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Paulo Fonseca tem um plantel extraordinário. Experiência e juventude, técnica e táctica, são todas palavras facilmente adaptáveis a vários jogadores do plantel portista. Ter talento parece não bastar, o que importa para o treinador do Porto é seguir ideias fixas emanadas da sua experiência em clubes de fraca dimensão. Não quero nem vou analisar o jogo da Luz a um nível muito aprofundado, pois é algo que seguramente já foi feito (e porque me custa falar do mesmo de uma forma racional). Quero apenas abordar factos considero útil realçar.

Antes do apito inicial, a homenagem a Eusébio / Fonte: Lusa
Antes do apito inicial, a homenagem a Eusébio / Fonte: Lusa

2 joke(r)s no onze do Porto
A semana passada previ uma defesa com Maicon em vez de Otamendi e um trio atacante sem Licá (com Josué, Kelvin ou Quaresma). De resto, acertei (era fácil prever).

Otamendi mostrou o que recentemente tinha vindo a fazer. O jogador argentino falha passes como ninguém, facilitando contra-ataques às equipas adversárias. Um central que ambiciona ser chamada à selecção argentina para ir o Mundial no Brasil não pode jogar assim e, com a concorrência de Maicon e Reyes, é incompreensível que tenha voltado a ser titular. Outrora achava-o melhor do que Garay (que nunca achei um excelente central) porque efectivamente o mostrava em campo, agora é impossível sequer comparar os dois jogadores. Otamendi tem que voltar a ser o que era. Não entendo se o que lhe falta é motivação para continuar no clube ou não. Se é, parece-me bastante bem que seja encontrada uma excelente equipa europeia para ele.

Um pouco mais à frente, Licá mostrou o porquê de tantos adeptos criticarem a sua permanência no onze portista. Não é que jogue necessariamente mal ou que não se esforce, mas efectivamente é muito limitado para uma equipa como o Porto, começando já a ser incompreensível esta aposta de Paulo Fonseca, tendo no banco jogadores como Kelvin, Quintero, Josué e Quaresma, que chegou mais recentemente. Jogar com o jogador português não é o mesmo que jogar com 10, mas é jogar com um elemento que na posição onde está deveria desequilibrar e não apenas pressionar defesas laterais.

Apatia de Fonseca
Foi notória a aceitação do treinador quanto ao resultado que se verificava em campo. Um treinador do Porto, na Luz, não se pode conformar com o jogo, muito menos com a exibição fraquíssima que a equipa teve em muitos momentos ou com o rendimento individual de um ou dois jogadores. Como já tive oportunidade de dizer, Paulo Fonseca não é treinador do Porto, é apenas um treinador que calha estar no Porto num dado momento. No último Domingo isso verificou-se pela atitude pobre e mansa de alguém que continua sem saber o que fazer. As substituições eram previsíveis e nem acho que tenha sido nesse aspecto que falhou, mas sobretudo a entrada de Ricardo Quaresma deveria ter sido antecipada para o intervalo do jogo, onde ainda tudo estava em aberto.

Paulo Fonseca esteve apático na Luz  / Fonte: Lusa
Paulo Fonseca esteve apático na Luz / Fonte: Lusa

Arbitragem
Quem me conhece sabe que não gosto de falar de arbitragens. Como disse Leonardo Jardim, “os três grandes são normalmente mais beneficiados e seria uma hipocrisia estar a falar de arbitragens”. Revejo-me nas palavras do treinador sportinguista. Se o Porto tivesse feito um jogo fenomenal e tivesse sido o único prejudicado em campo, possivelmente criticaria Artur Soares Dias, mas o árbitro português não o fez. Conseguiu até certo ponto adiar a mostragem de cartões amarelos (em lances para ambas as equipas), mas a certa altura começou simplesmente a distribui-los, sobretudo a jogadores do Porto. Não viu duas grandes penalidades (para ambos os lados), nem sabe o que é a lei da vantagem, mas o erro que mais incrédulo me deixou foi o segundo amarelo a Danilo. Não faz qualquer sentido dar amarelo a um jogador que cai na área, mesmo não sendo penalty, numa ocasião em que é normal dar-se um desequilíbrio – pela mesma razão teria que mostrar cartão a todos os outros jogadores que caíram quando não foi assinalada falta, e não o fez.

Foi uma arbitragem negativa, que começou com uma boa atitude (de deixar jogar e de não estragar o jogo com cartões amarelos), mas acabou num clima autoritário de alguém que parece querer marcar uma posição quando o jogo não teve sequer muitos desentendimentos (à excepção de Quaresma com Markovic e de Jackson com Maxi Pereira).

