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A preparação para a nova temporada está aí à porta. Embora seja consensual que ainda é cedo para tomar decisões definitivas, é aconselhável, no mínimo, que os clubes comecem a delinear as ideias relativas à construção dos respetivos plantéis. Tarefa que raramente é fácil, e que assume contornos de “quebra-cabeças” nas equipas grandes. Neste campo, o FC Porto é dos melhores e mais paradigmáticos exemplos que podemos encontrar. É que além dos jogadores que constituem os plantéis da equipa principal e da equipa B, os dragões emprestaram, na última época, 27 (!) atletas aos mais diversos clubes. Um número que daria, por si só, para construir uma esquadra por si só, e excluir ainda três ou quatro.

A questão que se coloca é: o que fazer com tanto excedentário? Este texto, como o leitor já deve ter percebido, tem o propósito de expor a minha opinião sobre o assunto. Como tal, sinto-me compelido a explicar a metodologia que utilizei para esquematizar a distribuição destes 27 nomes que, de modo contratual ou não, ainda se encontram ligados ao reino do Dragão. Começo por aqueles que viram as suas ligações ao FC Porto expirar no fim da época que findou: Rolando e Izmaylov. O central e o médio têm licença para procurar nova entidade patronal e, se o internacional português coleciona interessados, a vida do russo não se adivinha tão simples; os 32 anos e o vasto historial de lesões não são fatores propriamente atraentes para qualquer clube. Depois, há os que continuam emprestados: Walter, ao Atlético Paranaense, Kelvin ao Palmeiras e Tozé ao Estoril. Quanto ao último, o FC Porto pode chamá-lo de volta, mediante compensação aos “canarinhos”, mas é um cenário que se afigura pouco provável; Josué deve ser adquirido em definitivo pelo Bursaspor, garantindo um encaixe financeiro interessante. E há os que ficam no plantel (ou que, pelo menos, fazem a pré-época): Carlos Eduardo e Kléber. Pinto da Costa confirmou a integração do médio em 2015/16, e o regresso do ponta-de-lança foi avançado pelo jornal O JOGO.

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Carlos Eduardo está garantido na pré-época depois de uma temporada no Nice
Fonte: Página de Facebook do OGC Nice

Portanto, sobram… 19 jogadores. Para simplificar o meu trabalho e a sua compreensão, dividi os “restantes” em quatro grupos: os que podem/deviam fazer a pré-época; os que não contam; os que devem rodar na I Liga ou no estrangeiro; os que voltam à equipa B ou rodam na II Liga. Mesmo assim, não foi fácil e o texto tornou-se extenso e com alguns requintes de malvadez. Preparado, caro leitor? Então, vamos lá.

Os que podem/deviam fazer a pré-época: Opare e Kayembe;

Danilo saiu e o FC Porto precisa de um lateral. A hipótese mais forte é a de ir contratar alguém (agora fala-se de Maxi principalmente mas também de Bruno Peres, antes foram Marcos Rocha e Mayke), mas, se tal não suceder rapidamente, é bem provável que Opare integre os trabalhos de pré-temporada. O empréstimo ao Besiktas não correu mal, e o ganês pode finalmente ter a oportunidade para se impor que lhe faltou na época transacta. Kayembe, pelos bons préstimos ao serviço do Arouca e pela polivalência à esquerda, pode ser uma opção válida para Lopetegui. A qualidade está lá, e ficar no plantel não seria descabido.

Os que não contam: Varela, Abdoulaye, Licá, Djalma, Bolat, Sami, Pedro Moreira e Quiñones;

Varela está em fim de ciclo: tem 30 anos, os flancos estão recheados de boas opções e o contrato termina em 2016 – a venda do extremo já neste defeso é o cenário mais sensato. Abdoulaye e Licá vêm de um empréstimo ao Rayo Vallecano e têm outra coisa em comum: ambos já tiveram a sua oportunidade na Invicta. O FC Porto precisa de atletas de maior quilate. O mesmo se aplica a Djalma e a Sami. Bolat, Pedro Moreira e Quiñones nunca usufruíram de uma verdadeira chance para singrar no plantel principal e, convenhamos, não é provável que tal aconteça agora. Para todos estes jogadores, a venda, ou mais um empréstimo, deve ser o caminho a seguir.

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Varela termina contrato em junho de 2016 e esta é a altura certa para o vender
Fonte: Página de Facebook do FC Parma

Os que devem rodar na I Liga ou no estrangeiro: Tiago Rodrigues, Otávio, Ivo Rodrigues, Mauro Caballero e Ghilas;

Neste “lote”, começo por Ghilas. Julgo que o avançado argelino tem uma boa margem de progressão e pode vir a ser útil ao FC Porto num futuro próximo. Por isso, não o incluí no grupo anterior. Depois da campanha no Córdoba, fá-lo-ia regressar à Liga espanhola, através de um clube do meio da tabela, como o Espanyol ou o Rayo. O caso de Nabil é, a meu ver, muito particular, e estou curioso para ver o seu potencial totalmente exposto. Quanto aos outros, todos jovens, já passaram pela equipa B e não será surpreendente que lá retornem, mas preferia vê-los sujeitos a um nível competitivo mais elevado: rodar na I Liga seria o ideal, para poderem experimentar desafios mais exigentes do que aqueles que podem encontrar na II Liga, algo que permitir-lhes-ia crescer técnica e taticamente. Destaque para Mauro Caballero, que cumpriu uma época muito positiva ao serviço do Desportivo das Aves, sendo que, na próxima época, irá rodar fora de portas – foi emprestado ao FC Vaduz –, e para Ivo Rodrigues, uma das figuras portuguesas no Mundial Sub-20 que decorre ainda na Nova Zelândia.

Os que voltam à equipa B: Júnior Pius, Célestin Djim, Braima Candé e Rúben Alves;

Vou ser totalmente franco: conheço muito pouco destes quatro jogadores. No entanto, julgo que é consensual que o mais benéfico para eles seria integrar o plantel da equipa B, onde deverão ter oportunidade de jogar, dada a sobrecarga de jogos na II Liga. Seria preferível a rodar noutra equipa da mesma divisão. Assim, começavam a ambientar-se ao peso da camisola e aos valores do clube. É o mínimo que se pode exigir, se um dia querem singrar no FC Porto.

Ufa, missão cumprida. Acredito piamente que grande parte destas “propostas” vai acabar por se traduzir na realidade. No entanto, também tenho consciência que outra parte não se vai confirmar. Com alguma pena minha, porque tive em conta o objetivo de, além de procurar a melhor solução para todos os jogadores, também escolher a opção mais viável para o clube, principalmente no que toca à folha salarial. É que, parecendo que não, 27 jogadores são um encargo assinalável, e sabe Deus (a entidade religiosa, não o treinador da equipa B do Sporting) as despesas indispensáveis que o clube já tem/poderá ter. Fica a sugestão de mais um portista. Mister, caro Antero e Presidente, sintam-se à vontade para dar uma vista de olhos…

Foto de capa: Página de Facebook de Nabil Ghilas

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