Começo este artigo de opinião por explicar o sentido deste título. Apesar de o último título de campeão nacional ter sido conquistado com toda a justiça pelo FC Porto, parece-me mais que evidente que houve um grande demérito do principal rival direto (SL Benfica), que até chegou a ter o pássaro na mão. Este ano parece que vamos ter um campeonato mais competitivo que o habitual, em que muitos outsiders e equipas que não são as ditas “grandes” podem fazer a cabeça em água aos verdadeiros candidatos ao título. Chamando os bois pelos nomes, refiro-me claramente ao Vitória SC de Ricardo Quaresma, ao SC Braga de Nico Gaitán, Castro e Rolando, e ao Boavista FC de Javi García, Angel Gomes, Rami… Enfim, equipas que, à exceção do SC Braga, nunca ombrearam a sério com os gigantes do campeonato português.

A juntar a isto tudo, temos um SL Benfica a apresentar reforços de peso, a mostrar um bom futebol e a prometer luta até ao fim. Tudo isto que acabei de dizer é em termos teóricos, até porque no ano passado, o FC Porto levou a melhor sobre a “super equipa” do SL Benfica…

É por estes dois parágrafos que acabei de escrever que, este ano, o FC Porto tem de ser um campeão que ainda tem de ser mais campeão. Tem de ser consistente, fazer das tripas coração, mostrar qualidade de jogo, ser eficaz, colocar os melhores a jogar, e reforçar algumas posições que ainda apresentam lacunas. Só assim se consegue ser um campeão ainda mais campeão que a época transata. (Não quero com isto dizer que existem equipas menos campeãs do que outras, mas possivelmente e teoricamente, os dragões têm de dar o dobro até porque, como se costuma dizer: “Todos querem bater o campeão nacional”).

Neste sábado, dia 19 de setembro, o FC Porto estreou-se na edição 2020/2021 da Liga Portuguesa com uma vitória por três a um frente a um SC Braga que promete muito este ano. O ex-portista Castro marcou primeiro para os Bracarenses, mas Alex Telles parece ter feito uma despedida à séria do Estádio do Dragão. Uma assistência e dois golos para o marcador final ficar feito.

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Os dragões não fizeram uma exibição brilhante, mas conseguiram os mínimos exigidos e fizeram uma remontada frente a uma equipa que, refira-se, esteve um pouco abaixo das expetativas. Independentemente do resultado positivo, creio que é consensual que ainda não é este FC Porto que os adeptos querem. Provavelmente há jogadores que podem vir a subir a hierarquia e outros seguirem o caminho inverso.

Taremi não poderia ter entrado melhor no encontro e mostrou toda a sua inteligência nas movimentações e no timing de ataque a um lance. A forma como conquistou o penalty do três a um é sensacional. Veremos se ganha destaque como titular absoluto.

Alex Telles pode estar de saída para o Manchester United FC e não me parece que o FC Porto tenha já um substituto a altura para colmatar as necessidades deixadas pelo internacional brasileiro. Zaidu ainda não é o substituto que vai fazer esquecer Alex Telles. Tem qualidades interessantes, mas não é nada fácil.

 Fábio Vieira é mais um jovem que o FC Porto vai ter de segurar para não ter o mesmo desfecho de outras promessas oriundas do Olival.

Depois ainda temos alguns casos mais problemáticos como Aboubakar que vai ter uma saída pacífica do FC Porto, Zé Luís que é um caso complicado pela insistência e vontade do jogador em lutar por um lugar que parece não existir, Tomás Esteves, que podia ter mais oportunidades, mas pode estar na porta de saída. Também temos Tiquinho Soares que pode ver dificuldades com Taremi e Evanilson, e outros jogadores que têm uma situação contratual preocupante (Sérgio Oliveira, Otávio, Marega e Alex Telles necessitam de renovar contrato ou passam automaticamente a ser negociáveis).

Este ano o FC Porto pode ter o caso inédito de renovar por completo a frente de ataque. Se isso se confirmar teremos Taremi, Evanilson e Toni Martinez (mais outra possibilidade) como avançados do atual campeão nacional.

Em condições normais, Toni Martinez parece ser o que vai ter de mostrar mais, mas só o tempo o dirá.

Os primeiros três pontos já ficaram com o FC Porto, mas o campeão nacional vai ter de ser um verdadeiro campeão nacional para vencer um campeonato atípico pela pandemia e pelos nomes sonantes que chegaram ao futebol português.

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O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva. Apesar de estar distante do clube do seu coração, procura ao máximo não perder nenhuma novidade da cidade invicta e do futebol em geral.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.