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Há coisas que nunca mudam, tendem a repetir-se uma e outra vez. O Porto deste ano parece assustadoramente seguir o mesmo caminho do ano passado – um começo promissor com uma quebra a meio da época.

É difícil encontrar uma explicação que não resida em Lopetegui, mas os jogadores deixam transparecer outro motivo mais: falta de espinha dorsal. As quebras são normais, mas o Porto não tem recuperado dessas baixas de forma, o que é preocupante.

Há problemas que o Porto apresenta que já não são de agora, sendo os mais visíveis a distância a que se joga da baliza, a falta de penetração na grande área e a consequente escassez de oportunidades de golo. Tudo junto resulta numa equipa que tem dificuldade em marcar golos e criar perigo através de jogadas colectivas. Os dragões vão, no entanto, disfarçando estas dificuldades quando jogam em casa. O sentimento de quem joga perante o seu público é galvanizador e só isso faz com que o Porto disfarce os problemas mencionados. Já quando é visitante a equipa simplesmente joga mal, tem uma dificuldade de progressão desesperante e não mostra ter força suficiente para enfrentar o adversário de menor capacidade.

A conclusão a que chego é que falta força anímica aos azuis e brancos. Tal como no ano passado, assim que surgem pedras no caminho a equipa entra em espiral recessiva. Não quer dizer que se percam os jogos todos em catadupa mas é notória a falta de coesão e força. Quando um plantel atinge este estado só mesmo o trabalho táctico pode dar fio de jogo à equipa, no entanto, vemos que em Dezembro ainda há jogadores que parecem perdidos e que continuamos a ser aborrecidamente previsíveis. A falta de André André que com a sua energia abria linhas de passe (tal como Oliver na época transacta) também não tem ajudado à situação, e a constante rotação dos jogadores faz com que ninguém cimente confiança no seu jogo.

Maicon
Maicon

O que se vai saber daqui para a frente é se estes jogadores aguentam a pressão, se conseguem reagir sem quebrar ainda mais (como o Porto sempre fez durante anos a fio), e o que se espera de Lopetegui é que faça uma análise sobre as semelhanças desta quebra com a do ano passado e que tenha a humildade de mudar o que está mal. Os dragões estão numa situação de maior pressão do que os seus adversários: o Sporting ainda está (supostamente) em recuperação, e o Benfica tem tentado diminuir as despesas que tinha com o futebol. De nós, e após dois anos sem o campeonato, não se espera nada menos do que o título. Mais uma vez será que temos jogadores com falta de força anímica?

O sentimento dos portistas e a razão das queixas é que todos nós já vimos este filme e foi há pouco tempo. As nossas contratações foram para ganhar o campeonato, foi uma aposta na recuperação do que tem de ser nosso. E quanto a esta reconquista do título, no final do ano veremos se há dirigentes e estratégias ultrapassadas. Parece que a nossa falta de euforia (que leva a duvidar das nossas capacidades) contrasta com excessos de outros lados, onde já se descobriram os melhores dirigentes, melhor jovens jogadores… Lá para Maio será tudo posto em pratos limpos.

 

Imagens: FC Porto

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