atodososdesportistas

Com a Champions à porta e um adversário que é considerado um dos “top3” da Europa, que chances tem o Futebol Clube do Porto de ter sucesso, ainda para mais sem dois dos seus melhores jogadores?

Quando falo em “dois dos melhores jogadores”, falo em Marcano e Tello. Vamos por partes.

Tello, até ao momento da lesão, era um jogador que se estava a tornar naquilo que lhe faltava ser: goleador. Desde o início se percebeu que o extremo era um jogador veloz e que aparecia muito bem “no espaço”, criando situações de 1×1 com o guardião adversário. Porém, decidia mal, talvez pelo desgaste que as suas acções ofensivas lhe causavam. Esse Tello mudou, e para melhor. O jogo com o Sporting (3-0 no Dragão) foi a afirmação de uma ascensão que já se vinha acentuando: fez os 3 golos, uma exibição de luxo e ganhou a Quaresma a corrida pela “ala solta” da equipa azul-e-branca (e atenção que Quaresma parece não a querer largar mais agora que a voltou a recuperar). No jogo diante do Bayern de Munique, Tello era, para mim, a maior ameaça ao conjunto germânico. Porquê? Este Bayern é uma equipa que joga em modo experimental, que está demasiado “ligada” a Jupp Heynckes e demasiado desligada das ideias de Guardiola (a equipa, com o espanhol, ou é uma máquina demolidora, ou vai-se arrastando, mas ganha pelas estrelas que tem). A juntar a isto, dentro da “perfeição imperfeita” que molda esta equipa, a sua transição defensiva é o seu ponto fraco (se é que se pode apontar algum). Com os laterais a subirem como extremos e um enorme mas lento médio defensivo (Xavi Alonso), Tello era a chave para o jogo: contra-ataque. Embora o Porto jogue olhos nos olhos com quem quer que seja, não podemos esquecer que tem pela frente uma equipa com outro tipo de argumentos; e Muller, Robben, Ribery ou Lewandowski não são exactamente o mesmo que Quaresma, Brahimi, Óliver ou Aboubakar. Mas são quase o mesmo, acreditemos! A actual forma fantástica de Ricardo Quaresma deixa-me expectante (tendo em conta a má forma de Brahimi), mas a velocidade do “ciganito” não é a mesma que a de Tello, e, neste confronto da Champions, penso que a chave do “vamos acreditar” seria desvendada através da velocidade do espanhol. Mas não está, não está!

– Marcano, o “engenheiro de energias renováveis”, é, de momento, o melhor central a jogar em Portugal. Isso diz tudo. Uma contratação “caída dos céus” e que tem dado muitas alegrias. Não me alongarei muito pois já falei do central no meu texto anterior (que convido o leitor a ler). Uma visão de jogo soberba, um tempo de “tackle” fantástico e uma qualidade a sair a jogar como não se via há muito no Dragão. É um jogador que pode não cair “nas graças” dos adeptos a nível de carisma como, por exemplo, Ricardo Quaresma, Helton ou Jackson caem, mas é de igual importância na equipa azul-e-branca. Não pensem, porém, que não confio em Indi e Maicon para o embate. Até em Reyes! Apenas Marcano tem mais qualidade e uma coisa importante: é alto, mais do que Indi. O Holandês, dentro dos seus 1,84cm, ainda fica a 5cm dos 1,89cm de Marcano, e isso, parecendo que não, faz diferença – ainda para mais com um Lewandowski de 1,85cm e com uma impulsão “à Jardel” (mas espero que os 1,91cm de Maicon possam servir). Por outro lado, sou um fã incondicional deste espanhol de quem tanto desconfiei de início. Não tenho dúvidas de que tem tudo para vir a ser um futuro capitão da equipa da invicta.

Que não pareça ao leitor que estou a “agoirar” o futuro do Porto na Champions; nada disso! Apenas expus a minha opinião em relação a dois jogadores que são fundamentais nos processos e rotinas da equipa: Marcano é “o” central que sai a jogar e Tello é a velocidade “in persona”. Mas acredito neste Porto, tanto quanto acredito que este campeonato, mesmo com tudo o que se tem visto, virá para o norte!

Vamos ver o que esta eliminatória ditará, pois acredito que, ao contrário de todas, esta será decidida no primeiro jogo (no sentido de tudo deixar “em aberto” para a segunda partida).

Vamos, Porto!

Foto de capa: Página de Facebook de Tello

Comentários