cabeçalho fc porto

Pouco mais há a dizer relativamente a este FC Porto. Aliás, arrisco dizer que já foi tudo dito. Já se estenderam todas as tarjas, já se agitaram todos os lenços brancos, já se assobiou tudo o que havia a assobiar. A escassa esperança que se mantinha começa a diluir-se, e uma nova época dominada pela desilusão e pela falta de triunfos parece, cada vez mais, o fim expectável.

Depois de uma derrota histórica frente ao Marítimo em casa, a meio da semana, para a Taça da Liga, o FC Porto deslocou-se a Alvalade para defender a liderança do campeonato e, por incrível que pareça, regressa à Invicta no segundo posto. Ainda que o otimismo nos dissesse que o péssimo resultado frente aos insulares motivaria uma forte resposta dos azuis e brancos em casa do Sporting CP, a experiência levava-nos a acreditar no contrário.

Ora porque Lopetegui já provou não estar à altura dos clássicos, ora porque o mesmo homem já provou não estar à altura do FC Porto. Na temporada passada foi concedido ao espanhol um privilégio raro no futebol português: o benefício da dúvida. Mas cada vez se torna mais óbvio que essa foi uma decisão errada por parte da direção portista. Os resultados comprovam-no e as exibições clarificam-no. Os erros acumulam-se e permanecem os mesmos.

947084_10153821590894485_1087415479793656691_n
Lopetegui voltou a falhar num momento decisivo
Fonte: bolanarede.pt

Aliás, o FC Porto apresentou-se em Alvalade igual a si próprio: apático, inconsequente e desnorteado. A espaços foi capaz de fazer circular a bola, mas mais uma vez essa posse revelou-se pouco pragmática e profícua. Apenas numa ocasião Rui Patrício foi chamado a intervir, num lance em que o português tapou os caminhos da baliza a Aboubakar, à passagem do minuto 32. No restante jogo, o guardião do Sporting foi um mero espectador.

É inconcebível que uma equipa que se diz candidata ao título crie uma única oportunidade em 90 minutos. O processo ofensivo do FC Porto voltou a manifestar-se previsível, e o Sporting, taticamente muito bem preparado, controlou do início ao fim. Os azuis e brancos foram presa fácil para os comandados de Jorge Jesus. E a prova disso é que a história do jogo é fácil de contar. Aos 27 minutos, Slimani inaugurou o marcador, com um cabeceamento fulminante para a baliza de Casillas, e aos 85 bisou, num lance em que respondeu da melhor forma a um grande passe de Bryan Ruiz. Pelo meio, teve tempo para enviar uma bola à barra, após cruzamento de João Mário.

O mesmo destino teve um pontapé de Adrien de fora da área. Perante isto, torna-se evidente que o Sporting dispôs de várias oportunidades para vencer por números mais largos. Para os comandados de Jorge Jesus, o resultado peca por escasso. Para Lopetegui, o resultado peca por muito escasso. Isto porque a falta de ideias do técnico espanhol merecia uma lição melhor do que esta. A resolução do FC Porto para 2016 é um novo treinador. Já não há paciência.

 

A Figura:                                                                                                                                                          

Danilo Pereira – No meio do marasmo e da inconsequência, foi a figura mais irreverente do lado portista. Decidiu quase tudo bem e revelou-se preponderante. Não foi por ele que o FC Porto perdeu o clássico.

O Fora-de-Jogo:

Brahimi – Compreendo que a nomeação é controversa, uma vez que foi dos jogadores que melhor seguraram a bola. Ainda assim, a inconsequência do argelino foi, ao mesmo tempo, o espelho da inconsequência ofensiva do FC Porto. Perdeu-se, mais uma vez, em lances individuais e está longe da forma em que suscitou o interesse dos tubarões.

Comentários