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É dado adquirido: Jackson Martínez não vai continuar no FC Porto. Em entrevista a uma rádio colombiana, o ‘Cha Cha Cha’ assumiu, palavra por palavra, “que está na hora de sair” do Dragão. Se, para os mais atentos, isto já não surge como novidade, é também justo olhar para os desejos do colombiano como naturais. Jackson já não caminha para novo (tem 28 anos) e esta será, muito provavelmente, a última oportunidade que tem de “dar o salto” para um campeonato mais competitivo e financeiramente atrativo – o Arsenal, em Inglaterra, e o Valência, em Espanha, parecem estar na linha da frente para assegurar os seus serviços. Ao serviço dos dragões foram três épocas de excelência: sagrou-se campeão português na primeira, venceu duas Supertaças e fez o ‘tri’ como melhor marcador da Liga. Agora, está na altura do “adeus” definitivo.

Chega a hora de todos os portistas fazerem contas à vida e começarem a lançar palpites sobre que jogador será o substituto de Martínez. Numa primeira instância, falou-se de Bueno. O jogador espanhol já assinou, mas parece claro que não será o ponta-de-lança titular ao longo da próxima temporada. O mesmo se aplica a Adrián López: em primeiro lugar, não é a sua posição natural, e, depois de uma época muito aquém das expetativas, já terá dificuldades suficientes em tentar impor-se na equipa para pensar em assumir o papel de goleador.

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A saída de Jackson Martínez cria uma dor de cabeça para Lopetegui
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Eis que o jornal O JOGO avança com a hipótese que, decerto, nem sequer passaria pela cabeça do mais iluminado dos portistas: Kléber vai voltar para fazer a pré-época. Sinceramente, não me acredito que o jogador faça a pré-época e acabe emprestado novamente. Parece-me que será para ficar no plantel durante a época. É uma aposta arriscada? Sem dúvida. Ora vejamos:
– Kléber chegou ao FC Porto em 2011: não se conseguiu impor e denotou falta de tarimba para assumir as despesas goleadoras do então campeão nacional e detentor da Liga Europa;
– Em 2012/13, protagonizou uma época atípica: afastado da equipa principal, fez 10 jogos pela equipa B e 11 ao serviço do Palmeiras, em regime de empréstimo. Apontou uns escassos três golos, no total;
– O FC Porto não se tem dado bem com “contratações internas”: os casos recentes de Licá e Josué deixaram os portistas com os cabelos em pé.

No entanto, há que ter em conta que, hoje em dia, Kléber é um jogador mais maduro e terá alguns fatores a seu favor. No Estoril, evoluiu taticamente – jogar numa equipa de menor dimensão do campeonato português obriga um jogador a crescer. Ao contrário do que aconteceu em 2011, quando aterrou na Invicta, Kléber não será obrigado a esconder a sombra de Falcao. Vai encontrar a sombra de outro colombiano, igualmente grande, mas, por um princípio de lógica, nem sequer será o titular. Este regresso pode ser entendido como um sinal da estrutura do FC Porto; um sinal de que não vai existir incursão no mercado em busca de um ponta-de-lança. Aboubakar deverá ser mesmo a solução apresentada para ocupar a vaga de Jackson. O camaronês cumpriu quando jogou, tem faro de golo e margem para progredir qualitativa e taticamente. Falta adaptar-se por completo ao modelo de jogo do Porto de Lopetegui, mas há tempo para isso.

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Kléber fez parte do plantel que se sagrou campeão nacional em 2011/12
Fonte: Página de Facebook do FC Porto
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Assim, e como se diz em bom português, matam-se dois coelhos com uma só cajadada: Kléber regressa, mas não fica sujeito à pressão que lhe condicionou a adaptação à dimensão do clube na sua primeira passagem pelo Dragão; e Aboubakar vê-se obrigado a subir um degrau na hierarquia de avançados no Porto, dispondo de oportunidade para explodir. Gonçalo Paciência (caso não seja emprestado) será a opção de recurso, à semelhança do que já aconteceu esta época. Na equipa B, André Silva poderá cimentar a sua posição como escolha principal e espera-se que continue a evoluir. As indicações que tem deixado no Mundial Sub-20 fazem crescer água na boca e é imperativo que o FC Porto não deixe fugir o diamante em bruto que ali tem.

A improbabilidade da hipótese K(léber) era alta. Confesso que nunca me teria passado pela cabeça, até porque já nem olhava para o brasileiro como jogador do FC Porto. Mas, após esta primeira análise, e contrabalançando os riscos com os possíveis benefícios, julgo que Kléber merece, pelo menos, que os portistas lhe dêem uma segunda oportunidade. Afinal, pode vir a ser a solução mais viável para uma equação de complicada resolução. Porque não é fácil encontrar um Jackson ao virar da esquina.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

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