Estreia de Ricardo Quaresma
Não está gordo, nem está pesado, não vai a medo à bola e arrisca as jogadas. Falta-lhe ritmo, o que é evidente, mas dada a altura em que entrou (exactamente durante os festejos do 2ºgolo do Benfica), com uma equipa que andava perdida em campo, teve uma estreia positiva, mostrando a agressividade que o caracteriza e os toques de génio de sempre (isolou Jackson com uma trivela antes do meio-campo depois de ter ultrapassado um jogador na tal jogada da lei da vantagem). A sua entrada, ainda que surpreendente, deveria ter sido feita ao minuto 0 da partida, onde se poderia adaptar ao jogo. Desta forma acabou por apostar em demasia nas jogadas individuais. Não tenho, contudo, a menor dúvida de que mais jogo, menos jogo será titular absoluto neste Porto: o Harry Potter está longe de estar acabado.

Aproveito ainda para criticar o facto de o jogador estar “certo” no Porto desde Dezembro, e disponível para jogar desde os primeiros dias Janeiro, e mesmo assim o seu certificado não ter chegado antes do jogo do Atlético, que certamente teria permitido ao jogador uma estreia mais tranquila e porventura ganhar desde logo um lugar no onze frente ao Benfica. Não se entende, assim, que um clube reconhecido pela sua gestão eficaz e eficiente não ter feito os possíveis para que um certificado tivesse chegado dias mais cedo.

Quaresma fez o que pôde e o que a equipa lhe permitiu  / Fonte: Lusa
Quaresma fez o que pôde e o que a equipa lhe permitiu / Fonte: Lusa

Adeptos do Porto
Ansiosamente, falava-se na forma como os adeptos do Porto (especialmente os SuperDragões) iriam reagir ao minuto de silêncio em homenagem a Eusébio. É verdade que se ouviram alguns gritos menos positivos vindas da bancada, mas na generalidade o momento foi respeitado, não se ouvindo cânticos durante aquele doloroso minuto, dando origem até a um estranho mas positivo elogio por parte de Luis Filipe Vieira. Já durante o jogo, e mesmo a perder por 2-0, foram audíveis os cânticos de apoio à equipa, o que só mostrou um apoio incondicional a jogadores e treinador.

Ausência de Quintero
Juan Quintero passou de possível nova estrela da equipa a jogador não convocado para o clássico. Passou de jogador que ambicionava jogar no Porto a jogador que quer é ir para outro lado qualquer jogar – apenas isso, jogar -, porque no Dragão não o deixam. O Porto era conhecido por formar jogadores (no sentido em que não os criava, mas os desenvolvia numa fase posterior aos escalões de formação), hoje são esbanjados milhões para os desperdiçar. Primeiro foi Iturbe, agora é Quintero. É incompreensível a má gestão de Vitor Pereira e, agora, de Paulo Fonseca destes jogadores. Na apresentação do plantel, o argentino era o 7 e o colombiano o 10. Actualmente existe um novo 7 e o 10 foi apagado das convocatórias.

Impacto emocional
Este era um clássico diferente. Mais do que um clássico entre as duas melhores equipas portuguesas, era mais uma homenagem a Eusébio. O ambiente seguramente motivou os jogadores do Benfica mas nem isso, nem a arbitragem são desculpas para um Porto medíocre, que desde logo assumiu querer ganhar o jogo, mas que nunca provou conseguir fazê-lo. Não sei quais as consequências desta derrota, só sei que desde logo o Porto está a 1 ponto do Sporting e a 3 do Benfica. Algo tem mesmo de mudar e, verdade seja dita, a saída de Paulo Fonseca não é de todo um cenário realista, pois Pinto da Costa nunca foi apologista de despedimentos a meio da época. O que espero é que Quaresma comece a ser titular: esse será um bom primeiro passo para começar a justificar o preço dos bilhetes aos adeptos.

O impacto emocional desta derrota na equipa é uma incógnita  / Fonte: Lusa
O impacto emocional desta derrota na equipa é uma incógnita / Fonte: Lusa

P.S.: Não podia deixa de referir a Bola de Ouro, entregue no dia de ontem ao melhor jogador do Mundo, Cristiano Ronaldo. É seguramente o melhor português que vi jogar e tenho a certeza de que vai bater todos os recordes, nacionais e internacionais, que existirem para bater. Muitas vezes foi criticado, mas hoje todos o defenderam (se não o fizeram, não merecem sequer festejar um golo seu no Mundial) pelo orgulho que todos temos nele. Provou ser o melhor, provou dar tudo por Portugal, e o momento em que foi “coroado” será recordado para a eternidade por todos os portugueses. Parabéns, Ronaldo, e Obrigado!

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