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A frase tornou-se célebre na temporada mais recente da série “Game of Thrones”. Depois da mais poderosa família (Stark) do Norte do continente de Westeros ser chacinada, alguns vassalos ainda fiéis à casa soberana transmitem estas palavras a Sansa, aquela que é dada como última sobrevivente da linhagem Stark. O Norte não se esquece.

Ricardo Quaresma também nunca vai esquecer o “seu” Norte. Numa emotiva mensagem de despedida publicada no seu blogue pessoal, o extremo portista despediu-se pela segunda vez do FC Porto com um agradecimento e declaração de amor ao clube. Quaresma segue agora para o Besiktas, outra casa onde já foi feliz, e deixa para trás 67 jogos e 19 golos marcados em época e meia de dragão ao peito.

As opiniões sobre a saída do “mustang” divergem e, sou sincero, admito que eu próprio ainda não fui capaz de definir em qual dos grupos me insiro. Numa altura em que se fala tanto da mística (ou falta dela) no balneário do FC Porto, um dos jogadores que melhor conhece o clube faz as malas; este é um dos argumentos apontados por aqueles que eram contra a saída de Quaresma e este foi, aliás, um dos tópicos que pode ter conduzido à saída do mesmo da Invicta. Lembram-se da entrevista ao Expresso, não lembram? No entanto, sou dos primeiros a dizer que Quaresma não simboliza a mística portista. Ele ama o clube, isso é certo, mas não carrega o espírito dos grandes capitães azuis e brancos. Se calhar, assim é porque o seu caráter não permite que seja de outra forma. Que fique bem claro: a culpa não é dele. Apenas considero que só alguns “predestinados” podem ser a personificação da alma do FC Porto.

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Sentir o clube e compreender a mística são coisas diferentes
Fonte: Facebook Oficial Ricardo Quaresma

Mas não posso ser hipócrita e ingrato. Tenho toda a consideração por RQ7. Sei muito bem que, a partir de agora, serão muito poucos os que vão baixar a cabeça para beijar o brasão que têm ao peito. As trivelas vão desaparecer e as fintas com o selo do cigano também. Varela é o substituto direto, um jogador voluntarioso e mais fácil de controlar, mas que em termos de imprevisibilidade e talento puro não está no patamar do Harry Potter. A centelha mágica de Quaresma viaja para Istambul e o Dragão vai sentir saudades.

Por tudo isto, é seguro dizer: o Norte também não se esquece de ti, Ricardo. Pelo amor público que tens pelo FCP, pelos milhares que levantaste da cadeira jogo após jogo, pelas trivelas, pelos golos e por seres o primeiro a tentar empurrar a equipa, ainda que nem sempre da forma mais correta. Por outro lado, é sabido que agora já não seria possível continuares aqui. As farpas estavam lançadas e o mau ambiente instalar-se-ia se ficasses. O responsável foste tu, e acho que tens consciência disso. Essa cabeça quente foi, muito possivelmente, o que te fez falhar nos momentos decisivos e o que te impediu de chegar ao topo dos topos. A ânsia de ser diferente, quando se pedia normalidade. Por isso, termino: obrigado e boa viagem, Quaresma. Boa sorte para mais uma etapa.

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