Há praticamente um ano atrás escrevi neste espaço opinativo do Bola na Rede, envolto numa enorme preocupação, um artigo com o propósito de alertar os portistas e, principalmente, suplicar à SAD que tornasse as renovações de contrato de alguns jogadores numa prioridade.

Um ano volvido e apenas as minhas preces em relação a Vincent Aboubakar (que viu o FC Porto comprar o remanescente do seu passe e renovar-lhe o contrato até 2021) foram ouvidas. Pedi as renovações de Marcano e Diego Reyes (que se encontravam em final de contrato), e de Ricardo Pereira, Diogo Dalot e André André (que entrariam agora no último ano) e já nenhum destes jogadores, por razões várias, se encontram às ordens de Sérgio Conceição. No mesmo artigo abordei os casos de Maxi Pereira e Iker Casillas que considerei serem de exceção e, portanto, deveriam estar uns lugares mais abaixo na tabela de afazeres da direção. Era, inclusive, da opinião que estes dois jogadores, analisando a combinação salário, rendimento desportivo e idade, deveriam (nomeadamente Maxi) ser libertados no final da temporada que findou. Assim a SAD e o treinador não entenderam e ambos continuam de azul e branco.

Outros dois nomes mencionados no tal artigo de Agosto de 2017 e que me motivam a voltar à carga este ano foram Yacine Brahimi e Hector Herrera. Volvido um ano continuam sem renovar e estão, agora, a 6 meses de serem livres para assinar um novo contrato com um qualquer outro clube sem que o FC Porto seja ressarcido pela sua saída. Na altura colocava Brahimi num patamar superior de relevância e urgência. Hoje, dado o peso no balneário do mexicano e a sua performance em 2017/2018, coloco-os a par como dois dos jogadores mais importantes do plantel e com a agravante de serem, porventura, os dois jogadores com maior valor de mercado da equipa. Para piorar o cenário surgem notícias de que o FC Porto será sempre forçado a indemnizar a Doyen Sports em 6,5M€ pela saída de Brahimi, mesmo que esta ocorra em regime de custo zero.

Apesar da derrota, Brahimi voltou a estar em evidência no jogo frente ao Vitória SC
Fonte: FC Porto

Motivos de preocupação de sobra que devem ocupar a mente de todos os portistas e que devem ter o condão de colocar a SAD em estado de alerta máximo. Os dois jogadores são fundamentais na estratégia de Sérgio Conceição e importa garantir que ambos têm e mantêm o foco no coletivo e nos objetivos do clube e tentar a permanência dos dois para a próxima época (2019/2020). São dois jogadores de uma qualidade ímpar atendendo ao panorama do nosso futebol e, como tal, as dificuldades de tesouraria (que não impediram renovações e contratações absurdas e vencimentos principescos no passado) não podem ser desculpa e sou da opinião que devem ser encetados todos os esforços no sentido de renovar os dois contratos mesmo que isso implique colocar o capitão de equipa e o maior fantasista da Liga NOS no topo da folha salarial do futebol português.

A doutrina divide-se quanto à resolução deste tipo de situações. É certo que o FC Porto ou qualquer outro clube não podem nem devem ficar reféns de qualquer jogador, mas não é menos verdadeiro que a opção de colocar de parte jogadores que se recusam a renovar não traz qualquer benefício para nenhuma das partes.

Assim, cabe à SAD liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa encontrar as soluções ideais e procurar garantir as verbas necessárias para resolver estes dois caos desconfortáveis e a Sérgio Conceição continuar a retirar o máximo rendimento de ambos e impedir que estes dispersem por via de questões extrafutebol. Exige-se o máximo rigor e competência.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.