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É a compra mais cara da História do futebol português. Gianelli Imbula chega ao Estádio do Dragão a troco de uns “cómodos” 20 milhões de euros, proveniente do Olympique de Marselha. Depois de, há uns dias, ter sido anunciado que o médio francês era uma das prioridades do FC Porto para o reforço do plantel, a novela foi de curta duração. O desejo de Imbula era vestir e azul e branco, e o seu desejo será concretizado.

Tendo em conta o panorama económico-financeiro do futebol português, e a necessidade premente dos clubes de reduzir os passivos, podemos afirmar estar perante uma transferência megalómana? Sim, sem sombra de dúvida. Pagar 20 milhões de euros por um jogador assume uma dimensão surreal para o FC Porto. É verdade que, dados os resultados da época passada, o clube está obrigado a mais um ano de forte investimento, já que a “sangria” do plantel tem sido significativa e promete não ficar por aqui; é também verdade que essa “sangria” já proporcionou a entrada de muitos milhões nos cofres portistas, mas não posso deixar de considerar o valor exagerado.

Por outro lado, os contornos do negócio são ainda dúbios: o FC Porto adquire a totalidade do passe do jogador. Algo estranho, já que, supostamente, a Doyen estaria envolvida na transacção. Se tal for mesmo verdade, talvez o investimento direto do clube não tenha sido tão avultado como se julga. E Imbula é uma aposta em grande. É um jogador que, não só pelo dinheiro que custou, mas também pela sua qualidade, terá entrada garantida no onze escalado por Lopetegui e aumentará exponencialmente o nível de qualidade à disposição do treinador.

Imbula chega ao FC Porto depois de duas temporadas em alto nível no Marselha Fonte: Página do Facebook do FC Porto
Imbula chega ao FC Porto depois de duas temporadas em alto nível no Marselha
Fonte: Página do Facebook do FC Porto

Aos 22 anos (completa 23 em setembro), chega ao Porto com o rótulo de um dos melhores médios da última edição do campeonato gaulês. Formado no Guingamp, realizou 76 jogos em duas épocas ao serviço do Marselha, para onde se transferiu em 2013. Médio-defensivo de raiz, gosta de pisar terrenos mais adiantados. Tem uma apetência natural para conduzir o esférico com o pé esquerdo, missão que desempenha com distinção, tendo também muita facilidade em “mudar o chip”. Destrói jogo adversário com a mesma facilidade com que constrói para a sua equipa, através do transporte de bola em progressão. O papel que vai desempenhar em termos táticos é, por agora, indefinido, mas arrisco a dizer que o epíteto de box-to-box lhe assentará bem, já que Danilo Pereira deve chegar nos próximos dias para o lugar de trinco. O ideal seria jogar num duplo-pivot, como fazia no Marselha, onde emparelhava com Alaixys Romao, mas não me parece que Lopetegui queira alterar a fisionomia do miolo. Imbula pode ser o próximo “vai-e-vem” do meio-campo portista.

No fundo, o FC Porto acaba por comprar um jogador maduro, que só trará mais-valias ao meio-campo e ao modelo de jogo. Gasta muito dinheiro com ele, mas com certeza que o retorno desportivo compensará o investimento. E o retorno financeiro também: a cláusula de rescisão fixa-se nos 50 milhões, e, mesmo que ninguém chegue a pagar esse valor, a diferença não será substancial. Em termos de “valor puro”, Imbula pode valer mesmo isso. Internacional sub-21 pela França, tem a porta da seleção principal aberta e será só uma questão de tempo até lá chegar. Um negócio seguro, portanto.

Foto de Capa: Facebook de Gianelli Imbula

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