tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Na segunda jornada da Liga dos Campeões, o FC Porto deslocou-se a Lviv para defrontar o Shakthar Donetsk com a única certeza desta época: não há dois onzes iguais. Depois da exibição fraquíssima em Alvalade, foi com naturalidade que Quaresma ficou de fora da convocatória para o jogo na Ucrânia. Mas essa não foi a única novidade da equipa portista.

A entrada na equipa titular de Maicon (após expulsão frente ao Boavista), Óliver e Tello e a mudança de funções de Marcano para médio defensivo faziam antever um FC Porto com uma abordagem diferente em relação ao último jogo.

Após 5 minutos inicias de equilíbrio, o Shakthar instalou-se no meio-campo do Porto, impedindo a transição em posse de bola por parte da equipa portista, mais uma vez confirmando-se a tendência para a dificuldade de circulação de bola na zona do meio-campo. Marcano deu musculo e segurança defensiva mas a ligação entre os laterais e os médios, e destes com os extremos, foi muitas vezes deficiente. Óliver jogou mais adiantado no terreno e a bola passou quase sempre por Herrera – e aqui começaram os problemas do Porto. O mexicano é bem dotado tecnicamente mas teima em acumular erros durante os jogos – tanto faz um drible fantástico e um passe a rasgar como no minuto a seguir perde a bola de forma infantil ou faz um passe disparatado. Esta inconstância, a juntar ao facto de não ser suficientemente possante para se assumir como o box-to-box que a equipa precisa, faz com que os dragões mastiguem muito o jogo na sua zona defensiva. Outro pecado portista é o espaço que há entre os médios e os extremos – a bola chega poucas vezes aos alas e só quando isso acontece é que há alguma velocidade e fantasia no jogo. Lopetegui tenta minimizar este espaço obrigando os médios a fazer par com os extremos (quando há mudança de lado por parte dos extremos tambem os médios mudam de lado) mas parece não ser suficiente, até porque Brahimi e Tello nem sempre recuam o suficiente no terreno para tarefas defensivas.

Mesmo com estes (grandes) pormenores o Porto é uma equipa superior ao Shakthar Donetsk e foi com naturalidade que acabou a primeira parte com ligeiro ascendente sobre os ucranianos. Bastou que para isso os adversários abrandassem o ímpeto.

A exibição de Óliver ficou marcada por um erro infantil  Fonte: UEFA
A exibição de Óliver ficou marcada por um erro infantil
Fonte: UEFA

Na segunda metade do jogo, os dragões demonstraram vontade de comandar o jogo mas mais uma vez houve uma irresponsabilidade que caiu como um balde de água fria nas intensões portistas. Desde a entrada imprudente de Maicon frente ao Boavista até ao passe irresponsável de Ruben Neves frente aos Leões, desta vez a fava saiu a Óliver, que não aguentou a pressão do adversário após um drible infantil em zona proíbida. A época ainda agora começou mas os erros portistas acumulam-se, são constantes e tremendamente parecidos jogo após jogo. Como equipa jovem e fantasista que é, há muitas vezes a tendência de complicar e de facilitar na altura de recepção de bola ou de fazer passes transversais em zonas sensíveis.

Restava então correr atrás do resultado e foi isso que o Porto fez. Instalou-se no meio-campo ucraniano e, com mais coração do que cabeça, foi empurrando o Shakthar, que só através do contra-ataque tentava incomodar os portistas. O miolo do meio-campo portista não resolvia bem, Tello e Brahimi insistiam em jogadas individuas inócuas, Aboubakar queria mostrar serviço mas a falta de entrosamento com os companheiros era demaisado visivel para que conseguisse criar perigo e Lopetegui viu-se obrigado a mexer na equipa. Saiu Aboubakar e Brahimi, entraram Quintero e Jackson. A diferença fez-se sentir – Quintero é um número 10 puro, de toque curto e rápido, rasga a defesa adversária e é atrevido; já Jackson conseguiu guardar a bola e fazer de pivô, distribuindo o jogo e dando seguimento às jogadas que se iam construindo.

A jogar no meio-campo, Marcano rubricou uma exibição consistente  Fonte: UEFA
A jogar no meio-campo, Marcano rubricou uma exibição consistente
Fonte: UEFA

Mas mais uma vez, quando parecia que o F. C. Porto estava perto do empate, num contra-ataque e após uma má recepção de Maicon, o Shakthar marcou o segundo golo, ditando o que parecia ser a sentença do jogo. E só não ficou sentenciado porque o Porto de Lopetegui não desiste e, mesmo atabalhoadamente, vai sempre tentando o golo. Num lance pela extrema esquerda surgiu uma mão na bola (mais uma, já tinha havido um lance deste género na primeira parte) e desta vez Jackson converteu o golo, fazendo o 2-1 aos 88’. Com 4 minutos de compensação ainda havia tempo para mais um e eis que surgiu Tello, que tantas vezes decide mal apesar do seu talento, em mais uma jogada pela esquerda concluída com uma boa antecipação de Jackson. Estava feita alguma justiça no jogo. O empate aceita-se mas fica a sensação de que o Porto podia ter vindo de Lviv com os 3 pontos. Este Porto é a melhor equipa do grupo mas é ainda muito irresponsável para fazer frente aos tubarões europeus. Ver-se-á como a equipa irá crescer nos próximos meses.

 

A Figura

Jackson Martinez – marcou 2 golos e deu cabimento aos lances de ataque. Pode não ser um matador mas é sem dúvida um avançado de grandes valias técnicas.

O Fora-de-jogo

Óliver Torres – depois do erro infantil que cometeu, comprometeu a equipa e podia ter deitado tudo a perder. Tem um talento enorme mas, claro, tem erros que são frutos da idade e irreverência.

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