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Tau-tau nestes alunos!

João Pedro Monteiro · 3 min

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Luís Castro disse na passada quarta-feira que quando os alunos são bons o professor aparece. O problema é que em Sevilha não apareceu ninguém!

Sem rodeios: o jogo de Sevilha foi, em grande parte, aquilo a que o Porto nos habituou durante a presente época. Com Paulo Fonseca no comando foi tudo muito mau, e agora com Luís Castro só está mau. Este último jogo contra o Sevilha não foi um tropeção… foi algo inevitável. E é fácil explicar porquê. Se se lembram do segundo jogo contra o Nápoles, em que empatámos a duas bolas, a primeira meia hora podia muito bem apresentar o mesmo resultado que vimos esta quinta-feira passada no Rámon Sanchéz Pizjuán. O Porto não tem jogado “à Porto” para depois, pontualmente, jogar mal aqui ou ali. É exactamente o contrário! O Porto tem jogado mal para depois, pontualmente, jogar bem aqui ou ali! Em Nápoles viu-se isso. Podíamos estar a perder por mais do que 1-0 só na primeira parte. Vá lá que depois encaixámos um pouco o nosso jogo, mas a verdade é que nunca fomos consistentes. Em jogos grandes ou pequenos, o Porto tem fraquejado muito. Agora, assumo perfeitamente o meu exagero quando digo que o Porto é por hábito muito fraco. A realidade não é bem essa, mas também não anda longe… Quaresma disse no final do jogo que tínhamos equipa para ganhar ao Sevilha. Concordo, mas só nos tais casos pontuais!

A turma de Luís Castro voltou a desiludir esta época  Fonte: ASP / Getty Images
A turma de Luís Castro voltou a desiludir esta época
Fonte: ASP / Getty Images

No meu último artigo falei de seis problemas que o Porto precisa de resolver o quanto antes. Contra o Sevilha notaram-se muito bem três deles. Herrera na primeira parte esteve muito lento a decidir o que fazer à bola, se bem que na segunda melhorou imenso. Ora aí está: o potencial existe, só é preciso uma ajudinha. O rapaz quando decide, decide bem. As bolas paradas continuam uma nulidade e Quaresma mantém-nas mal batidas. E, por fim, quem não chuta não marca! Os remates de meia distância são uma arma importantíssima no arsenal de qualquer equipa. O que vimos na quinta-feira passada foi um exemplo das dificuldades por que passamos quando não oleamos essa arma. O Sevilha, a ganhar 3-0, viu um jogador seu ser expulso e recuou as linhas todas, fechando-se muito bem na defesa. O Porto ficou sem espaços para criar desequilíbrios e acampou no início do último terço do campo, sem saber como penetrar a defesa espanhola. Já com Quintero, Kelvin e Ricardo em campo, nada parecia assustar o Sevilha. Nas poucas situações de remate de meia distância a bola nunca passou muito longe da baliza de Beto. Quaresma lá conseguiu reduzir a diferença mas já foi tarde.

Perdemos e fomos eliminados. Para mim não foi nenhuma surpresa… Acredito que temos um bom professor e alguns bons alunos, da mesma forma que acreditei que podíamos ganhar a Liga Europa porque somos Porto. Porque quando jogamos “à Porto” somos capazes de ganhar tudo e mais alguma coisa, independentemente dos alunos e do professor, mas a verdade é que temos uma equipa com fragilidades criadas durante meia época e que não podem ser melhoradas em algumas semanas. O facto de termos jogado “à Porto”, uma vez ou outra, só serviu para nos iludirmos. Porque não adianta muito ter um espírito de guerreiro imbatível se o corpo que o acompanha está doente.

João Pedro Monteiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

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