As equipas B são o primeiro “choque” dos jovens craques que saem da formação com os olhos postos na competição de alto nível ao serviço das equipas principais dos mais variados clubes. As formações secundárias albergam o talento provenientes dos escalões anteriores, marinam-no e fazem a devida triagem. No fim, poucos são os que se salvam, até porque neste mundo a capacidade mental para acompanhar o muito talento dos pés é tão ou mais importante.

É, se calhar, um pouco a pensar nisso que o FC Porto recuperou uma estratégia formativa para a sua equipa B que havia conhecido um travão em 2014. Dois anos antes, aquando da ressurreição destas “equipas de reservas”, Zé António, um veterano e profundo conhecedor de todos os cantos e recantos do futebol português, fora a escolha para lidar e manter com os pés assentes no chão um lote imenso de jogadores que chegavam à equipa B cheios de expetativas.

É um pouco essa a função do mentor que o FC Porto vem escolhendo para ser o gestor de emoções de quem tem na irreverência a sua forma de estar no futebol, recheado de sonhos que tenciona vir a cumprir. O choque com a realidade do futebol sénior é, na maioria das vezes, bastante doloroso e difícil de encarar, pelo que uma voz de comando pronta a sustentar e minimizar as dores de crescimento acaba por ser uma boa ajuda, não só para os jovens talentos como também para a respetiva equipa técnica.

É nesse sentido que Rui Barros conta esta época com uma peça de peso no que à experiência e anos de rodagem ao mais alto nível diz respeito. Gonçalo Brandão foi o homem escolhido para, pelo menos durante os próximos dois anos, ser o prolongamento do treinador dentro de campo. A ele estará confiada uma etapa significativa e muitas vezes decisiva da formação dos jogadores.

Gonçalo Brandão conta com passagens em Portugal por Belenenses e Estoril Praia, mas na época passada jogou na Suíça
Fonte: Lausanne Sport

Nos últimos anos, vem havendo muito talento a marinar no Olival que, por uma ou outra razão, acaba por se perder na passagem para o futebol sénior. Os mais recentes casos de sucesso do clube azul e branco (Romário Baró, Fábio Silva e Tomás Esteves) mostram que a aposta vai ser efetivada nos próximos tempos e que bom pode ser que um jovem talento chegue à primeira equipa com a personalidade e o traquejo necessários para se afirmarem e não caírem a pique logo à primeira contrariedade.

Gonçalo Brandão é um defesa central de 32 anos, que iniciou a sua carreira de profissional em 2004, ao serviço do CF Os Belenenses, clube onde realizara toda a formação. São as sete épocas com o emblema de Belém ao peito que conferem a Gonçalo o estatuto de “expert” em futebol português, com passagem também pelo GD Estoril Praia. As experiências em Itália ao serviço do Parma, do AC Cesena e SSR Siena alargaram os horizontes da experiência e, para o FC Porto B, a escolha não poderia ser mais acertada.

Foto de capa: FC Porto

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