o nulo justificava-se face ao que se assistiu durante a primeira parte.

Na segunda parte, o Sp. Braga surgiu diferente dos balneários. Com mais bola e uma pressão mais acutilante à saída de jogo do FC Porto, os arsenalistas encontraram a fórmula mágica para tornar o jogo desconfortável para os dragões. Prova disso é que os azuis e brancos, necessitados de ganhar, durante um largo período de tempo foram incapazes de incomodar Marafona.

Aliás, a primeira equipa a chegar ao golo foi mesmo o Sp. Braga, num lance em que Ivan Marcano não podia ter ficado pior na fotografia. O central espanhol atrapalhou-se com a bola e acabou por escancarar as portas do golo a Hassan, que na cara de Casillas não perdoou e aproveitou para inaugurar o marcador, ao minuto 71.

Rafa voltou a ser importante nos arsenalistas Fonte: SC Braga
Rafa voltou a ser importante nos arsenalistas
Fonte: SC Braga

Quando se esperava uma resposta brava do FC Porto, foi mesmo o Braga que voltou a criar perigo. Uma falha de comunicação de Bruno Martins Indi e, novamente, Marcano, isolou Rafa que, não fosse o poste, podia ter dilatado o marcador e encerrado as contas da partida.

Os dragões reagiram e chegaram ao empate, num ato de desespero. Herrera na cara de Marafona, permitiu a defesa ao guardião arsenalista, mas Maxi surgiu na recarga e empatou as contas aos 86 minutos. Previa-se um final louco de jogo, com os dragões a perseguirem a vitória tal como acontecera contra o Moreirense, mas, daí até ao fim, a história é fácil de contar. O contra-ataque do Braga revelou-se letal e, em duas ocasiões, os minhotos venceram a partida. Rafa, aos 89, fez o 2-1 num desvio ao segundo poste e Alan, aos 90+4, aproveitou uma saída inacreditável de Casillas para fazer o resultado final.

Com este resultado, as contas do título complicam-se. Ao não aproveitar o triunfo do rival Benfica em Alvalade, o FC Porto perdeu a oportunidade de encurtar a distância para o topo da classificação para três pontos e está agora a seis dos encarnados, que lideram o campeonato.

Os dragões podem mesmo ter-se despedido da conquista da liga, pela terceira época consecutiva. Mas este é um fim de época expectável, tendo em conta a má gestão e o terrível planeamento levado a cabo pela direção portista. Os desiquilíbrios do plantel, nomeadamente a falta de opções no setor defensivo, o prolongamento excessivo do dossiê Lopetegui e a contratação tardia de um novo técnico são detalhes que agora começam a fazer a diferença.

A nove jornadas do fim, o campeonato ficou reduzido a dois candidatos. Mas por tudo o que se avizinha e por tudo o que se tem visto, adivinha-se tri-campeão. Quanto ao FC Porto: para o ano há mais.

A Figura:

Paulo Fonseca – Ganhou a partida na estratégia que montou antes da partida. Soube anular o jogo do Fc Porto e mexeu com astúcia na equipa. Não serviu no comando técnico dos dragões, mas está a fazer um excelente trabalho ao leme dos arsenalistas.

O Fora de Jogo:

Carlos Xistra – Nunca, em qualquer texto anterior, fiz referência a árbitros por não querer justificar maus resultados com questões secundárias como essa. No entanto, a atuação do árbitro de Castelo Branco foi medonha e fez dele protagonista. Quem assiste aos tristes espetáculos proporcionados por Jorge Jesus e ao seu desrespeito gritante pela área técnica, não pode fazer outra coisa que não rir-se com a expulsão de José Peseiro. Isto para não falar da grande penalidade por assinalar sobre Suk e no vermelho mostrado a Bruno Martins Indi, que são duas decisões risíveis e inexplicáveis. Uma prestação assustadoramente condicionante por parte de Xistra, que volta a deixar a nu o estado da arbitragem em Portugal.

Foto de capa: SC Braga