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Com o rufar dos tambores que anunciava o encerramento do mercado de transferências, os adeptos do Futebol Clube do Porto puderam suspirar de alívio, por não verem uma incursão de última hora de nenhum clube por Jackson, Danilo, Alex Sandro ou Herrera. Mas suspiraram igualmente por não verem chegar aos rivais (principalmente ao Benfica, que era o clube que mais necessitava) um jogador de topo, um avançado de 20 golos ou um central que garantisse não deixar fugir pontos (estilo Garay ou Rojo). Todavia, isto trouxe também uma maior responsabilidade ao reino do Dragão: não temos desculpa se não formos campeões!

Analisando os onze-base dos três grandes do futebol português, creio que é uma questão de senso comum afirmar que a equipa do norte tem mais qualidade, mais opções e mais dinâmicas de jogo do que os seus rivais de Lisboa. É o conjunto que melhor defende, que melhor troca bola e que melhor decide qual o melhor momento do jogo para pressionar ou esperar pelo adversário. Peca ainda na desafinação no momento de fazer o último passe para finalização (algo natural numa equipa toda renovada), isto é, às vezes parece que a equipa quer entrar dentro da baliza com a bola… Não pense o leitor que com isto estou a desvalorizar o Benfica ou o Sporting, nada disso: as águias só podem melhorar com a inclusão de Júlio Cesar e Sílvio, tendo ainda Cristante (que sinceramente não conheço, mas de quem se espera muito), sendo que me parece evidente a falta de um ‘homem de área’; já os leões mantiveram a estrutura da época passada, aguentaram William e Slimani (os dois maiores reforços do defeso) mas a defesa tem transparecido alguma ‘tremideira’ quando pressionada (Sarr tem potencial mas não é, de todo, Rojo).

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“Eu fico”, afirmou Jackson, para descanso do universo portista
Fonte: madeirafutebol.com

É por tudo isto que acho que o FC Porto está mais capaz de lutar pelo título, e tem de o assumir! Manter a matriz de jogo até então demonstrada, incluir Aboubakar e Otávio aos poucos para assimilarem processos de jogo e ser mais assertivo na hora de fazer o último passe é fundamental para que realmente esta equipa trilhe o caminho do sucesso. Não será um campeonato ganho “a passear”, por certo… E por isso espero ver estes (maioritariamente) jovens jogadores a saberem o que é ser Dragão, o que é sentir a responsabilidade de representar um clube, em termos de vitórias recentes, a anos-luz dos outros.

Ao dizer isto, devo também confessar que não estou igualmente confiante numa grande campanha europeia (espero estar enganado!), uma vez que a pressão da liga milionária pode trazer problemas a certos jogadores preponderantes mas ainda jovens e inexperientes nestas andanças (Fabiano, Indi, Neves, Brahimi ou Óliver).

O optimismo é algo de que sempre fui partidário, mas o realismo também… E temos de estar precavidos para tudo, caros portistas! Devemos saber que o nosso primeiro e real objectivo é voltar a conquistar o ceptro que nos pertenceu meritória e maioritariamente nos últimos longos anos: o de campeão nacional! Tudo o que vier a mais será, portanto, muito bem-vindo (Champions, Taça de Portugal ou até mesmo a Taça da Liga)!

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Neste inicio de temporada, Maicon tem estado em plano de destaque
Fonte: campeoesfcporto.blogspot.com

Por último, devo também deixar aqui o meu mea culpa em relação às críticas que teci a Maicon num texto anterior. Parece que o central brasileiro leu o que escrevi e ganhou uma maturidade que até então não demonstrava. Tem sido um jogador de 90 minutos sem falhas de concentração, tem evitado protagonizar os passes longos que tanto o caracterizavam (pela negativa) e está a ser uma autêntica “torre de menagem” no castelo defensivo dos azuis-e-brancos, com Indi a ser um soldado de primeira linha, e tanto Alex Sandro como Danilo a tomarem conta das travessias entre defesa-ataque, sendo que a baliza, à guarda do Rei Fabiano (sim, admito o exagero nesta parte da analogia), tem sido um autêntico túmulo impenetrável, que assim espero que continue!

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