Ter cabeça, mas também “ilusión”

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Fim da linha. A era basca do FC Porto terminou quando estava prestes a entrar num ponto de irreversibilidade manifesta. Se a decisão deveria ter sido tomada há mais tempo, será impossível saber, mas agora há que enfrentar o futuro de peito aberto, cabeça fria, pragmatismo e (porque não?) com alguma “ilusión”. Ilusão, peço desculpa.

A questão que se prende com a sucessão de Julen Lopetegui é mais complicada do que aparenta. Parece a velha história da manta que é curta: se cobrimos os pés, descobrimos o resto do corpo e vice-versa. Os preferidos parecem estar fora de alcance. André Villas-Boas vai deixar o Zenit, mas apenas no final da presente época; até acreditaria que um apelo ao coração do técnico que é assumidamente dragão poderia fazê-lo pensar duas vezes, mas a contrapartida financeira que seria exigida ao FC Porto deveria fugir (e muito) daquilo de que o clube estará disposto a abrir mão. Marco Silva parece estar numa situação semelhante à de AVB. Em grande na Grécia, poderia aceitar o convite portista, mas apenas no final da época. E, mesmo aí, há um entrave de enorme dimensão, que é a “cláusula anti-rivais” instaurada pelo Sporting, aquando da saída do treinador do clube.

Marco-Silva-Sporting
Marco Silva, tal como AVB, parecem soluções difíceis
Fonte: desporto365.com

Quanto a Nuno Espírito Santo, não me vou alongar: na minha sincera opinião, para colocar o ex-guarda-redes ao leme dos destinos táticos do FCP, mais valia deixar Lopetegui até ao final da estação, independentemente dos dividendos conseguidos até lá. Portanto, sobra Leonardo Jardim.O madeirense seria uma aposta séria e convicta, não só pelas suas capacidades, mas também pela serenidade que poderia trazer ao grupo de trabalho. Os rumores apontam para uma certa insatisfação do técnico no Mónaco, derivada da chegada de Makelelé para o posto de diretor do clube. A hipótese possível, mas também credível.

No entanto, esta última opção obrigaria a apostar em Leonardo Jardim com a consciência de que seria para durar. Acusem-me de egoísmo, mas a minha solução passaria por algo já antes visto: promover Luís Castro e esperar pelo verão para fazer voltar Villas-Boas. Estaria a hipotecar o futuro imediato do FC Porto? Não sei. Castro até poderia surpreender. Seria uma solução modesta, mas também pensada. E, analisando matematicamente, o título ainda é possível e a Taça de Portugal está ao perfeito alcance das ambições portistas. Pior que Lopetegui será difícil, não?

Francisco Sebe
Francisco Sebehttp://www.bolanarede.pt
"Acordou" para o desporto-rei quando viu o FC Porto golear a Lazio, no dilúvio das Antas. Análises táticas e desportivismo são com ele, mas o amor pelo azul e branco minimiza tudo o resto.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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