Há dois anos chegava ao Dragão o treinador Sérgio Conceição. Nele estavam depositadas as esperanças de uma nação que já não sabia o que era vencer há algumas temporadas. O presidente deu carta branca ao treinador, só não deu os reforços que por ele foram exigidos, ainda assim, Conceição fez das tripas coração e devolveu ao clube conquistas desejadas. Se a primeira época terminou de feição, o mesmo não se pode dizer desta temporada que não correu como era expectável, provocando assim algumas reações negativas por parte do treinador portista. Há momentos que marcam a época do treinador, mas pela negativa.

Quando as coisas correm bem, Sérgio Conceição é o primeiro a valorizar e a salvaguardar os seus atletas, no entanto, quando as coisas não correm como era expectável, o treinador não esconde o que pensa. As críticas consecutivas à arbitragem foram um marco desta temporada, mas as vezes, a forma como o faz, mostram um treinador intolerante. Essa mesma intolerância foi notória nos castigos aplicados aos seus jogadores ao longo da época.  O caso mais sonante foi a reprimenda a Militão. O atleta, na véspera de um jogo, foi sair à noite… violando assim uma regra básica do clube. A atitude de Sérgio Conceição foi implacável e não convocou o atleta para os jogos seguintes. Se há coisa que o treinador mostrou foi a forma letal com que resolvia os problemas do clube, mostrando que nem sempre agiu com a melhor das soluções.

Outro dos casos da época envolve João Félix. É certo e sabido que SL Benfica e FC Porto não morrem de amores um pelo outro, mas o respeito devia acontecer sempre, independentemente da situação. No clássico, no Dragão, em que os encarnados venceram, o treinador portista não mostrou a revolta e insatisfação pelo resultado e, no final do jogo, João Félix dirigiu-se a ele para o cumprimentar. Aquilo que Sérgio Conceição fez foi ignorar deliberadamente o estender da mão do jovem jogador, que nesse jogo marcou um golo. Independentemente das justificações dadas após o jogo, o respeito não prevaleceu, acabou por perder toda e qualquer razão que tivesse.

 

Sérgio Conceição reunidos com os jogadores portitas, no final da partida da penúltima jornada, na Madeira
Fonte: FC Porto

No mesmo sentido e envolvendo os rivais da Luz, a confusão com os adeptos do FC Porto foi um dos casos mais recentes, mas também um dos mais sonantes e que muita tinta fez correr. Já toda a gente sabe que um dos filhos do treinador, Rodrigo Conceição, joga no SL Benfica, e também é sabido que esse facto já trouxe algumas controvérsias. Recentemente num clássico entre os dois emblemas, Rodrigo Conceição foi expulso, sendo alvo de “bocas” por parte dos adeptos portistas. Uma atitude que não deixou o técnico azul e branco indiferente, tendo dirigido-se ao adepto para pedir satisfações.

Terminado o campeonato, a polémica continuou. O treinador encarnado endereçou algumas palavras ao FC Porto, enaltecendo o percurso do clube no campeonato, fazendo até uma analogia ao percurso do Liverpool FC na liga inglesa, que também acabou em segundo lugar. Questionado sobre a mensagem passada por Bruno Lage, o treinador portista foi contundente e poupou os jornalistas à hipocrisia dizendo que de nada lhe interessa o que foi dito pelo treinador. A arrogância do treinador manteve-se aliada à sinceridade que lhe é característica.

No último jogo da temporada, o FC Porto perdeu a Taça de Portugal para o Sporting CP, numa partida que deixou o treinador portista em lágrimas. No momento de receber a medalha Sérgio Conceição recusou cumprimentar o presidente do leões, Frederico Varandas e ainda dirigiu algumas palavras que, no entanto, não foram percetíveis.

E tendo em conta o desfecho da época, há ainda um aspeto relevante que tem de ser mencionado: as opções do treinador. O mercado de inverno foi um fiasco. Os reforços em nada reforçaram e a falta de aposta em jovens da formação estiveram em evidência.
As atitudes, como é habitual, ficam com quem as pratica.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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