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Com a já mais que anunciada ausência do astro argelino na deslocação à Madeira, com vista ao embate diante o União local (naquele microclima bem rigoroso que impediu o Benfica de jogar 24 horas depois…), Julen Lopetegui tem menos uma dor de cabeça naquilo que é a escolha os jogadores que ocuparão as faixas laterais mais ofensivas da equipa azul-e-branca: Corona avança de caras do banco ao protagonismo, e a única dúvida prende-se no jogador que fará companhia ao mexicano no apoio a Aboubakar. Tello, Varela ou Bueno? Vamos por partes:

Tello: O espanhol, que surge no dia de hoje ligado a um possível mas difícil regresso ao Barcelona, que ainda se encontra a cumprir um castigo de contornos estranhos que impedem os culés de contratar jogadores com determinadas características (que desconheço, diga-se); em Espanha diz-se que o regresso do extremo seria visto com bons olhos pelo timoneiro Catalão.

Com as paupérrimas exibições apresentadas esta época, por mim, que vá! É o típico jogador “arrogante” em campo: joga pouco para a equipa, tem medo de ir ao choque e só joga quando a equipa joga. Nunca se destaca, nunca é um “abre-latas”, como a equipa bem precisou recentemente com o Braga e Tello foi… menos um.

É o conhecido jogador “bola para a frente e fé em Deus” (até eu, na minha condição de ateu, utilizo esta expressão com ele!). Não duvido de que possa ser um jogador muito útil em equipas que defendem com 10 e precisem de rapidez para o contra-ataque, mas não demonstra ser um jogador capaz de jogar numa equipa de ataque posicional, onde a paciência para penetrar a teia defensiva adversária e a circulação rápida é o essencial.

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Desiludiu-me muito este jogador que, rotulado como estrela à chegada ao Dragão, ainda não se impôs nem conseguiu sequer ser uma escolha que dê garantias ao treinador/adeptos. Posto isto, só espero que Lopetegui não volte a cair no erro de lançar este jogador, garantindo assim uma substituição forçada num campo sempre complicado. Ainda assim, espero estar enganado e quando vejo o extremo jogar penso no 3-0 ao Sporting a época passada!

Tello tarda em aparecer Fonte: Facebook oficial de Cristian Tello
Tello tarda em aparecer
Fonte: Facebook oficial de Cristian Tello

Varela: Parecendo não entrar, de todo, nas escolhas do técnico dos Dragões, este jogo poderá trazer algumas surpresas, como vermos o português de novo a merecer uma chamada ao 11 inicial.

O extremo que, diga-se, teve o seu grande momento da época quando saltou do banco para assistir André André no golo que deu os 3 pontos frente ao Benfica, em tempos fez parte de um destaque no sítio oficial da UEFA, a par de Hulk e Falcao, sendo intitulados como “trio de Ouro”, na fabulosa época das sucessivas vitórias de Villas-Boas a Jesus (ai o 5-0…) e que culminou com 4 títulos oficiais: Supertaça Cândido de Oliveira, Campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa.

É esse o Varela que eu não quero esquecer, o jogador “invisível” mas que tacticamente é precioso nas compensações que faz (quer interiores ou exteriores, ofensivas ou defensivas). Gostaria de ver actuar mais vezes este Varela, que em tempo era o “abre-latas” da Selecção Nacional que, com Paulo Bento, às vezes não fazia golo com Cristiano Ronaldo, Quaresma e Nani e lá tinha de vir o “patinho feio” Varela fazer o golinho da vitória. Ainda assim, e se o leitor passou os olhos no meu rescaldo sobre o jogo com o Braga do passado domingo, gostaria de que o meu timoneiro optasse pela sua contratação pessoal do ano…:

Bueno: O jogador espanhol, perfeito desconhecido do futebol Português e que o ano passado foi o humano com mais golos da liga espanhola, só atrás dos extraterrestres Ronaldo e Messi, chega ao Dragão rotulado como aposta pessoal de Lopetegui, com o qual trabalhou no Castilla (equipa b do Real Madrid) antes de rumar a outras paragens.

Com uma pré-época onde actuou em todas as posições do ataque, até à chegada de Osvaldo era visto como a grande opção caso Aboubakar não estivesse disponível. Contudo, é em terrenos mais recuados que se sente mais confortável pois é um jogador forte a explorar o espaço entrelinhas e com uma boa capacidade de finalização ao primeiro toque. Como também já disse num anterior texto de pré-época, Bueno faz-me lembrar o estilo de jogo do mítico Raul, e em Espanha existe quem me dê razão no que toca a essa opinião.

Claro que se Bueno jogar de início (o que espero, sinceramente), o Porto terá forçosamente de alterar a sua forma de jogar, mas tendo de volta Maxi – dono e senhor de todo o corredor direito – não seria de estranhar ver o espanhol a arrastar sucessivamente o defesa lateral madeirense para zonas interiores e libertar a linha para o uruguaio, entrando assim na sua zona de conforto: o tal espaço destinado ao jogador “9,5 – 10” de que costumo falar.

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Quem irá substituir o argelino?
Fonte: Facebook oficial de Brahimi

Posto isto, apostaria no seguinte 11 frente à equipa madeirense: Casillas; Maxi, Marcano, Indi e Layún; Rúben Neves, Imbula e André André; Bueno, Corona e Aboubakar. Este seria o onze, seguindo, “no papel”, o esquema táctico de Lopetegui (4-3-3). Porém, pelo que estes jogadores podem dar à equipa e tendo em vista os grandes jogos que André André fez quando jogou encostado a uma das faixas (com o ponto alto no jogo com o Chelsea), se eu fosse técnico do Dragões, seria mais arrojado e jogaria no seguinte esquema táctico: 4-2-3-1, à imagem de como acabou com o Braga, mas com intérpretes diferentes e que melhor entendem esta forma de jogar. O guarda-redes e a defesa seriam os mesmos; Rúben Neves jogaria mais posicional com Imbula numa espécie de “box-to-box” e Bueno solto na frente dos dois médios, no tal espaço entrelinhas; Corona seria o “vadio” da equipa, deambulando pelos flancos e André faria os equilíbrios necessários, quer do lado de Maxi quer do lado de Layún, como tão bem fez contra o Chelsea. No ataque, pois claro, Aboubakar.

Não sabendo o que vai na cabeça do meu treinador, só espero não ver invenções de maior, como manter Cissokho ou Tello a titulares e o mais fundamental: trazer os 3 pontos e esperar o deslize do Sporting!

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